Eleição em Israel impõe revés a Netanyahu, mas não define vencedor
Boca de urna aponta empate entre blocos rivais e abre caminho para semanas de negociações por uma coalizão; impasse pode levar a novas eleições
Por Broadcast
28/10/2026 | 08h00The Prime Minister of Israel/Divulgação
Os eleitores israelenses causaram um revés ao primeiro-ministro Benjamin Netanyahu nas eleições, com resultados que indicam um empate entre seu bloco e o de Gadi Eisenkot, levando a possíveis negociações prolongadas para a formação de um governo ou a novas eleições.
Pesquisas mostram que ambos os blocos possuem cerca de 51 cadeiras no Knesset, enquanto partidos árabes somam aproximadamente 18 assentos, refletindo a insatisfação com a aliança de Netanyahu com a extrema-direita e as isenções do serviço militar para judeus ultraortodoxos.
Netanyahu defendeu a formação de um governo forte e atacou os partidos árabes, enquanto Eisenkot prometeu formar um novo governo, destacando a falta de confiança em Netanyahu; a participação eleitoral foi a maior desde 1999, e novas eleições podem ser convocadas em 2027 se não houver acordo para uma coalizão.
Tel-Aviv — Os eleitores israelenses impuseram um revés ao primeiro-ministro Benjamin Netanyahu na eleição de terça-feira, mas as pesquisas de boca de urna indicaram que não há um vencedor claro. O resultado pode levar o país a semanas de negociações para formar um governo ou até a uma nova eleição.
Segundo pesquisas divulgadas na madrugada desta quarta-feira por grandes emissoras israelenses, o bloco de Netanyahu e o de seu principal rival, o ex-chefe militar Gadi Eisenkot, ficaram praticamente empatados, com cerca de 51 cadeiras cada no próximo Knesset. Os partidos árabes somariam aproximadamente 18 assentos. O Parlamento israelense tem 120 cadeiras.
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Se confirmado, o resultado sugere que os adversários de Netanyahu teriam uma maioria numérica, mas sem garantia de conseguir formar uma coalizão viável. Uma das alternativas seria Eisenkot buscar apoio de partidos liderados por árabes, uma possibilidade politicamente sensível que poderia afastar setores da oposição.
Embora o Likud, partido de Netanyahu, apareça como a maior legenda individual, as pesquisas indicam uma redução da base parlamentar do primeiro-ministro. O cenário reflete a insatisfação com sua aliança com a extrema-direita e a indignação com as isenções do serviço militar concedidas a judeus ultraortodoxos.
Em discurso desafiador a apoiadores na madrugada desta quarta-feira, Netanyahu defendeu a formação de um “governo forte, de direita e nacionalista” e atacou os partidos árabes, alertando contra qualquer administração que dependa deles.
Antes da votação, o primeiro-ministro já havia afirmado que os partidos árabes poderiam “fazer ou desfazer” a eleição. Também alegou que essas legendas estavam recebendo “apoio realmente massivo” e que seus eleitores compareceriam às urnas em números “sem precedentes”.
Eisenkot, por sua vez, afirmou que o resultado eleitoral demonstra “falta de confiança” em Netanyahu e prometeu formar um novo governo, falando em “uma nova era de esperança”.
O ex-chefe militar também advertiu Netanyahu, que permanece como primeiro-ministro interino, contra o uso da segurança nacional para fins políticos. A declaração fez referência a relatos de que o premiê teria considerado atacar o Irã durante o período sensível que antecedeu a eleição.
A participação eleitoral superou 77%, a maior desde 1999, segundo o Comitê Central de Eleições.
Pelas regras do sistema parlamentar israelense, o presidente do país deve encarregar o líder com melhores chances de obter apoio majoritário de negociar a formação de uma coalizão. Se nenhum candidato conseguir reunir uma maioria, novas eleições poderão ser convocadas já no início de 2027, repetindo os impasses políticos registrados em ciclos recentes.
A votação foi a primeira eleição nacional desde o ataque liderado pelo Hamas em 7 de outubro de 2023 e foi tratada como um plebiscito sobre o longo período de Netanyahu no poder, em meio às guerras e à polarização interna.
Fonte: Associated Press
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