Emilio Moriguchi
Colunista VIVA
29/10/2026 | 09h11
Sobre a
coluna
Sobre a coluna
Médico PhD e geriatra é fundador do Instituto Moriguchi, em Veranópolis (RS), a 'blue zone' brasileira. É professor de medicina na UFRGS e professor-visitante em Chiba e Keio (Japão).
Como ser longevo e feliz sem morar numa das zonas azuis
O líder do projeto da 'blue zone' brasileira, Veranópolis, conta como ser longevo e feliz também fora de uma das zonas azuis
Envato
Veranópolis, no Rio Grande do Sul, é uma das Zonas Azuis do mundo, onde a pesquisa sobre longevidade saudável e felicidade tem sido realizada desde 1994, demonstrando que é possível viver bem mesmo fora dessas áreas específicas.
As conclusões apontam que a longevidade está relacionada a um estilo de vida que inclui paz de espírito, boas companhias, atividade social, propósito de vida e alimentação saudável, independentemente da localização geográfica.
Para promover esse 'estado de espírito da longevidade feliz', recomenda-se cultivar hábitos como atividade física regular, alimentação moderada e socialização durante as refeições, visando aumentar a qualidade de vida e a felicidade na velhice.
Veranópolis (RS) - “Doutor, é possível ser longevo saudável e feliz, mesmo sem morar numa área de longevidade, numa Zona Azul?” - as pessoas que me encontram, seguidamente, fazem essa pergunta. A minha resposta: é claro que sim!
Zonas Azuis ou "Blue Zones", em inglês, são localidades no mundo que se caracterizam por uma longevidade saudável, com qualidade de vida e felicidade. No Brasil, temos a localidade de Veranópolis, no Rio Grande do Sul, que preenche esses critérios, onde realizamos pesquisas desde 1994 (via Instituto Moriguchi).
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Após anos de pesquisa, chegamos a algumas conclusões importantes. O que caracteriza as regiões de longevidade no mundo são formas de viver ou o estado de espírito que os longevos cultivaram ao longo de suas vidas.
Esse “estado de espírito para longevidade feliz” já está publicado e pode ser resumido nas seguintes formas de viver - para qualquer um, em qualquer lugar:
- Vida leve - viver uma vida tranquila, em paz. Levar a vida sem ser a sério demais, gerando menos estresse no dia a dia.
- Boas companhias - viver em boa companhia com familiares e amigos.
- Vida social ativa - viver em círculo social de forma ativa; sempre em atividade, motivado por atividades em grupo de amigos, do seu trabalho, do seu bairro ou da sua igreja.
- Propósito de vida - viver o dia a dia com objetivos; desde coisas pequenas como cuidar de netos, trabalhar para uma causa voluntária, como nas igrejas ou grupos de trabalho voluntário, cuidar da horta ou de animais da sua criação.
- Senso de pertencimento - sentir-se pertencente a um grupo com valores semelhantes: pode ser desde uma religião (fé), uma atividade (trabalho, esporte ou lazer) ou uma ação voluntária (ajudar quem precisa).
- Atividade física regular: nunca ficar parado, sempre ter uma atividade física diária e contínua ao longo de toda a vida. Se for em grupo, melhor ainda!
- Alimentação orgânica ou "da terra”: os longevos das Zonas Azuis, independente da localidade ou da etnia, caracterizam-se por se alimentar com os produtos da terra, da sua localidade, sem processamento e com temperos naturais (mais baseada em produtos de origem vegetal). Nas grandes cidades, o grande segredo são os produtos orgânicos das feiras orgânicas.
- Comer de forma moderada: os longevos das Zonas Azuis caracterizam-se por comer sobriamente e cuidam para nunca se sentirem satisfeitos. Eles param de comer quando estão sentindo que queriam comer "mais um pouquinho". É o que em, Okinawa, no Japão, chamam de “hara hachi bunn”. Isso significa que o bom é comer 80% do que gostaria.
- Refeições em companhia: os longevos felizes caracterizam-se por tomarem as refeições com família ou em companhia de amigos, conversando e rindo, o que, sabidamente, melhora a digestão.
Essas formas de viver caracterizam o “estado de espírito da longevidade feliz” de várias localidades do mundo, independente da etnia, da localização, do clima ou do tipo de alimentação. Vamos cultivá-lo e teremos maiores chances de vivermos mais, melhor e sermos mais felizes no final da vida!
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