Estudo revela nova estratégia que pode frear o avanço do Alzheimer
Foto: Envato Elements
Por Joyce Canele
redacao@viva.com.brSão Paulo, 30/11/2025 - A busca por novas alternativas para enfrentar o avanço da Doença de Alzheimer ganha mais um capítulo no Brasil.
Pesquisadores divulgaram resultados de um ensaio clínico que analisou o uso diário de microdoses de extrato de cannabis em pessoas com Alzheimer leve, apontando pistas sobre uma estratégia que pode ganhar espaço na medicina nos próximos anos.
Segundo o estudo publicado no National Library of Medicine, diferente do uso recreativo da planta, a proposta investigada e se concentra em doses tão baixas que não provocam alterações perceptíveis de consciência.
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É o que os especialistas chamam de doses subpsicoativas, quantidades que atuam no organismo sem causar o famoso efeito de euforia e sem oferecer riscos à saúde.
A ideia é aproveitar a capacidade dos canabinoides de regular processos relacionados à inflamação e à plasticidade cerebral sem interferir no estado mental do paciente.
A pesquisa, conduzida por Francisney Nascimento e colaboradores na Universidade Federal da Integração Latino-Americana, avaliou voluntários idosos diagnosticados com Alzheimer leve ao longo de 24 semanas.
O grupo recebeu extratos contendo THC e CBD em concentrações extremamente reduzidas. Outro grupo tomou placebo.
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O resultado que chamou a atenção foi a estabilidade dos escores na escala ADAS-Cog entre os participantes que consumiram o extrato com THC, enquanto os voluntários do placebo apresentaram queda no desempenho cognitivo.
Apesar de a diferença ter surgido apenas em uma das subavaliações e no acompanhamento mais longo, o sinal ainda assim foi considerado relevante.
Para pacientes que se encontram em fases iniciais da doença, grandes mudanças a curto prazo são pouco prováveis. Por isso, os autores destacam a hipótese de que microdoses possam funcionar como uma espécie de suporte contínuo ao cérebro envelhecido, retardando o declínio natural da cognição.
Ainda que os resultados sejam discretos, especialistas ressaltam que o avanço mais expressivo do estudo é simbólico. A investigação representa a primeira avaliação clínica bem-sucedida do uso de microdoses de cannabis em pacientes com Alzheimer.
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Esse passo reforça uma nova tendência que tenta dissociar o uso terapêutico da planta do receio cultural ligado aos efeitos psicoativos, ainda presentes entre parte do público e da comunidade médica.
Mesmo assim, os autores reconhecem desafios importantes. A amostra reduzida e os efeitos localizados limitam as conclusões.
Pesquisas maiores, com períodos mais extensos de acompanhamento e integração de exames biológicos, serão essenciais para entender se os resultados observados se confirmam em larga escala.
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Mas, vale citar, que apenas com mais estudos será possível constatar se a cannabis, em doses quase imperceptíveis, pode realmente exercer um papel preventivo no desenvolvimento do Alzheimer.
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