Burnout do cuidador: entenda o que é e como identificar os sinais de alerta
Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
26/01/2026 | 09h01
São Paulo, 24/01/2026 - O burnout, conhecido como síndrome do esgotamento profissional, é geralmente associado a profissões de alta pressão, mas também atinge cuidadores de idosos, tanto profissionais quanto familiares. Segundo dados do Ministério da Previdência Social (MPS), houve um crescimento de 493% nos afastamentos devido à síndrome entre 2021 e 2024.
O Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) concedeu 472,3 mil auxílios-doença relacionados a questões de saúde mental, como depressão, ansiedade e outras síndromes em 2024, de um total de 3,6 milhões de afastamentos.
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Nos primeiros seis meses de 2025, os transtornos mentais já correspondiam a mais de 271 mil afastamentos, sendo registrados 3.494 casos de burnout, representando 71,6% do total de afastamentos observados durante o ano de 2024.
O que é o burnout do cuidador
A condição resulta da sobrecarga de trabalho, da pressão emocional e do ambiente de cuidado contínuo, fatores que levam à exaustão física e mental. No caso dos cuidadores familiares, o risco é ainda maior devido à dedicação intensa, às longas horas de atenção e ao envolvimento afetivo com o idoso, que podem provocar estresse constante, explica Denise Abreu, especialista em saúde mental e atenção psicossocial e autora do livro “Tudo Que Aprendi Cuidando”.
“É uma carga excessiva, muito grande, de horas de dedicação aos cuidados com alguém da sua família. Muitas vezes, sofrendo abusos verbais e, devido à evolução da doença de Alzheimer, por exemplo, esses abusos podem ser até físicos.”
Sintomas que exigem atenção
Segundo Denise Abreu, alguns principais sinais de burnout em cuidadores são:
- Cansaço extremo e falta de energia.
- Irritabilidade e mudanças de humor.
- Dificuldade de concentração e perda de foco.
- Insônia ou sono não reparador.
- Dores musculares e tensão constante.
A especialista diz que esses sintomas podem parecer comuns, mas merecem atenção quando começam a interferir na rotina diária e no bem-estar emocional, e destaca que muitos cuidadores só percebem a gravidade do esgotamento quando já estão em um "nível avançado de exaustão".
“O burnout é resultado de um ambiente profissional nocivo, onde a pessoa pode sofrer abusos ou sentir que está sofrendo abusos com uma carga excessiva de trabalho”.
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Segundo a especialista, sinais de alerta como excesso de horas de trabalho, crises de ansiedade, irritabilidade constante e cansaço físico e mental são frequentemente ignorados no dia a dia, o que pode levar a um quadro grave de desgaste emocional.
Quando buscar ajuda
Denise Abreu indica procurar ajuda profissional quando:
- O cansaço e o estresse se tornam permanentes;
- Há queda de desempenho nas atividades de cuidado;
- As relações familiares e sociais passam a ser afetadas;
- O cuidador sente falta de prazer ou motivação nas tarefas.
Nesses casos, o ideal é buscar orientação de um psicólogo ou psiquiatra, que poderá:
- Avaliar o histórico emocional e físico do cuidador;
- Confirmar o diagnóstico de burnout, se necessário;
- Indicar o tratamento adequado, que pode incluir terapia, medicação e mudanças na rotina para melhorar a qualidade de vida.
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