CONFIRA

Perfil do investidor brasileiro está mais ‘prateado’ e busca diversificação, aponta B3

Levantamento mostra crescimento do investidor pessoa física acima de 40 anos na bolsa brasileira. Faixa etária também concentra maior valor investido

Fabiana Holtz

Por Fabiana Holtz

08/08/2025 | 15h42

Adobe Stock

Levantamento mostra que homens ainda predominam entre investidores, mas as mulheres ingressam com um valor maior - Adobe Stock
Levantamento mostra que homens ainda predominam entre investidores, mas as mulheres ingressam com um valor maior
Ouvir texto 2:27 1x

São Paulo, 08/08/2025 – Um raio-x do perfil do investidor brasileiro divulgado recentemente pela bolsa de valores, a B3, dá sinais de maior alcance na população da faixa etária acima de 40 anos no segmento de renda variável.

De acordo com análise sobre a evolução dos investidores traçada pela B3, entre 2021 e 2025, o número de investidores (pessoa física)  em renda variável passou de 4,2 milhões para 5,4 milhões. Hoje, esse grupo soma R$ 588,3 bilhões de valor em custódia. No segundo trimestre do ano passado o total de investidores nesse segmento era de 5,3 milhões, com R$ 552,3 bilhões em custódia.

No total de investidores em renda fixa houve um salto de 20% no número em relação ao segundo trimestre do ano passado, para 100,2 milhões de pessoas. Nessse mesmo período, o valor em custódia desses investidores subiu de R$ 2,3 trilhões para R$ 2, 8 trilhões.

Publicidade

Do total de investidores no universo de renda variável, o número de integrantes da faixa etária entre 40 e 59 anos avançou de 26% para 28% nos últimos cinco anos, enquanto a participação dos mais novos, entre 25 e 39 anos, diminuiu de 50% para 48%.

Já entre os investidores acima de 60 anos, a participação recuou de 8% para 7%, enquanto entre os mais jovens de 19 a 24 anos, foi registrado um leve crescimento, de 13% para 14% no comparativo dos últimos cinco anos.

Leia também: Equilibrar as finanças é motivo de estresse para mais da metade dos brasileiros

Publicidade

No recorte por gênero, o número de homens (74%) que investem em ações é historicamente maior que o número de mulheres (26%) e se manteve estável. Por outro lado, as mulheres apresentaram valor mediano maior no primeiro investimento, de R$ 621, contra R$ 201 dos homens. Com relação a diversificação dos investimentos, no entanto, se contatou que as mulheres diversificaram menos.

Ainda dentro da análise por gênero, curiosamente há proporcionalmente mais investidoras acima de 60 anos em relação a homens na mesma faixa etária, sendo que elas superam os homens por três pontos percentuais. Por outro lado, há mais investidores com até 24 anos (18%) do que investidoras na mesma faixa etária (11%).

Investindo de olho na aposentadoria

Em relação ao segundo trimestre do ano passado, a B3 aponta que o número de investidores no Tesouro Direto saltou 14%, somando 3 milhões de pessoas. Visto por alguns como opção a Poupança, esse ativo concentra R$ 169,9 bilhões em investimentos, indicando alta de 24% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Publicidade

Leia também: Investidor acima dos 60 é quem aplica mais dinheiro no Tesouro Educa+

Na análise por tipo de investimento, no perfil dos que investem no Tesouro Renda+, título público do Tesouro Direto criado para complementar a aposentadoria dos brasileiros, 47% são da faixa etária entre 25 e 39 anos – o equivalente a 150,6 mil investidores, com aporte médio de R$ 72,30 por CPF.

A faixa entre 40 e 59 anos vem em segundo lugar, representando 33% dos investidores (105,8 mil) e concentrando R$ 674,00 do estoque investido.

Publicidade

Embora tenha menor representatividade, o grupo acima de 60 anos (com apenas 9,8 mil investidores) se encontra a faixa etária com o maior estoque médio por investidor: de R$ 4,5 mil.

No recorte por gênero, as mulheres são as principais investidoras nesse produto, representando 71%. Por região, o Sudeste lidera com folga, com 57% dos investidores, seguido pelo Nordeste, com 16%.

Entre os que optaram por investir no Tesouro Educa+,  41% dos investidores têm idade entre 40 e 59 anos, reunindo um grupo de 64,8 mil pessoas com saldo médio por investidor de R$ 8,5 mil. Lançado em 2023, esse título público do Tesouro Direto tem por objetivo ajudar no planejamento do futuro educacional dos filhos ou netos.

Publicidade

A faixa de 25 a 39 anos também demonstra bastante interesse pelo Tesouro Educa+, sendo que esse grupo representa 40% dos investidores (64 mil pessoas). Seu estoque médio por investidor, porém, é menor, de R$ 2,8 mil.

Aqui os investidores com mais de 60 anos também concentram o maior saldo médio por investidor, de R$ 32,3 mil, embora sejam um grupo menor, de apenas 10,3 mil investidores.

No recorte por gênero, as mulheres também dominam na procura por esse produto, representando 64% dos investidores. Por região, o Sudeste segue na liderança, com 61%, seguido pelo Sul, com 16%.

Publicidade

Diversificação da carteira

Com relação a diversificação nos investimentos, os números da B3 mostram que os brasileiros estão começando a entender melhor as regras do jogo. Enquanto por um lado o número de investidores  em ações e em Fundos de Investimento Imobiliário (FIIs) avançou de 16% em 2021 para 24% em 2025, o grupo dos que preferem aplicar somente em ações diminuiu de 35% para 32% no mesmo período. 

Já a fatia de investidores que diversifica entre ações, FIIs e fundos de índice (ETFs na sigla em inglês), registrou leve queda de 4% para 3% no período. Entretanto, no segundo semestre do ano passado esse perfil representava apenas 2% dos investidores.

No quesito valor investido, conhecido também como saldo em custódia, o levantamento da B3 mostra estabilidade tanto por faixa etária como por gênero. Porém, vale pontuar aqui que, em geral, o saldo em custódia é maior em pessoas com mais de 40 anos para ambos os sexos.

Leia também: Geração prateada deve movimentar R$ 3,8 trilhões em 2044

Comentários

Política de comentários

Este espaço visa ampliar o debate sobre o assunto abordado na notícia, democrática e respeitosamente. Não são aceitos comentários anônimos nem que firam leis e princípios éticos e morais ou que promovam atividades ilícitas ou criminosas. Assim, comentários caluniosos, difamatórios, preconceituosos, ofensivos, agressivos, que usam palavras de baixo calão, incitam a violência, exprimam discurso de ódio ou contenham links são sumariamente deletados.