Ferramenta de IA pode encontrar câncer de pâncreas anos antes do diagnóstico
Estudo mostra que sistema de IA consegue identificar sinais sutis do câncer de pâncreas em tomografias de rotina antes do surgimento visível de tumores
Por Bianca Bibiano
11/05/2026 | 08h33Freepik
São Paulo - Um modelo de inteligência artificial desenvolvido pela organização americana de pesquisa Mayo Clinic promete ajudar médicos a detectar câncer de pâncreas em exames de tomografia computadorizada realizados de rotina até três anos antes do diagnóstico da doença. O estudo foi publicado na revista científica Gut e aponta avanços na identificação precoce de um dos tipos de câncer mais letais.
Segundo os pesquisadores, o sistema consegue reconhecer alterações sutis no pâncreas antes mesmo do surgimento visível de tumores, ampliando as chances de tratamento curativo em estágios iniciais da doença.
O modelo, chamado Radiomics-based Early Detection Model (REDMOD), foi validado com dados que reproduzem a prática clínica real, incluindo tomografias feitas em diferentes instituições, equipamentos e protocolos de imagem.
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Como funciona
Para testar a tecnologia, os pesquisadores analisaram quase duas mil tomografias computadorizadas de pacientes que, posteriormente, receberam diagnóstico de câncer pancreático. Os exames haviam sido inicialmente interpretados como normais.
De acordo com os resultados, a inteligência artificial conseguiu identificar 73% dos casos ainda na fase pré-diagnóstica, com antecedência mediana de cerca de 16 meses antes da confirmação da doença.
O desempenho foi superior ao de especialistas que avaliaram os mesmos exames sem auxílio da ferramenta. Em exames realizados mais de dois anos antes do diagnóstico, a IA detectou quase três vezes mais casos precoces que passariam despercebidos em análises convencionais.
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Entenda o câncer de pâncreas
O câncer de pâncreas é considerado um dos mais agressivos justamente pela dificuldade de identificação precoce. Mais de 85% dos pacientes recebem o diagnóstico apenas após a disseminação da doença, afirma a pesquisa.
As taxas de sobrevida em cinco anos nos Estados Unidos, por exemplo, permanecem abaixo de 15%, segundo dados do National Cancer Institute. A expectativa é que, até 2030, o câncer pancreático se torne a segunda principal causa de morte relacionada ao câncer naquele país.
No Brasil, ele ocupa a 14ª posição entre os tipos de câncer mais frequentes, segundo Ministério da Saúde.
"O maior obstáculo para salvar vidas que perdemos para o câncer no pâncreas é a incapacidade de identificar a doença quando ainda pode ser curada", declara o autor sênior da pesquisa Ajit Goenka, radiologista e especialista em medicina nuclear da Mayo Clinic.
"Esta IA agora consegue identificar a característica do câncer em um pâncreas aparentemente normal e pode fazer isso de modo confiável ao longo do tempo e em diferentes contextos clínicos", complementa.
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O REDMOD analisa centenas de características quantitativas das imagens, como textura e estrutura dos tecidos, em busca de alterações biológicas associadas ao desenvolvimento do câncer. A proposta é que o sistema seja usado em tomografias feitas por outros motivos, especialmente em pacientes considerados de alto risco, como pessoas com diabetes de início recente.
O projeto combina análise automatizada de exames de rotina com monitoramento longitudinal para medir indicadores como detecção precoce, taxa de falsos positivos e impactos clínicos. Agora, a organização diz que avança para testes clínicos para avaliar como médicos podem integrar a detecção orientada por inteligência artificial no acompanhamento de pacientes com maior risco de desenvolver câncer pancreático.
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