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Morre Solano Ribeiro, produtor que fez história nos festivais de MPB

Com 87 anos, Solano Ribeiro foi responsável por festivais icônicos que moldaram a música popular brasileira nos anos 1960

Estadão Conteúdo

Por Estadão Conteúdo

31/10/2026 | 17h15 ● Atualizado | 17h16

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No livro No livro 'Prepare Seu Coração', Solano Ribeiro conta bastidores dos festivais - Divulgação
No livro No livro 'Prepare Seu Coração', Solano Ribeiro conta bastidores dos festivais
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O produtor musical Solano Ribeiro faleceu aos 87 anos, após lutar contra o câncer, sendo uma figura central na promoção da música popular brasileira nos anos 1960, especialmente através de festivais na televisão.

Ele foi o idealizador do primeiro Festival de Música Popular Brasileira em 1965 e do Festival da Record em 1967, eventos que se tornaram importantes para a expressão artística em um período de repressão política no Brasil.

O velório de Solano ocorrerá no Cemitério Bosque da Paz, e seu legado continua através de programas como 'Solano Ribeiro e a Nova Música do Brasil', que ele apresentou até recentemente, promovendo novos talentos da música brasileira.

Resumo gerado por IA

São Paulo - O produtor musical Solano Ribeiro, um dos principais responsáveis pelos grandes festivais de música brasileira na televisão nos anos 1960, morreu na madrugada deste sábado, 31, aos 87 anos.

A morte foi confirmada pela Rádio Cultura Brasil, onde ele comandava o programa semanal "Solano Ribeiro e a Nova Música do Brasil". Segundo a TV Cultura, Solano estava em seu terceiro tratamento contra o câncer e recebia cuidados paliativos.

O velório foi realizado no Cemitério Bosque da Paz, em Vargem Grande Paulista, na Grande São Paulo. "O Brasil perde hoje um dos nomes mais importantes da história da MPB", lamenta a emissora na nota sobre o falecimento divulgada em seu perfil no Instagram.

Trajetória da música à televisão


Solano foi idealizador do 1º Festival de Música Popular Brasileira, exibido pela TV Excelsior, em 1965. Também esteve por trás do Festival da Record de 1967, que teve entre as músicas mais bem colocadas "Ponteio", de Edu Lobo e Capinam; "Domingo no Parque", de Gilberto Gil; e "Roda Viva", de Chico Buarque, interpretada pelo compositor com o grupo MPB4.

"As músicas com uma mensagem política tinham uma receptividade muito grande. Isso transformou a música popular daquele momento numa válvula de escape para a repressão que acontecia na política, acho que isso deu muita força para o impacto dos festivais", analisou Solano em 2016, em entrevista à TV Brasil.

No livro "Prepare Seu Coração", lançado em 2003 e ampliado em 2018, ele conta os bastidores dos eventos. "Tudo o que escrevi foi o que vi", disse em entrevista concedida ao Estadão no ano do relançamento da obra.

No livro, Solano relata, por exemplo, como Baden Powell conquistou o primeiro lugar no Festival OTI (da Organização da Televisão Ibero-Americana), em Madri. O violonista, que defendeu a canção "Diálogo" ao lado de Tobias, Claudia Regina e Carlos Monteiro de Souza, estava embriagado, mas isso não o impediu de fazer uma grande apresentação. "Não acreditei no que via", diz na obra.

Produtor independente e crítico

Nos anos seguintes, continuou atuando como produtor independente e se dedicando à crítica e à preservação da memória da MPB.

Em 2005, ele criou e dirigiu o Festival Cultura - A Nova Música do Brasil, na TV Cultura, que buscava revelar novos talentos e valorizar compositores brasileiros, e no ano seguinte estreou o "Solano Ribeiro e a Nova Música do Brasil". O programa na rádio foi premiado duas vezes (em 2006 e 2012) pela Academia Paulista dos Críticos de Arte (APCA).

A edição da atração exibida neste sábado, 31, foi uma reapresentação de uma gravação de setembro de 2023. No programa, Solano reuniu Rubel, Flávia Bittencourt, a banda Selvagens à Procura de Lei e o grupo paulistano Samba da Chinela Voadora, em uma amostra de seu trabalho de divulgação de diferentes vozes e ritmos.

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