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Dinheiro que ia para bets está migrando para compra de alimentos, diz Abras

A Associação Brasileira de Supermercados (Abras) vê indícios de que parte dos recursos antes destinados a bets tenha migrado para compra de alimentos

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Por Broadcast

29/10/2026 | 12h16

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Associação Brasileira de Supermercados (Abras) defende manutenção da proibição das bets - Envato
Associação Brasileira de Supermercados (Abras) defende manutenção da proibição das bets
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A Associação Brasileira de Supermercados (Abras) reportou um aumento significativo no consumo de alimentos nas duas primeiras semanas de outubro, sugerindo que recursos antes destinados a apostas esportivas foram redirecionados para compras, com crescimento de 6,5% e 6,3% nas semanas analisadas.

Esse aumento no consumo coincide com a proibição das apostas, e a Abras não encontrou outros fatores que justificassem a aceleração das vendas, além do impacto do reajuste do Bolsa Família que começou a ser pago em 19 de outubro.

A Abras defende a manutenção da proibição das apostas, que será discutida no Supremo Tribunal Federal em 3 de novembro, enquanto a inflação de alimentos e o aumento no custo de vida continuam a pressionar o orçamento das famílias brasileiras.

Resumo gerado por IA

São Paulo, 29/10/2026 - A Associação Brasileira de Supermercados (Abras) identificou um crescimento atípico no consumo das famílias nas duas primeiras semanas completas de outubro e vê indícios de que parte dos recursos antes destinados às apostas esportivas, conhecidas como bets, tenha migrado para as compras de alimentos. 

Na semana de 5 a 11 de outubro, o varejo alimentar registrou crescimento de 6,5% em relação a igual período do ano passado. Na semana seguinte, de 12 a 18 de outubro, a alta foi de 6,3%. Segundo a Abras, o desempenho ficou acima do padrão observado em anos anteriores e se espalhou por todas as regiões do País e formatos de lojas.

A coincidência temporal entre as restrições às apostas e a aceleração das vendas reforça a hipótese de que parte do dinheiro destinado aos jogos tenha sido redirecionada para o abastecimento doméstico. "Quando fomos analisando, nós identificamos o que teve de anormal. A única coisa que teve de diferente nesse período foi a proibição das bets",  afirmou o vice-presidente da Abras, Márcio Milan, durante coletiva de imprensa.

Diante desse movimento, a entidade defende a manutenção da proibição das bets, tema que voltará à discussão no Supremo Tribunal Federal (STF) em audiência prevista para 3 de novembro.

O supermercado vende qualidade de vida, vende saúde, e o que temos observado é que as bets vendem uma doença social.
Márcio Milan, vice-presidente da Abras

Para chegar a essa interpretação, a Abras analisou possíveis influências da renda e dos preços, mas não identificou fatores suficientes para explicar a aceleração das vendas. O período também antecedeu o pagamento reajustado do Bolsa Família, iniciado em 19 de outubro. 

Consumo nos lares cai em setembro ante agosto

A análise do executivo ocorreu durante a apresentação do indicador do consumo nos lares brasileiros, que recuou 1,46% em setembro na comparação com agosto, mas ainda mostrou alta de 0,59% ante setembro de 2025. No acumulado de janeiro a setembro, o avanço é de 2,70%.

Depois das altas de 3,01% em julho e de 2,21% em agosto, o resultado de setembro foi apresentado pela entidade como um movimento de acomodação. "A retração de setembro não é um movimento isolado deste ano, embora tenha sido mais intensa do que a observada nos dois anos anteriores", afirmou Milan. Em setembro de 2024, o consumo havia caído 1,30% ante agosto, enquanto, em igual intervalo de 2025, o recuo foi de 0,94%.

Segundo a Abras, o mercado de trabalho e a renda continuam dando sustentação ao consumo das famílias. A taxa de desocupação ficou em 5,3% no trimestre encerrado em agosto, enquanto a população ocupada alcançou 103,5 milhões de pessoas, maior contingente da série histórica.

A entidade também destacou que houve reforço de recursos em circulação na economia ao longo de setembro. Entre eles, estão R$ 13,04 bilhões em transferências do Bolsa Família para 19,3 milhões de famílias, R$ 3,22 bilhões liberados pelo Conselho da Justiça Federal em requisições de pequeno valor e ações judiciais, além de R$ 1,24 bilhão referente ao último lote regular de restituição do Imposto de Renda.

Por outro lado, a retomada da inflação de alimentos voltou a pressionar o orçamento das famílias. O IPCA subiu 0,82% em setembro, após queda de 0,32% em agosto. No grupo alimentação e bebidas, a alta foi de 0,83%, depois de três meses consecutivos de recuo. Na alimentação no domicílio, o avanço foi de 0,96%.

Cesta Abras


A cesta Abrasmercado, composta por 35 produtos de largo consumo, subiu 1,08% em setembro ante agosto, interrompendo três meses consecutivos de queda. Com isso, o valor médio nacional passou de R$ 837,14 para R$ 846,22. No acumulado do ano, a alta é de 5,73%.

Entre os destaques de alta no mês estiveram o arroz, com avanço de 4,56%, o óleo de soja, com 1,83%, e o açúcar refinado, com 1,11%. Em sentido contrário, o feijão caiu 4,02% e o café torrado e moído recuou 1,09%, ambos pela terceira queda mensal consecutiva.

Nos vegetais frescos, as maiores pressões vieram do tomate, com aumento superior a 37%, da batata, com alta de mais de 24%, e da cebola, com avanço de 10,14%.

Já a cesta de 12 produtos básicos apresentou relativa estabilidade em setembro, com leve alta de 0,12% ante agosto. O valor médio nacional passou de R$ 356,76 para R$ 357,20. No acumulado de janeiro a setembro, a cesta registra avanço de 4,94%.

(Por Júlia Pestana)

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