Luciana Vendramini: Quando você não é mais novidade, carreira depende de amizades
Olhando para trás, a atriz Luciana Vendramini diz não tem arrependimentos: "Sempre fui batalhadora", diz ela, que planeja peça e livro
Por Estadão Conteúdo
01/11/2026 | 12h39Reprodução/Montenegro Talents
Luciana Vendramini, seguindo o conselho do pai sobre ter um plano B, deixou a carreira de modelo para se tornar atriz e, após um período de sucesso nas telenovelas, decidiu não esperar mais por oportunidades, tornando-se uma das líderes da produtora Axon Content.
Ela está atualmente à frente de projetos significativos, incluindo uma exposição sobre Marília Mendonça e uma peça de comédia de Lars Von Trier, destacando a importância do legado da cantora no empoderamento feminino no sertanejo.
Além de sua carreira, Luciana planeja lançar um livro e um documentário sobre sua experiência com transtorno obsessivo compulsivo, abordando a realidade do tratamento e a importância de discutir a saúde mental de forma honesta e profunda.
São Paulo - Luciana Vendramini levou muito a sério um conselho, dado pelo pai, de sempre ter um plano B na carreira. "Ele falava: 'Se você fosse advogada, teria milhões de escritórios onde poderia ter oportunidades; mas você está escolhendo uma profissão na qual não tem muitas opções'", diz ela, em entrevista por telefone ao Estadão, sobre o período em que decidiu que seria atriz.
À época, Luciana deixava em suspenso a carreira como modelo para estudar atuação. Deu certo: ela marcou grandes telenovelas dos anos 1990, como Vamp e Rei do Gado. Mas uma hora as ligações pararam de chegar. "Quando você é novidade no mercado, seu telefone não para de tocar, como aconteceu comigo", conta. "Mas, depois que deixa de ser novidade, a carreira passa a depender da amizade e das relações com diretores, produtores e autores."
Seguindo o conselho do pai, Luciana decidiu que não esperaria o telefone. Hoje, ela pode não estar no horário nobre, mas está à frente de uma das grandes produtoras culturais do Brasil, a Axon Content - que agora, inclusive, obteve os direitos de uma peça de comédia de Lars Von Trier em que Luciana irá atuar. Também é responsável por uma exposição sobre Marília Mendonça, em cartaz no Museu da Imagem e do Som (MIS), em São Paulo.
"Quando chegou o projeto sobre a Marília Mendonça, eu disse: 'Vai ter o documentário, o filme, a série e a exposição'. Todos estranharam mas eu defendi que a exposição fazia todo sentido dentro do legado e da história dela. A Marília desbravou o universo sertanejo com uma postura empoderada de mulheres jovens que vão tomar cerveja com os amigos de igual para igual. Ela não tinha aquele perfil sertanejo da época dos meus pais; ela mandava a real."
Luciana ainda tem projetos importantes na vida pessoal. Ela foi uma das primeiras pessoas públicas a falar sobre seu diagnóstico de transtorno obsessivo compulsivo (TOC), quando, nas palavras da atriz, "ninguém sabia o que era o TOC, nem eu mesma". A artista agora prepara um livro e um documentário sobre a doença, que "não vai ser cor-de-rosa ou de autoajuda superficial".
"Não vai ser um livro cor-de-rosa ou de autoajuda superficial; vai mostrar a realidade nua e crua do fundo do poço que um transtorno mental pode causar. Eu nunca me fiz de vítima: me dediquei arduamente ao tratamento, estudando a parte teórica e me tratando com foco e disciplina.Hoje estou totalmente tratada há mais de 20 anos. O livro e o documentário vão mostrar essa jornada. Costumo dizer: 'Cuidado com os sobreviventes, porque a gente sobreviveu a duras perdas e tem fortaleza'. Hoje realizo palestras compartilhando desde o diagnóstico até a superação, mostrando que todos têm saída. A dor invisível da mente precisa ser olhada com a mesma importância de uma dor física."
Olhando para trás, a atriz não tem arrependimentos. "Meu pai costuma dizer que fiz uma trajetória com muito esforço e sem escândalos pejorativos. Sempre fui batalhadora", diz.
Comentários
Política de comentários
Este espaço visa ampliar o debate sobre o assunto abordado na notícia, democrática e respeitosamente. Não são aceitos comentários anônimos nem que firam leis e princípios éticos e morais ou que promovam atividades ilícitas ou criminosas. Assim, comentários caluniosos, difamatórios, preconceituosos, ofensivos, agressivos, que usam palavras de baixo calão, incitam a violência, exprimam discurso de ódio ou contenham links são sumariamente deletados.
Agora
