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Brasileiro 50+ usa plano de saúde como 'bem de consumo', diz MedSênior

Felipe Cavalheiro/VIVA

Cristiano Nascimento destaca que o valor do plano estimula um comportamento de "fazer valer a pena" por parte dos consumidores - Felipe Cavalheiro/VIVA
Cristiano Nascimento destaca que o valor do plano estimula um comportamento de "fazer valer a pena" por parte dos consumidores
Por Emanuele Almeida

14/08/2026 | 13h59

São Paulo - Frente ao envelhecimento exponencial da população brasileira acima dos 60 anos e ao aumento na contratação de planos de saúde, o médico e superintendente nacional de práticas assistenciais da MedSênior, Cristiano Nascimento reforça que o brasileiro ainda encara a assistência médica privada como um bem de consumo. 

Em dezembro de 2025, o setor de saúde suplementar no Brasil registrou um crescimento de 1,9% no número de beneficiários de planos de assistência médica em 2025, alcançando a marca histórica de 53,18 milhões de clientes em dezembro. 

Contudo, diante da necessidade de ter uma assistência médica garantida, Nascimento destaca que o brasileiro tende a consumir os serviços oferecidos de forma desordenada, não preventiva ou até mesmo esperando estar com casos graves para usar os serviços. O superintedente comentou esse comportamento durante o Maturifest 2026, em São Paulo. 

O brasileiro encara a saúde como uma coisa que ele gasta e como algo que ele deve usar, o que não está errado, mas deve ser feito de uma maneira consciente, para promover a saúde e não esperar o último momento para ir ao médico", elenca.

Ele lembra que o valor médio de um plano de saúde no Brasil para o público 50+ já chega perto ou ultrapassa o salário mínimo, fator esse que estimula um comportamento de "fazer valer a pena" o dinheiro investido dentro de um plano de saúde. 

"Ele [o brasileiro] não precisa realizar todos os exames disponíveis no plano de saúde para acompanhar a situação da sua saúde, alguns podem até prejudicar a situação deles. Por outro lado, há aqueles que não consideram fazer nenhum", destaca Nascimento. 

Falta de tradição 

Um ponto de destaque para o superintendente da MedSênior é a falta de um "médico da vida" do paciente, costume que alguns tinham antigamente de ter um médico de preferência que sempre realizava consultas períodicas. 

"Antes as pessoas tinham aquele médico de preferência, o médico de família, com o qual elas mantinham uma relação e acompanhavam frequentemente", relembra o médico. 

Atendimento ao idoso

Recentemente, o Conselho Nacional de Secretários de Saúde (Conass) em parceria com o Institute for Healthcare Improvement (IHI) vai implementar abordagens baseadas nos Age-Friendly Health Systems ou Sistemas de Saúde Amigáveis às Pessoas Idosas no Sistema Único de Saúde (SUS) no decorrer de 2026 e 2027, visando estabelecer um novo padrão de atendimento aos idosos no sistema público. 

Sobre esse tema, Nascimento destaca que o público 50+ é um grupo que aceita mais indicações para a prevenção da saúde. "Hoje ninguém pensa em prevenir, mas esse grupo tem uma abertura maior para as sugestões médicas em comparação com os outros". 

Dessa forma, ele complementa que, com um apoio médico integral que direcione para a prevenção ou tratamento complementar, tanto o setor público quanto o privado consegue agir de melhor maneira para promover o bem-estar para os idosos. 

Além disso, para ele a tecnologia tem um papel importante nessa relação:

Quando usamos dispositivos que conseguem analisar os dados de saúde desse paciente e dar insumo ao plano de saúde para ajudar no tratamento, assim como conseguirmos passar informação de qualidade para que esse grupo consiga usar essa tecnologia nós construíremos um futuro da saúde muito melhor."

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