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'Skincare comestível': entenda a tendência que viralizou nas redes sociais

Receitas com gelatina e frutas prometem estimular o colágeno e combater rugas, mas especialistas explicam que os resultados dependem de outros fatores

Alexandre Barreto

Por Alexandre Barreto

07/11/2026 | 13h11

Reprodução/TikTok @lafernandesss e @yasminbrunet

Influenciadoras aderem à trend dos vídeos de "skincare comestível" - Reprodução/TikTok @lafernandesss e @yasminbrunet
Influenciadoras aderem à trend dos vídeos de "skincare comestível"
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A tendência de 'skincare comestível', que envolve o consumo de gelatinas, frutas e iogurtes para melhorar a pele, tem ganhado popularidade nas redes sociais, mas especialistas alertam que não há evidências científicas que comprovem sua eficácia contra o envelhecimento.

Embora a alimentação balanceada seja importante para a saúde da pele, não existem alimentos específicos que garantam a produção de colágeno ou a melhora da elasticidade cutânea, conforme afirmam nutricionistas e dermatologistas.

As especialistas recomendam uma abordagem holística para o cuidado da pele, incluindo uma dieta variada, hidratação adequada, proteção solar e hábitos saudáveis, em vez de confiar em soluções rápidas promovidas nas redes sociais.

Resumo gerado por IA

São Paulo - Vídeos de gelatinas coloridas, frutas frescas, sementes, saladas e iogurtes passaram a aparecer nas redes sociais como parte de uma nova rotina de beleza. Conhecida como "skincare comestível" ou "coma seu skincare", a tendência promete melhorar a aparência da pele, estimular a produção de colágeno e retardar o envelhecimento por meio da alimentação.

Apesar da popularidade, especialistas ouvidos pelo VIVA apontam que não existem evidências científicas de que essas combinações tenham um efeito especial contra rugas e flacidez.

A proposta da trend é cuidar da pele "de dentro para fora", consumindo alimentos que contêm vitaminas, minerais, proteínas e antioxidantes. Esses nutrientes realmente participam de processos importantes para a manutenção e a renovação dos tecidos.

Porém, isso não significa que uma sobremesa com gelatina e frutas funcione como tratamento estético ou que seus componentes sejam direcionados pelo organismo para melhorar a pele.

A nutricionista Sophie Deram, doutora pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP) e pesquisadora em neurociência do comportamento alimentar, explica que as receitas podem reunir nutrientes interessantes, mas não há garantia de que produzam os resultados anunciados nas redes sociais.

Sophie Deram é nutricionista, doutora pela USP e pesquisadora em comportamento alimentar
Sophie Deram é nutricionista, doutora pela USP e pesquisadora em comportamento alimentar - Divulgação
Uma alimentação melhor pode contribuir para a saúde e até para a pele, mas não há como assegurar que esses nutrientes terão esse efeito. Isso ainda é uma grande incógnita e se baseia em pseudociência.
Sophie Deram, nutricionista

A médica dermatologista Vanessa Santos Cunha, da Sociedade Brasileira de Dermatologia do Rio Grande do Sul (SBD-RS), também alerta que a tendência não deve ser confundida com uma estratégia comprovada de prevenção do envelhecimento.

O que é skincare comestível?

O skincare comestível é uma trend de beleza que ganhou força no TikTok e no Instagram. A ideia é consumir preparações com ingredientes associados à saúde da pele, em vez de utilizar apenas produtos aplicados diretamente no rosto.

Entre as receitas mais compartilhadas estão sobremesas com gelatina e pedaços de frutas, combinações com iogurte e preparações que incluem sementes. A justificativa costuma envolver a presença de colágeno, vitamina C, vitamina E e outros compostos relacionados à manutenção dos tecidos.

Para Vanessa, o cuidado com a pele depende de um conjunto de hábitos, principalmente de uma alimentação adequada e variada.

Não existe um alimento que tenha demonstrado, de forma comprovada, estimular a produção de colágeno e melhorar a elasticidade da pele.
Vanessa Santos Cunha, médica dermatologista

Quais alimentos ajudam a cuidar da pele?

Uma alimentação equilibrada fornece nutrientes necessários para a manutenção e a renovação dos tecidos. O ideal é combinar diferentes grupos alimentares, sem concentrar a dieta em ingredientes divulgados como soluções para a beleza.

Entre os alimentos que podem fazer parte dessa rotina estão:

  • Frutas e hortaliças: fornecem vitamina C, carotenoides e compostos antioxidantes;
  • Ovos, peixes, carnes e laticínios: são fontes de proteínas e aminoácidos utilizados na formação e na reparação dos tecidos;
  • Feijão e outras leguminosas: fornecem proteínas de origem vegetal e outros nutrientes;
  • Castanhas, nozes e sementes: contêm gorduras insaturadas, vitamina E e minerais;
  • Peixes: podem fornecer ômega 3, um tipo de gordura associado a diferentes funções do organismo;
  • Água: contribui para a hidratação do corpo e para o funcionamento adequado dos tecidos.

Sophie ressalta que a alimentação não deve ser transformada em uma lista de ingredientes obrigatórios para melhorar a aparência. Sono adequado, hidratação, regularidade das refeições e variedade alimentar também fazem parte dos cuidados.

Dra. Vanessa Santos Cunha, médica dermatologista e delegada da Sociedade Brasileira de Dermatologia – Secção do Rio Grande do Sul (SBD-RS)
Dra. Vanessa Santos Cunha, médica dermatologista e delegada da Sociedade Brasileira de Dermatologia – Secção do Rio Grande do Sul (SBD-RS) - Divulgação

A recomendação vale para pessoas de todas as idades, inclusive quem tem mais de 50 anos, já que não existem nutrientes exclusivos para a pele madura. As necessidades nutricionais variam conforme as características e as condições de saúde de cada pessoa.

Segundo Vanessa Santos Cunha, o envelhecimento cutâneo envolve fatores como genética, alterações hormonais, exposição solar, tabagismo e qualidade do sono. Por isso, a alimentação é apenas uma parte do cuidado.

No caso do ressecamento, a ingestão adequada de água ajuda a manter a hidratação do organismo. O uso de cremes e loções hidratantes também é importante para cuidar da barreira cutânea.

Em quanto tempo a alimentação pode melhorar a pele?

Não existe um prazo universal para perceber mudanças na aparência da pele depois de melhorar a alimentação. De acordo com Sophie Deram, o resultado depende das condições iniciais de cada pessoa.

Quem apresenta alguma deficiência nutricional pode perceber melhorias após corrigir o problema, inclusive ao longo de algumas semanas. "Entretanto, em pessoas que já têm uma alimentação adequada, não há garantia de que mudanças na dieta produzam uma melhora visível na pele", afirma.

Ela explica que a renovação da epiderme acontece continuamente e leva algumas semanas. Mesmo assim, fatores como idade, genética, exposição solar, alterações hormonais e tabagismo influenciam as condições da pele.

A nutricionista também alerta para promessas de resultados rápidos, especialmente para mulheres que estão passando pela menopausa. As mudanças hormonais dessa fase podem interferir na pele e não são revertidas pela inclusão de determinados alimentos.

Como cuidar da pele durante o envelhecimento?

Para quem deseja manter a saúde da pele, especialmente depois dos 50 anos, a recomendação das especialistas é priorizar hábitos que tenham benefícios reconhecidos para o organismo. Entre os principais cuidados estão:

  • Manter uma alimentação variada, com frutas, verduras, legumes e fontes de proteína;
  • Beber água ao longo do dia, respeitando as necessidades individuais;
  • Utilizar protetor solar e evitar a exposição excessiva ao sol;
  • Manter uma rotina de hidratação da pele com produtos adequados;
  • Evitar o tabagismo;
  • Priorizar o sono e hábitos saudáveis;
  • Não utilizar suplementos sem orientação profissional.

Como destacam as especialistas, cuidar da pele envolve a saúde como um todo, e não a busca por uma "receita milagrosa" ou por uma aparência sem sinais de envelhecimento.

"O chamado 'skincare comestível' é mais uma tendência que ganhou popularidade nas redes sociais sem evidências científicas que sustentem os benefícios anunciados", conclui Vanessa, da Sociedade Brasileira de Dermatologia.

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