CONFIRA

Morre aos 92 anos Nilton Travesso, diretor pioneiro e ícone TV brasileira

Com mais de sete décadas de trajetória, Nilton Travesso ajudou a criar o ‘Fantástico’, dirigiu novelas históricas e revolucionou o entretenimento

Claudio Marques

Por Claudio Marques

06/11/2026 | 20h31

Reprodução/Instagragram

Diretor participou de grandes sucessos nas grandes redes brasileiras de televisão - Reprodução/Instagragram
Diretor participou de grandes sucessos nas grandes redes brasileiras de televisão
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Nilton Travesso, um dos mais influentes diretores da televisão brasileira, faleceu aos 92 anos devido a uma infecção generalizada, deixando um legado significativo na indústria televisiva do país.

Com mais de 70 anos de carreira, Travesso foi pioneiro na TV brasileira, atuando em grandes emissoras e contribuindo para a criação de programas icônicos e novelas que marcaram a história da televisão.

O velório de Travesso ocorrerá neste sábado em São Paulo, e sua contribuição para a formação de novos talentos na área foi reconhecida com a fundação da Nilton Travesso Oficina de Atores, um importante centro de formação.

Resumo gerado por IA

SÃO PAULO — O diretor de televisão Nilton Travesso, considerado um dos maiores e mais importantes nomes da história da televisão brasileira, morreu nesta sexta-feira, aos 92 anos, vítima de uma infecção generalizada. Ele estava internado no Hospital Sírio-Libanês, na capital paulista.

O velório será realizado neste sábado, das 10h às 17h, no Funeral Home, localizado na Bela Vista, região central de São Paulo.

Com mais de 70 anos de carreira, Nilton Travesso acompanhou o surgimento da televisão no Brasil e atuou nas principais redes do País, incluindo Record, TV Globo, Rede Manchete, SBT e Rede Bandeirantes. Era amplamente reconhecido no meio artístico pela habilidade de estruturar núcleos de teledramaturgia, inovar em formatos e liderar grandes equipes.

Participou do início da TV Record

Sua trajetória começou em 1953, ao participar de uma oficina antes da inauguração da TV Record, emissora da qual foi um dos primeiros profissionais contratados. Na emissora paulista, atuou como diretor e produtor de teledramaturgia, assinando o "Teatro Cacilda Becker" e novelas de autores como Ivani Ribeiro, Ciro Bassini e Roberto Freire.

Também comandou atrações marcantes como "Hebe", "O Pequeno Mundo de Ronnie Von", "Jovem Guarda", "Bate Papo com Silveira Sampaio", "La Revue Chic" (com Jô Soares), "Dia a Dia" (com Cidinha Campos), "Show Roquette Pinto" e "Show do Dia 7".

Ainda na Record, esteve à frente dos célebres Festivais de Música Popular Brasileira e integrou na década de 1960 a histórica "Equipe A", ao lado de Manoel Carlos, Raul Duarte e Antônio Augusto Amaral de Carvalho, o Tuta.

Foi para a Globo em 1974

Em 1974, ingressou na Rede Globo, integrando o grupo de criação do "Fantástico" ao lado de Manoel Carlos, Maurício Sherman e José-Itamar de Freitas. No ano seguinte, em 1975, produziu o que é considerado o primeiro videoclipe da televisão brasileira: "América do Sul", gravado com Ney Matogrosso fora dos estúdios, em meio a uma floresta.

Nos anos 1980, na capital paulista, Travesso ajudou a conceber programas como "TV Mulher" e "Som Brasil", além de dirigir atrações como o infantil "Balão Mágico" e assumir a direção executiva do "Chico Anysio Show", em 1986.

Na teledramaturgia da emissora carioca, foi responsável por novelas de destaque como "Sinhá Moça" (1986) e "Direito de Amar" (1987). Mais tarde, atuou ainda como diretor de núcleo e comandou o "Mais Você".

Manchete, SBT e Bandeirantes

Em 1987, transferiu-se para a Rede Manchete, onde estruturou o Departamento de Teledramaturgia em parceria com Jayme Monjardim, período em que o canal produziu obras de repercussão como "Kananga do Japão", "Pantanal" e "A História de Ana Raio e Zé Trovão".

Nilton Travesso chegou ao SBT em 1993, liderando uma fase de reestruturação da teledramaturgia da casa que deu origem a títulos como "Éramos Seis" (1994), "As Pupilas do Senhor Reitor" (1994) e "Sangue do Meu Sangue" (1995).

Na sequência, atuou como superintendente da Rede Bandeirantes. Em 2005, retornou ao SBT para dirigir o programa "Fora do Ar", comandado por Adriane Galisteu. Posteriormente, esteve à frente da direção do programa "Todo Seu", apresentado por Ronnie Von na TV Gazeta, realizou trabalhos no cinema nos Estados Unidos e teve passagens por projetos na rádio e TV Jovem Pan.

Ao longo de décadas, manteve laços profissionais e de amizade com grandes personalidades que ajudou a lançar ou com quem dividiu produções, como Jô Soares e Pedro Bial. Em participação no "Mais Você", no ano 2000, recebeu homenagem da apresentadora Ana Maria Braga, que enfatizou sua contribuição para a construção da TV no Brasil e seu carinho pelas equipes. Na ocasião, o diretor resumiu sua devoção ao meio: "É fascinante", afirmou, complementando que não saberia fazer outra profissão.

Dedicado também à formação técnica e artística, fundou em 2001, em São Paulo, a Nilton Travesso Oficina de Atores. Concebida para preparar intérpretes e técnicos a partir dos 7 anos para as linguagens do audiovisual sem abrir mão do teatro, a escola consolidou-se como um dos centros formadores mais tradicionais do estado, abrangendo interpretação, produção executiva, cenografia, figurino e operação técnica.

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