Como aliviar a ressaca? Veja o que funciona para combater o mal-estar
Foto: Envato Elements
São Paulo, 09/02/2026 - Após dias de consumo excessivo de álcool, como no Carnaval, muitas pessoas sentem os efeitos clássicos da ressaca: dor de cabeça, náusea, cansaço extremo e falta de energia. Isso acontece porque o álcool provoca desidratação e inflamação sistêmica. Entenda como o corpo reage e o que fazer para melhorar.
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Segundo a médica Camila Paes, do Centro Médico Casa Paes, quando há consumo elevado de álcool em poucos dias, o organismo entra em um estado de sobrecarga metabólica. O fígado passa a priorizar a metabolização do álcool, deixando outras funções importantes em segundo plano, como o controle da glicose no sangue, a regulação hormonal e a eliminação de substâncias inflamatórias.
O impacto do álcool não se limita a um único órgão, o efeito é sistêmico. Segundo a médica, os principais afetados são:
- Fígado, responsável por metabolizar a maior parte do álcool ingerido
- Cérebro, que sofre com desidratação e alterações nos neurotransmissores
- Estômago e intestino, que ficam mais irritados, prejudicando a absorção de nutrientes
- Rins, que trabalham mais para compensar a desidratação
- Coração, que pode apresentar alterações de ritmo e pressão
Beber grandes quantidades em um único dia gera um pico agudo de toxicidade no fígado, normalmente associado a uma ressaca mais intensa. Já o consumo contínuo de álcool, como nos dias de Carnaval, mantém o corpo em um estado inflamatório constante, o que pode ser ainda mais prejudicial, pois o organismo não tem tempo para se recuperar entre um consumo e outro.
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Por isso, a médica explicou que beber mais álcool não “cura” a ressaca, como muitos acreditam. Beber mais apenas adia temporariamente os sintomas da ressaca e prolonga a sobrecarga do fígado e a inflamação, piorando a recuperação.
O que realmente funciona?
De acordo com Camila Paes, a recuperação se baseia em três pilares principais: hidratação adequada, reposição de eletrólitos e nutrientes e descanso metabólico.
Beber água com frequência ao longo do dia é essencial, e água de coco e bebidas com eletrólitos ajudam a acelerar a reidratação. Chás como gengibre e hortelã ajudam na digestão e aliviam náuseas e desconforto gástrico. Segundo a médica, uma dica é perceber se a urina está escura ou em pouca quantidade, um sinal de que o corpo ainda precisa de mais líquidos.
O álcool consome eletrólitos e vitaminas importantes. É fundamental repor sódio, potássio, magnésio, e vitaminas do complexo B, informou. Essa reposição pode vir da alimentação, o fígado precisa de matéria-prima para se regenerar. Os alimentos que mais ajudam são:
- Proteínas: ovos, frango, peixe e carnes magras
- Frutas ricas em antioxidantes: frutas vermelhas, laranja e abacaxi
- Vegetais verde-escuros: espinafre, couve e brócolis
- Fontes naturais de potássio: banana, abacate e água de coco
- Caldos e sopas, que facilitam a digestão e a absorção de nutrientes
É importante evitar excesso de gordura, frituras e ultraprocessados, que dificultam a recuperação.
Além disso, dormir bem, evitar novos estímulos inflamatórios, como mais álcool, excesso de cafeína e alimentos ultraprocessados, e reduzir treinos muito intensos nos primeiros dias. Forçar exercícios pesados para “suar o álcool” não acelera a recuperação, segundo a médica.
Quanto tempo o corpo leva para se recuperar?
O tempo varia conforme a quantidade de álcool ingerida, a frequência do consumo e a saúde da pessoa.
- A hidratação melhora em 1 a 2 dias.
- O fígado pode levar de 3 a 7 dias para normalizar suas funções.
- Em casos de consumo muito excessivo, esse prazo pode ser maior.
A médica ainda alerta para tomar cuidado com analgésicos durante a ressaca, já que álcool e alguns remédios utilizam as mesmas vias de metabolização no fígado, aumentando o risco de toxicidade hepática. A automedicação, principalmente antes de beber, não é recomendada.
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De acordo com Paes, intercalar bebida alcoólica com água diminui a desidratação e reduz a velocidade do consumo, o que atenua o impacto geral no organismo, mesmo que não elimine totalmente os efeitos do álcool.
Além disso, comer antes de beber protege o corpo dos danos. Alimentos ricos em proteínas e gorduras de boa qualidade retardam a absorção do álcool, diminuem os picos de toxicidade e protegem o trato gastrointestinal. Beber de estômago vazio é mais agressivo para o organismo.
Quando a ressaca deixa de ser normal?
A ressaca passa a ser um sinal de alerta quando surgem sintomas como:
- Vômitos persistentes
- Tontura intensa
- Confusão mental
- Palpitações
- Dor abdominal forte
- Sintomas que duram mais de dois dias
Esses sinais podem indicar desidratação grave, alterações no fígado ou desequilíbrio de eletrólitos e exigem avaliação médica.
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