CONFIRA

Troca de semaglutida em caneta para comprimido é segura, mostra novo estudo

Novos dados da farmacêutica Novo Nordisk mostram que semaglutida oral oferece perda média de 4 kg mesmo após uso contínuo de canetas injetáveis

Bianca Bibiano

Por Bianca Bibiano

30/09/2026 | 16h06

Bianca Bibiano/VIVA

Medicamento Wegovy na versão comprimido se mostra promissor, mas ainda não é comercializado no Brasil - Bianca Bibiano/VIVA
Medicamento Wegovy na versão comprimido se mostra promissor, mas ainda não é comercializado no Brasil
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A Novo Nordisk apresentou dados de um estudo com semaglutida em comprimido, revelando que pacientes que trocaram a versão injetável pela oral perderam em média 4,1% do peso corporal em três meses, o que pode impactar positivamente o tratamento da obesidade.

O estudo, que envolveu 194 participantes nos Estados Unidos, demonstrou que 75% dos usuários estavam satisfeitos com a nova forma do medicamento, evidenciando uma adesão de 86,7% ao tratamento diário, superior à versão injetável disponível no Brasil.

A versão em comprimido ainda não foi aprovada no Brasil, mas a Novo Nordisk protocolou o pedido à Anvisa em janeiro. Países como EUA e Reino Unido já comercializam o produto, que promete oferecer uma alternativa viável para pacientes que preferem evitar injeções.

Resumo gerado por IA

Milão - A empresa dinamarquesa Novo Nordisk divulgou hoje dados inéditos de um estudo com semaglutida em comprimido mostrando que pacientes que trocaram a versão injetável pela via oral do medicamento perderam em média 4,1% do peso corporal após três meses de uso.

O estudo considerou 194 pessoas nos Estados Unidos, país onde a versão em comprimido foi aprovada em janeiro, e mostrou que o peso médio perdido em três meses foi de 4 quilos.

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O estudo, chamado OCTANE, foi apresentado durante uma breve sessão oral na Reunião Anual da Associação Europeia para o Estudo do Diabetes (EASD 2026) em Milão, na Itália, e teve grande expectativa tanto da classe médica quanto da empresa dinamarquesa pelo potencial de uso contínuo entre pacientes com obesidade.

Atualmente, o Wegovy em comprimido não está disponível no Brasil e aguarda aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O pedido de autorização foi protocolado pela Novo em janeiro deste ano. Países como EUA, Emirados Árabes Unidos, Reino Unido e Alemanha já comercializam a versão em farmácias.

Troca para versão oral é segura

De acordo com a endocrinologista e metabologista Tassiane Alvarenga, da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM), que acompanhou o evento, o estudo quebrou barreiras:

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Ele mostra que a troca da versão injetável para o comprimido é segura e não leva ao reganho de peso.
Tassiane Alvarenga

Segundo a médica, o estudo anterior divulgado pela empresa dinamarquesa em 2025 já havia mostrado que pacientes que começavam o tratamento diretamente com os comprimidos tinham perda média de 17% no peso, comparável aos injetáveis. "Mas esse é o primeiro estudo que mostra que a troca de um tipo pelo outro mantém os benefícios", complementa.

Outro destaque do estudo foi o nível de satisfação dos pacientes. "A pesquisa indica que 75% dos usuários dessa nova versão ficaram satisfeitos e 86,7% tiveram alta adesão, mantendo o uso diário. Na versão atual disponível no Brasil, o índice de adesão cai muito após três meses de uso."

Alvarenga acredita que os resultados irão encorajar os pacientes tanto na fase de perda mais intensiva de peso quanto na fase de manutenção, quando muitos usuários da caneta acabam abandonando o tratamento.

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Como foi feita a pesquisa com Wegovy comprimido

A pesquisa considerou pacientes americanos que usaram canetas injetáveis para controle de obesidade por cinco meses e optaram por fazer a troca para a nova versão quando ela foi aprovada nos EUA.

A análise representa a primeira de uma colaboração previamente anunciada entre a plataforma de telessaúde americana Ro e a Novo para examinar os resultados de mundo real em utilizadores de medicamentos para perda de peso.

Segundo a companhia, trata-se de uma das primeiras evidências de mundo real a descrever a perda de peso e outros desfechos da experiência em pessoas que mudaram de terapia injetável para perda de peso para semaglutida oral.

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Os dados divulgados mostram que a proporção de pacientes com Índice de Massa Corpórea (IMC) acima de 30 caiu de 87,1% no início do estudo para 65,5% aos três meses.

"Inovamos para ir ao encontro das pessoas com obesidade onde quer que estejam. Algumas pessoas podem optar por mudar de injetável para comprimido, seja por ansiedade em relação a agulhas, estilo de vida ou simplesmente preferência pessoal", disse Martin Holst Lange, vice-presidente executivo, chefe de Pesquisa e Desenvolvimento e diretor científico da Novo.

A Novo informou que o estudo tem limitações, incluindo tempo e abrangência variáveis na recolha de dados durante o atendimento de rotina em telessaúde; dados autorrelatados estarem sujeitos a viés; a exigência de persistência no tratamento poder resultar em viés de seleção; e os resultados não serem generalizáveis para a população em geral.

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"Na prática clínica, vemos pacientes que respondem bem à terapia injetável à base de GLP-1, mas que, por razões pessoais ou práticas, desejam experimentar uma opção oral", disse Louis J. Aronne, Diretor do Comprehensive Weight Control Center na Weill Cornell Medicine e coautor do estudo. 

"O que os dados do OCTANE demonstraram é que a mudança para a semaglutida oral pode ser um caminho viável para o paciente certo, com perda de peso real e melhorias no estilo de vida nos primeiros três meses", complementou, observando que a semaglutida oral ajudou muitos participantes a atingirem um IMC abaixo do limiar clínico da obesidade.

São perspectivas iniciais entusiasmantes sobre como o comprimido pode individualizar os cuidados na obesidade, e aguardamos com expectativa os resultados a longo prazo.
Louis J. Aronne

Comprimidos de Wegovy também têm restrições

A  empresa também alerta que os comprimidos de semaglutida 25 mg contêm um aviso em caixa similar à versão injetável de 2,4 mg relativo a possíveis tumores da tiroide, incluindo câncer, e não devem ser utilizados em pessoas com histórico pessoal ou familiar de carcinoma medular da tiroide ou síndrome de Neoplasia Endócrina Múltipla tipo 2. 

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Os efeitos secundários mais comuns incluem náuseas, diarreia, vômitos, obstipação, dor abdominal, alterações na sensibilidade da pele, dor de cabeça, cansaço (fadiga), indisposição estomacal, tonturas, sensação de inchaço, eructação (arrotos), hipoglicemia em pessoas com diabetes tipo 2, gases, gastroenterite, azia e queda de cabelo.

(A jornalista viajou ao evento a convite da Novo Nordisk)

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