Artrite reumatoide: dor nas mãos ao usar celular pode ser sinal de alerta
Envato
São Paulo, 30/01/2026 – Dores persistentes nas mãos e dificuldade para digitar podem indicar artrite reumatoide. Trata-se de uma doença autoimune crônica que afeta as articulações e pode estar relacionada ao uso de celulares, computadores e notebooks que fazem parte da rotina de trabalho, lazer e comunicação de grande parte da população.
Essa doença pode comprometer diretamente o uso de dispositivos eletrônicos, interferindo na produtividade e na qualidade de vida. Entender os sinais, buscar diagnóstico precoce e adaptar o uso da tecnologia são passos essenciais para reduzir impactos no dia a dia.
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O que é artrite reumatoide?
A artrite reumatoide é uma doença inflamatória autoimune em que o próprio sistema imunológico passa a atacar o tecido que reveste as articulações. Com o tempo, esse processo provoca dor, inchaço, rigidez e pode levar à deformidade articular e perda de função.
Segundo o Manual MSD, ela afeta cerca de 0,5% da população mundial e ocorre com mais frequência em mulheres, embora costume surgir entre os 35 e 50 anos, pode aparecer em qualquer fase da vida.
Os sinais mais comuns incluem dor e rigidez nas articulações, especialmente nas mãos, punhos, pés e dedos. Um dos alertas clássicos é a rigidez matinal que dura mais de uma hora ou que surge após períodos de inatividade.
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Além das articulações, a artrite reumatoide pode provocar cansaço intenso, fraqueza, febre baixa, perda de apetite e emagrecimento. Em quadros mais avançados, pode atingir outros órgãos, como pulmões, coração, vasos sanguíneos e olhos.
Por que a doença dificulta o uso de celulares e computadores?
As mãos estão entre as regiões mais afetadas pela artrite reumatoide. Inflamação, inchaço e dor nos dedos e punhos tornam tarefas simples, como digitar, clicar com o mouse ou segurar um smartphone, desconfortáveis ou até inviáveis, principalmente durante as chamadas crises da doença. Segurar o celular por muito tempo e o uso repetitivo do teclado pode agravar a dor nos dedos e punhos.
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Em alguns casos, a inflamação pode comprimir nervos, levando à síndrome do túnel do carpo, com dormência e formigamento. A intensidade dos sintomas varia ao longo do tempo, o que faz com que soluções funcionem em um dia e não no outro.
Diagnóstico
O diagnóstico da artrite reumatoide é baseado na combinação de sintomas, exames de sangue e exames de imagem.
Entre os testes mais utilizados estão a dosagem do fator reumatoide, dos anticorpos anti-CCP, proteína C-reativa e a velocidade de hemossedimentação, além de radiografias, ultrassom ou ressonância magnética das articulações.
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O reconhecimento precoce é fundamental para iniciar o tratamento e evitar danos permanentes às articulações.
Tratamento
O tratamento envolve medicamentos que reduzem a inflamação e controlam a progressão da doença, além de fisioterapia, exercícios orientados e, em alguns casos, cirurgia.
Medidas de estilo de vida também fazem diferença, como manter uma alimentação equilibrada, controlar o peso, dormir bem e abandonar o tabagismo.
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O repouso das articulações inflamadas durante crises ajuda a aliviar a dor, mas o movimento orientado é importante para preservar a mobilidade.
O que pode ajudar no uso da tecnologia?
Segundo o National Rheumatoid Arthritis Society, além de mouses e teclados adaptados, ajustes simples no modo de usar a tecnologia podem reduzir a dor e prevenir crises mais intensas da artrite reumatoide.
1. Ajustes de acessibilidade nos aparelhos
Celulares, tablets e computadores oferecem recursos pouco explorados que ajudam a diminuir o esforço das mãos.
Aumentar o tamanho da fonte reduz a necessidade de movimentos precisos dos dedos. Ativar o toque assistido, o clique automático ou a sensibilidade ajustável da tela evita pressão excessiva ao tocar, ou deslizar.
2. Uso de voz no lugar da digitação
Ferramentas de ditado por voz permitem escrever mensagens, e-mails e textos longos sem usar o teclado.
Assistentes virtuais também executam comandos simples, como abrir aplicativos, definir lembretes ou fazer buscas, poupando articulações doloridas.
3. Pausas programadas
O uso contínuo do computador agrava a inflamação. Estabelecer pausas regulares, mesmo que curtas, ajuda a reduzir a rigidez e a dor. Alongar dedos, punhos e braços durante esses intervalos melhora a circulação e evita sobrecarga.
4. Postura faz diferença
Manter os antebraços apoiados, os punhos alinhados e a tela na altura dos olhos reduz a tensão não só nas mãos, mas também nos ombros e no pescoço, regiões frequentemente afetadas pela artrite reumatoide. Cadeiras ajustáveis e mesas na altura correta ajudam a distribuir melhor o esforço.
5. Personalização do teclado e do mouse
Reduzir a velocidade de repetição das teclas, ajustar a sensibilidade do mouse e personalizar atalhos diminui movimentos repetitivos.
Em alguns casos, dividir tarefas entre as duas mãos, em vez de concentrar tudo em uma só, alivia a sobrecarga.
6. Preferir toques leves e movimentos curtos
Evitar gestos amplos ou força excessiva ao clicar e deslizar ajuda a preservar as articulações. Sempre que possível, vale optar por comandos simples, botões maiores e interfaces mais limpas.
7. Alternar dispositivos ao longo do dia
Ficar muito tempo em um único aparelho pode agravar os sintomas. Alternar entre computador, tablet e celular, respeitando limites individuais, evita esforço repetitivo nas mesmas articulações.
8. Acessórios de apoio
Capas com alça, suportes articulados para celular e tablets inclináveis permitem o uso sem necessidade de segurar o aparelho. Isso reduz a pressão nos dedos e melhora o conforto em tarefas prolongadas.
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Com diagnóstico adequado e pequenas adaptações, a tecnologia deixa de ser um fator de dor e passa a ser uma aliada na rotina.
Ajustar ferramentas, respeitar os limites do corpo e buscar soluções personalizadas ajuda pessoas com artrite reumatoide a manter autonomia, produtividade e qualidade de vida, mesmo diante das limitações impostas pela doença.
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Cada pessoa com artrite reumatoide apresenta um padrão diferente de sintomas, o que funciona para uma pode não funcionar para outra.
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