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Sobre a coluna

Médico PhD e geriatra é fundador do Instituto Moriguchi, em Veranópolis (RS), a 'blue zone' brasileira. É professor de medicina na UFRGS e professor-visitante em Chiba e Keio (Japão).


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Como ser longevo e feliz sem morar numa das zonas azuis

O líder do projeto da 'blue zone' brasileira, Veranópolis, conta como ser longevo e feliz também fora de uma das zonas azuis

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Nove dicas de como atingir um estado de espírito da longevidade feliz - Envato
Nove dicas de como atingir um estado de espírito da longevidade feliz
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Veranópolis, no Rio Grande do Sul, é uma das Zonas Azuis do mundo, onde a pesquisa sobre longevidade saudável e felicidade tem sido realizada desde 1994, demonstrando que é possível viver bem mesmo fora dessas áreas específicas.

As conclusões apontam que a longevidade está relacionada a um estilo de vida que inclui paz de espírito, boas companhias, atividade social, propósito de vida e alimentação saudável, independentemente da localização geográfica.

Para promover esse 'estado de espírito da longevidade feliz', recomenda-se cultivar hábitos como atividade física regular, alimentação moderada e socialização durante as refeições, visando aumentar a qualidade de vida e a felicidade na velhice.

Resumo gerado por IA

Veranópolis (RS) - “Doutor, é possível ser longevo saudável e feliz, mesmo sem morar numa área de longevidade, numa Zona Azul?” - as pessoas que me encontram, seguidamente, fazem essa pergunta. A minha resposta: é claro que sim!

Zonas Azuis ou "Blue Zones", em inglês, são localidades no mundo que se caracterizam por uma longevidade saudável, com qualidade de vida e felicidade. No Brasil, temos a localidade de Veranópolis, no Rio Grande do Sul, que preenche esses critérios, onde realizamos pesquisas desde 1994 (via Instituto Moriguchi).

Após anos de pesquisa, chegamos a algumas conclusões importantes. O que caracteriza as regiões de longevidade no mundo são formas de viver ou o estado de espírito que os longevos cultivaram ao longo de suas vidas.

Esse “estado de espírito para longevidade feliz” já está publicado e pode ser resumido nas seguintes formas de viver -  para qualquer um, em qualquer lugar:

  1. Vida leve - viver uma vida tranquila, em paz. Levar a vida sem ser a sério demais, gerando menos estresse no dia a dia.
  2. Boas companhias - viver em boa companhia com familiares e amigos.
  3. Vida social ativa - viver em círculo social de forma ativa; sempre em atividade, motivado por atividades em grupo de amigos, do seu trabalho, do seu bairro ou da sua igreja.
  4. Propósito de vida - viver o dia a dia com objetivos; desde coisas pequenas como cuidar de netos, trabalhar para uma causa voluntária, como nas igrejas ou grupos de trabalho voluntário, cuidar da horta ou de animais da sua criação.
  5. Senso de pertencimento - sentir-se pertencente a um grupo com valores semelhantes: pode ser desde uma religião (fé), uma atividade (trabalho, esporte ou lazer) ou uma ação voluntária (ajudar quem precisa).
  6. Atividade física regular: nunca ficar parado, sempre ter uma atividade física diária e contínua ao longo de toda a vida. Se for em grupo, melhor ainda!
  7. Alimentação orgânica ou "da terra”: os longevos das Zonas Azuis, independente da localidade ou da etnia, caracterizam-se por se alimentar com os produtos da terra, da sua localidade, sem processamento e com temperos naturais (mais baseada em produtos de origem vegetal). Nas grandes cidades, o grande segredo são os produtos orgânicos das feiras orgânicas.
  8. Comer de forma moderada: os longevos das Zonas Azuis caracterizam-se por comer sobriamente e cuidam para nunca se sentirem satisfeitos. Eles param de comer quando estão sentindo que queriam comer "mais um pouquinho". É o que em, Okinawa, no Japão, chamam de “hara hachi bunn”. Isso significa que o bom é comer 80% do que gostaria.
  9. Refeições em companhia: os longevos felizes caracterizam-se por tomarem as refeições com família ou em companhia de amigos, conversando e rindo, o que, sabidamente, melhora a digestão.

Essas formas de viver caracterizam o “estado de espírito da longevidade feliz” de várias localidades do mundo, independente da etnia, da localização, do clima ou do tipo de alimentação. Vamos cultivá-lo e teremos maiores chances de vivermos mais, melhor e sermos mais felizes no final da vida!

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