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Canetas emagrecedoras causam queda de cabelo? Médico explica relação

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Segundo especialista, a baixa ingestão de calorias contribui para a queda de cabelos - AdobeStock
Segundo especialista, a baixa ingestão de calorias contribui para a queda de cabelos
Por Bianca Bibiano

13/08/2026 | 18h26 ● Atualizado | 18h46

São Paulo - A redução no volume dos cabelos é um dos sintomas mais mencionados entre pessoas que fazem uso de medicamentos como a semaglutida e a tirzepatida, chamados de "canetas emagrecedoras”. Segundo o médico e presidente da Sociedade Brasileira de Tricologia, Luciano Barsanti, oito em cada dez pacientes chegam ao consultório relatando queda intensa ou afinamento dos fios.

Ele afirma que estudos recentes e a prática clínica indicam que a medicação em si não prejudica o cabelo. “A tirzepatida não é a responsável direta pela perda expressiva dos cabelos”, observa. O vilão é o estresse que acontece devido à baixa ingestão de alimentos, diz o médico:

“O estresse calórico funciona como um gatilho para a alopecia androgenética (calvície) tanto no homem quanto na mulher”.

Queda drástica de cabelo após uso de medicamentos

Barsanti explica que a queda drástica (eflúvio telógeno) ocorre devido a uma situação metabólica chamada de estresse calórico, que se origina da baixa ingestão de calorias. “As células do bulbo capilar, a ‘fábrica’ do cabelo, se multiplicam muito rapidamente e necessitam de um suprimento calórico importante”.

O organismo, ao detectar a redução drástica de energia, entra em modo de sobrevivência. “O corpo entende que está passando fome. O ciclo capilar é uma das estruturas mais frágeis e dispensáveis, então ele simplesmente para”, exemplifica.

Estudos mostram relação entre medicamentos e queda de cabelo

Nesse sentido, o médico cita um estudo conduzido pela Universidade George Washington, nos Estados Unidos, que analisou prontuários de quase 550 mil pacientes e identificou um risco significativamente maior de queda capilar entre usuários de agonistas de GLP-1 em comparação com outras classes de medicamentos para diabetes.

Menciona também outra pesquisa, publicada na revista médica British Medical Journal (BMJ) pela Universidade da Pensilvânia, que analisou 50 mil pacientes, mostrando que há um risco real associado ao eflúvio telógeno, que é uma condição temporária.

O cabelo pode voltar a crescer?

O especialista afirma que a queda é sim reversível. “Com o tratamento especializado e um acompanhamento adequado do paciente, a recuperação dos cabelos é total, mesmo com a continuidade do tratamento com as canetas”.

Ele acrescenta que casos em que há equilíbrio nutricional, a deficiência de alguns nutrientes, como ferro, e baixa ingestão de proteínas representam maior risco para queda de cabelo durante o tratamento. Por isso, a indicação do médico é buscar o emagrecimento gradual, no qual a perda de peso acontece de forma menos abrupta, reduzindo o choque metabólico.

Barsanti enfatiza ainda a importância de um “check-up laboratorial direcionado” e exames detalhados com scanners de alta tecnologia que aumentam a imagem do couro cabeludo em até 30 mil vezes. “Eles são importantes para descartar doenças capilares pré-existentes, como diferentes formas de alopecia ou eflúvio crônico”, complementa.

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