Como proteger o seu orçamento do reajuste dos planos de saúde
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São Paulo - O aumento progressivo das mensalidades dos planos de saúde tem levado muitas famílias e pequenos empresários a rever o orçamento e apertar o cinto para manter as contas em dia. Recentemente, a Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) estabeleceu um teto de 5,11% para o reajuste de contratos individuais e familiares com aniversário entre maio de 2026 e abril de 2027. Em maio, a inflação medida pelo IPCA em 12 meses foi de 4,72%.
O reajuste atinge mais especificamente a modalidade individual ou familiar dos planos, um grupo que representa apenas 15,96% do total de beneficiários de assistência médica do País - são 8,45 milhões de pessoas dentre as cerca de 53 milhões de pessoas asseguradas.
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Entre janeiro e fevereiro de 2026, segundo a ANS, contratos coletivos com até 29 vidas registraram reajuste médio de 13,48%. Para os contratos com mais de 30 beneficiários foi apurado um aumento médio de 8,71%.
Vale a pena fazer a portabilidade?
Na tentativa de conter o impacto desses reajustes no orçamento, muitos brasileiros tem avaliado fazer portabilidade de plano de saúde. A planejadora financeira Amanda Sacramento, credenciada pela Associação Brasileira de Planejamento Financeiro (Planejar), recomenda alguns cuidados antes de tomar essa decisão.
Primeiro, não olhe apenas para o preço atual. Afinal, a mensalidade que cabe no bolso hoje pode deixar de ser sustentável após aumentos anuais, mudanças de faixa etária ou alterações na rotina e frequência de utilização.
Além da questão do valor da mensalidade o consumidor deve avaliar os seguintes pontos:
- A proteção do plano contínua adequada?
- A despesa cabe na renda sem sacrificar outros objetivos?
- A modalidade escolhida corresponde ao perfil de utilização?
A portabilidade não deve ser vista apenas como forma de economizar, destaca Sacramento, mas como uma oportunidade de adequar o plano à sua realidade financeira. O processo costuma ser relativamente simples. É permitido migrar para outro plano sem cumprir novas carências, desde que sejam observados os critérios exigidos pela ANS.
O principal cuidado é não cancelar o plano atual antes da conclusão da portabilidade. Além disso, a escolha não deve considerar apenas a mensalidade, mas também a rede credenciada, cobertura, histórico de reajuste e o perfil de utilização seja da pessoa ou da família", afirma Sacramento.
Como comparar os gastos com plano de saúde?
Para avaliar se vale a pena trocar o seu planos de saúde, a planejadora recomenda que se faça a soma de todas as despesas com saúde para determinar seu impacto no orçamento. O ideal é comparar a coparticipação com a frequência de uso.
Se, ao final desse levantamento, a relação custo-benefício piorar, então pode-se considerar migrar para um novo plano.
A projeção para a adesão a um novo plano deve considerar tanto as correções anuais quanto as mudanças de faixa etária indicadas no contrato. Para planos firmados a partir de 2004, por exemplo, a última faixa começa aos 59 anos, e o preço definido para ela não pode superar seis vezes aquele cobrado na primeira.
A especialista ressalva que mesmo com essa regra, a combinação entre valores mais altos, maior frequência de utilização e despesas com medicamentos pode ampliar significativamente o desembolso destinado à saúde.
A recomendação é fazer projeções para cinco, dez e vinte anos, formar reservas específicas e reexaminar a cobertura após acontecimentos relevantes, como casamento, nascimento de filhos, saída de dependentes, aposentadoria ou diagnóstico que altere a necessidade de atendimento.
Plano de saúde pesa no orçamento familiar
De acordo com estudo da Zeom Research, com alta acumulada de 145,5% desde 2018, os planos de saúde são vistos como a categoria que mais têm pressionado o orçamento das famílias, principalmente as de maior renda.
Levantamento da Serasa confirma que o peso da saúde no orçamento aparece na hora de escolher quais contas priorizar, principalmente entre os consumidores que moram sozinhos. Segundo a pesquisa, entre os brasileiros mais velhos - da Geração X (nascidos entre 1965 e 1980) e Baby Boomers (nascidos entre 1946 e 1964), 25,4% colocam as despesas com saúde entre as principais prioridades de pagamento. Entre a Geração Y (nascidos entre 1981 e 1996), esse índice cai para 11,9%, e entre a Geração Z (nascidos entre 1997 e 2010), para 10,6%.
Saúde se destaca entre as despesas que mais subiram nos últimos 12 meses, ao ser mencionada por 39% dos entrevistados entre a Geração X e Baby Boomers, um porcentual mais de três vezes superior ao da Geração Y (12,5%) e também maior do que o da Geração Z (18,3%).
Fato é que com o avançar da idade o peso dos gastos médicos no orçamento cresce consideravelmente. Entre o público que mora sozinho, cerca de 40% das pessoas da Geração X e Baby Boomers gastam mais de R$ 500 por mês com saúde. Entre a Geração Y, 41% gastam menos de R$ 100 mensais com esse tipo de despesa. Entre os mais jovens da Geração Z, 49% pagam menos de R$ 100 por mês, ainda de acordo com a Serasa.
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