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Documentário de ex-Balão Mágico Mike Biggs fala sobre fama e relação com o pai

Biggs by Biggs estreia nesta sexta-feira, 6 de novembro, no Universal+. "Ele não podia trabalhar, só podia cuidar de mim", diz Mike Biggs

Estadão Conteúdo

Por Estadão Conteúdo

07/11/2026 | 15h55

Divulgação / Universal

Michael Biggs e seu pai, Ronald Biggs - Divulgação / Universal
Michael Biggs e seu pai, Ronald Biggs
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Ronald 'Ronnie' Biggs, famoso por seu papel no assalto ao trem pagador na Inglaterra em 1963, viveu como fugitivo no Brasil, onde se tornou uma celebridade e teve um filho, Michael 'Mike' Biggs, que agora explora essa relação em um documentário chamado 'Biggs by Biggs'. A vida boêmia de Ronnie no Rio de Janeiro e sua notoriedade impactaram diretamente a vida de Mike, que se tornou uma figura pública na infância.

Mike Biggs revelou que a ideia do documentário surgiu há alguns anos, quando foi convidado a contar a história de seu pai, que sempre reconheceu seus erros e a necessidade de pagar por eles. A relação de Ronnie com a fama e suas consequências na vida familiar, incluindo a ausência da mãe de Mike, também são temas centrais do filme.

Atualmente, Mike reflete sobre as dificuldades que enfrentou devido à fama e como isso afetou sua relação com suas filhas, ao mesmo tempo em que busca compreender melhor sua própria mãe. O documentário 'Biggs by Biggs' estreia em 6 de novembro no Universal+, trazendo à tona as complexidades da vida familiar sob a sombra de um passado criminal.

Resumo gerado por IA

São Paulo - Conhecido como "o fugitivo mais famoso do mundo", Ronald "Ronnie" Biggs (1929-2013) passou anos foragido no Brasil. No País, o responsável pelo célebre assalto ao trem pagador da Inglaterra de 1963, que resultou numa perda de 2,6 milhões de libras para a coroa britânica, levou uma vida boêmia, se tornando celebridade no Rio de Janeiro e dominando manchetes com seu bom humor e excessos.

Em seus anos em terras cariocas, Ronnie teve um filho, Michael "Mike" Biggs, integrante do grupo de sucesso Turma do Balão Mágico, e cuja relação com o pai é explorada em Biggs by Biggs, documentário que chega nesta sexta-feira, 6, ao Universal+.

Em entrevista ao Estadão, Mike revelou que a ideia do filme surgiu "há uns três ou quatro anos", quando ele foi abordado pelos diretores Guto Barra e Tatiana Issa para participar de um documentário sobre o Balão Mágico, A Superfantástica História do Balão. "A Tatiana veio me falar 'acho que seria ótimo a gente de repente pensar em desenvolver algo que seja você contando a história do teu pai'. Eu falei 'ah, vamos, vamos conversar'."

Com a aprovação da Universal, Barra, Tatiana e Mike começaram a destrinchar a história de Ronnie e como seus feitos na Inglaterra e nas noites cariocas afetaram a vida do filho.

"Meu pai sempre me colocou a par da história, desde pequeno. E sempre colocando que ele cometeu um erro na vida dele, por esse erro ele tinha que pagar", contou Mike, afirmando que a honestidade de Ronnie impediu que as várias manchetes publicadas sobre o "assalto do século" na Inglaterra fossem recebidas como um choque. "Eu cresci sabendo que meu pai era um pai atípico, um pai diferente dos outros pais."

Embora o Brasil não tivesse acordo de extradição de criminosos com o Reino Unido, o status de Ronnie como criminoso o impedia de trabalhar no País. Por isso, ele passou a ser extremamente presente na vida do filho. "Era até engraçado porque minhas primeiras memórias da escola eram todas as mães indo buscar os filhos na escola e o único pai que ia era meu pai, porque afinal ele não podia trabalhar, só podia cuidar de mim."

Enquanto o pai alimentava sua fama com entrevistas à mídia nacional e internacional, o próprio Mike acabou se tornando celebridade logo aos 8 anos, quando passou a integrar a Turma do Balão Mágico, que vendeu 12 milhões de discos ao longo dos anos 1980. Entre shows, eventos e gravações para programas de TV, o cantor acabou se transformando no principal provedor da família formada apenas por ele e Ronnie.

"Para mim, foi meio que uma continuação da história do meu pai. Eu já estava acostumado com câmeras, estava acostumado com entrevistas, [a exposição na mídia] era uma coisa que já fazia parte do nosso dia a dia", lembra Mike. "Entrar no Balão, pra mim, foi uma coisa orgânica."

O cantor ainda lembra que, como Turma do Balão Mágico teve seu ápice nos anos 1980, emissoras e empresas aproveitavam a falta de regulamentação do trabalho infantil para manter os astros mirins por horas a fio.

"Existia uma pressão, a ponto de chegar uma época em que eu não queria mais ser do Balão Mágico", admite Mike. "Eu não queria mais ter que sair com segurança quando saísse na rua, parei de ir em festas de aniversários de crianças, porque eu não aguentava mais aquele [sentimento] de você estar no aniversário de uma criança e o aniversariante não é o foco da atenção. (...) Uma vez eu vi uma criança chorando com isso e, ali, eu decidi que eu não ia mais em festinhas de aniversário de ninguém, não queria mais estragar o dia das pessoas só por eu estar lá."

A relação de Mike com a mãe e as filhas

Outro tema constante em Biggs by Biggs é como a vida de Ronnie e sua relação com o filho se traduziram em um afastamento de Mike da mãe, Raimunda de Castro. Sobrecarregada com a fama do parceiro e as dificuldades econômicas, a dançarina acabou deixando o País, fazendo turnês de striptease pela Europa, sempre sob a alcunha de "stripper que conquistou Ronald Biggs", e perdendo quase que completamente o contato com o filho.

"Eu acho que consegui compreender um pouco mais a minha mãe quando a Ingrid nasceu, minha filha mais velha", contou o cantor que hoje vive a pouco mais de 100 metros da mãe, no Maranhão. "Eu fui um cara que cresceu sem saber o que era ter um colo de mãe. Minha mãe nunca me pegou no colo ou me fez um cafuné, por exemplo, isso é uma experiência que eu não conheço. Hoje, estar perto da minha mãe, a gente trocar carinho e rir junto sobre toda essa loucura da vida que a história Biggs trouxe pra gente está sendo muito bom."

A tal "história Biggs" acabaria se refletindo na relação de Mike com as próprias filhas, Ingrid e Lilly. Após se mudar para Londres em 2001, quando Ronnie decidiu, enfim, se entregar à justiça britânica, o cantor passou a dedicar seus dias e suas economias para tentar tirar o pai, já muito idoso, da cadeia, o que levou a um afastamento das garotas.

Ao fim de Biggs by Biggs, Mike e as filhas sentam em frente às câmeras e conversam abertamente sobre as falhas do artista como pai. "É muito bom, para mim, saber que minhas filhas podem verbalizar as frustrações e as dores que elas têm em relação a ter um pai que ficou um período afastado delas, mas de uma maneira sem ódio e compreendendo o que acontece na vida de cada um."

Minha vida é um livro aberto, não tenho que esconder que tive falhas, assim como meu pai teve as falhas enquanto pai comigo, como os pais e mães de todo mundo têm essas falhas. A diferença é que a minha foi colocada numa câmera."

Biggs by Biggs estreia nesta sexta-feira, 6 de novembro, no Universal+. O streaming conta com um aplicativo próprio e também pode ser assinado como um canal integrado ao Prime Video.

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