O que fazer quando cair o 13º salário? Especialistas dão dicas
Quitar dívidas, formar reserva de emergência e se preparar para as despesas de início de ano estão entre as prioridades antes de gastar
Por Redação Viva
30/10/2026 | 08h20Adobe Stock
O 13º salário é uma oportunidade para os trabalhadores reorganizarem suas finanças, quitarem dívidas e se prepararem para o início do ano, com pagamentos previstos para até 18 de dezembro.
Economistas recomendam que os trabalhadores façam um diagnóstico financeiro, priorizando dívidas e despesas futuras, para evitar gastos impulsivos e garantir uma gestão adequada do recurso.
Medidas sugeridas incluem a separação do 13º em categorias específicas, como pagamento de dívidas, reservas para despesas de início de ano e uma quantia para lazer, além de enfatizar a importância de hábitos financeiros disciplinados para evitar novas dívidas.
São Paulo - O pagamento do 13º salário pode ser uma oportunidade para reorganizar as finanças, quitar dívidas e começar o próximo ano com mais tranquilidade. Antes de gastar o dinheiro, porém, vale fazer um diagnóstico financeiro. Economistas ouvidos pelo VIVA recomendam definir prioridades de acordo com renda, dívidas e objetivos.
A maioria dos trabalhadores recebe o 13º em duas parcelas: a primeira deve ser paga até 30 de novembro e a segunda até 20 de dezembro. Neste ano, como a data cai em um domingo, o pagamento deve ser feito até 18 de dezembro.
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Um erro comum, quando o 13º cai na conta, é tratá-lo como dinheiro “extra” e gastá-lo sem planejamento. Muitos comprometem o valor antes mesmo de recebê-lo, com compras parceladas de fim de ano ou antecipação do benefício com juros. “Esquecem que a última parcela vem com descontos de INSS e Imposto de Renda e, por isso, é menor”, alerta o economista e professor da FGV-SP, Renan Pieri.
Onde gastar o 13º?
Segundo o economista e contador Sandro Prado, o primeiro passo é calcular quanto irá receber, quanto tem de dívida e quais são os compromissos dos próximos meses. A partir daí, fica mais fácil estabelecer uma ordem de prioridades.
Evite que o aumento temporário de dinheiro seja acompanhado por um aumento permanente das despesas.
Sandro Prado, economista e contador
Ele recomenda transformar o 13º em um plano financeiro para os próximos meses. O primeiro passo é calcular o valor líquido das duas parcelas. Depois, listar as dívidas e as possibilidades de negociação, avaliando se é possível quitá-las ou amortizá-las. “O ideal é regularizar as dívidas mais urgentes, reservar dinheiro para as despesas do início do ano e manter uma quantia disponível para imprevistos”, recomenda.
Além disso, o início do ano costuma concentrar despesas como IPTU, IPVA, mensalidades e matrículas escolares, além das parcelas das compras de Natal e eventuais gastos com viagens de férias, lembra o economista e CEO da Lifen Brasil, Tiago Monteiro. Por isso, reservar uma parte do pagamento para essas contas pode ser uma escolha prudente.
Para Pieri, é importante decidir o destino de cada real antes de o dinheiro cair na conta. A sugestão é separar o 13º em blocos com função definida: dívidas caras, despesas de início de ano, reserva de emergência e uma parte menor para consumo planejado.
Isto feito, o 13º salário pode bancar momentos de prazer: tirar uma viagem do papel ou realizar algum item da lista de desejos, estabelecendo um limite prévio de gastos para tal.
Confira as dicas
- Planeje antes de gastar
- Reserve dinheiro para janeiro
- Não abra mão da reserva de emergência
- Evite novas dívidas no fim do ano
- Defina o destino do dinheiro antecipadamente
- Controle os gastos recorrentes
- Separe uma parte para o lazer
Quando vale a pena pagar as dívidas
Para quem está endividado, pode haver um impulso de usar o 13º para quitar pendências, mas os especialistas alertam que nem sempre essa é a melhor saída.
O primeiro passo é avaliar todas as dívidas. Comece anotando as pendências e identificando saldo atualizado, juros, parcelas vencidas, condições de negociação e as consequências de não pagar. Em seguida, organize-se para colocar em dia despesas essenciais atrasadas, como energia, alimentação e aluguel.
Depois, tente negociar as dívidas de juros mais elevados antes de quitar o saldo remanescente. As dívidas com juros mais baixos devem ficar por último. Prado reforça que é importante não comprometer toda a renda com os acordos.
Pieri concorda: “Foque nas dívidas cujo atraso traz consequências graves além dos juros, como aluguel, prestação da casa, serviços essenciais e pensão alimentícia. Depois, pague da mais cara para a mais barata, comparando o custo efetivo total: rotativo do cartão de crédito e cheque especial devem vir antes. Consignado e financiamentos com garantia podem vir por último.”
Pagar à vista só com desconto significativo
Os especialistas também concordam que negociar à vista pode ser vantajoso quando o credor oferece redução significativa do valor devido e o pagamento não compromete as necessidades básicas nem deixa a família sem recursos para emergências. “Dívida com juros elevados deve ser quitada antes de pensar em alguma aplicação financeira, porque nenhuma aplicação segura rende o que esses juros custam”, adverte Pieri.
Os economistas ressaltam que, apesar de todos esses esforços serem bem-vindos, os consumidores devem sempre ajustar seu comportamento financeiro e adotar hábitos mais disciplinados de gastos, para que não voltem a ficar endividados.
(Por Vitória Prates, especial para o VIVA)
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