Endividamento das famílias sobe a 50,1% em agosto, novo recorde da série
Comprometimento da renda chega a 29%; juro médio do crédito livre avança a 49%, enquanto rotativo do cartão atinge 451,7% ao ano
Por Broadcast
29/10/2026 | 09h08Adobe Stock
O endividamento das famílias brasileiras com o sistema financeiro alcançou 50,1% da renda em agosto, um novo recorde, refletindo um aumento no comprometimento da renda e potencialmente impactando o consumo e a economia. O crescimento das dívidas ocorre em um cenário de alta nas taxas de juros, que também afeta a capacidade de pagamento das famílias.
As taxas de juros médias para operações de crédito livre subiram para 49% em setembro, com aumentos significativos nas taxas de cheque especial e crédito pessoal. A inadimplência entre pessoas físicas subiu ligeiramente, enquanto a inadimplência no crédito direcionado apresentou uma leve queda.
Brasília - O endividamento das famílias brasileiras com o sistema financeiro atingiu 50,1% da renda acumulada em 12 meses em agosto, novo recorde da série histórica do Banco Central (BC), ante 49,9% em julho. O indicador vinha oscilando entre 49,7% e 49,9% desde o início do ano.
Descontadas as dívidas imobiliárias, o endividamento passou de 30,9% para 31% no período. O comprometimento da renda das famílias com o Sistema Financeiro Nacional (SFN) também aumentou, de 28,8% em julho para 29% em agosto. Sem considerar os empréstimos imobiliários, o indicador avançou de 26,5% para 26,7%.
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Os dados divulgados pelo Banco Central nesta quinta-feira, 29, mostram também alta dos juros médios das operações de crédito livre em setembro, além de aumento da taxa do rotativo do cartão de crédito e crescimento dos estoques de financiamentos imobiliários e de veículos.
A taxa média de juros do crédito livre subiu de 48,5% em agosto para 49% em setembro. Em setembro de 2025, estava em 45,8%. Para pessoas físicas, a taxa avançou de 61,8% para 62,4%, enquanto para empresas passou de 24% para 24,4%.
Entre as modalidades destinadas às pessoas físicas, a taxa do cheque especial aumentou de 136,3% para 139%. O juro médio do crédito pessoal sem consignação subiu de 110,4% para 110,9%. Já a taxa do crédito pessoal consignado recuou de 29% para 28,5%, enquanto a do financiamento para aquisição de veículos caiu de 26,4% para 26,2%.
A taxa média do crédito total, que inclui operações livres e direcionadas, com recursos da poupança e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), avançou de 32,2% em agosto para 32,4% em setembro. Um ano antes, estava em 31,5%.
O Indicador de Custo de Crédito (ICC) passou de 24,2% para 24,3%. O índice mede o volume de juros pagos mensalmente por consumidores e empresas, em reais, considerando todo o estoque de operações de crédito dividido pelo próprio estoque. Na prática, reflete a taxa média efetivamente paga nas operações contratadas no passado e ainda em andamento.
Rotativo do cartão chega a 451,7% ao ano
O juro médio cobrado pelos bancos no rotativo do cartão de crédito subiu de 444,9% ao ano em agosto para 451,7% em setembro. Na modalidade parcelada, a taxa avançou de 192,1% para 193%.
Considerando conjuntamente as operações do rotativo e do parcelado, o juro médio total do cartão de crédito aumentou de 97,8% para 100,3%.
A legislação aprovada pelo Congresso estabeleceu que os juros e encargos do rotativo e do parcelado não podem ultrapassar 100% do valor principal da dívida. O limite passou a valer em janeiro de 2024.
As taxas divulgadas pelo BC podem sugerir que os bancos estejam descumprindo a regra, mas o resultado é estatístico. Para calcular as taxas anuais, a autoridade monetária extrapola para 12 meses os juros cobrados mensalmente pelas instituições financeiras. Essa taxa anualizada nem sempre é efetivamente paga pelos consumidores, que normalmente permanecem no rotativo por apenas alguns dias ou semanas.
O Banco Central não pretende interromper a divulgação da série histórica, utilizada como referência para acompanhar a velocidade de aumento ou redução dos juros e como um dos componentes do cálculo das taxas cobradas pelo sistema financeiro.
Inadimplência fica estável no crédito total
A taxa de inadimplência das operações de crédito livre permaneceu em 6,6% em setembro, no mesmo nível registrado em agosto. Entre as pessoas físicas, o indicador subiu de 8% para 8,1%, enquanto entre as empresas recuou de 4,3% para 4,2%.
No crédito direcionado, que inclui operações com recursos da poupança e do BNDES, a inadimplência caiu de 3% em agosto para 2,9% em setembro. Considerando o crédito total, que reúne as operações livres e direcionadas, a taxa permaneceu em 5%.
Crédito imobiliário e financiamento de veículos crescem
O estoque de crédito direcionado para habitação destinado às pessoas físicas cresceu 0,8% em setembro na comparação com agosto, alcançando R$ 1,443 trilhão. Em 12 meses, a expansão foi de 13,7%.
Já o estoque de crédito livre para aquisição de veículos por pessoas físicas avançou 0,4% no mês, para R$ 417,4 bilhões. Em 12 meses, o crescimento acumulado foi de 9,9%.
(Por Marianna Gualter e Célia Froufe)
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