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Idoso pode ter psoríase? Entenda sintomas, tratamento e cuidados com a pele

Doença inflamatória crônica pode se manifestar com placas, descamação e coceira; em idosos, tratamento exige atenção à fragilidade da pele

Bárbara Ferreira

Por Bárbara Ferreira

23/09/2026 | 08h18

Pixabay

Idosos costumam apresentar mais ressecamento da pele - Pixabay
Idosos costumam apresentar mais ressecamento da pele
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A psoríase, uma doença inflamatória crônica não contagiosa, pode surgir em qualquer idade, mas seu diagnóstico em idosos requer atenção especial devido às características da pele envelhecida, que pode agravar os sintomas e o desconforto.

Os principais sinais da psoríase incluem placas vermelhas, descamação e alterações nas unhas, com o comprometimento articular podendo indicar formas mais graves da doença, especialmente em pacientes mais velhos.

O tratamento deve ser adaptado às necessidades dos idosos, levando em conta a gravidade da doença e outras condições de saúde, com ênfase na hidratação da pele e na escolha de terapias eficazes e seguras para cada paciente.

Resumo gerado por IA

São Paulo - A psoríase é uma doença inflamatória crônica não contagiosa, que pode atingir a pele, as unhas e as articulações. Embora possa surgir em qualquer idade, o início na velhice é menos comum e, quando as primeiras lesões aparecem nessa fase, é importante que o diagnóstico seja feito cuidadosamente.

Nos idosos, a doença pode até se apresentar de maneira semelhante à observada em adultos mais jovens. O envelhecimento, porém, deixa a pele naturalmente mais fina, seca e sensível, o que pode modificar a aparência das lesões e aumentar o desconforto causado pelo ressecamento e pela coceira.

Segundo a dermatologista Bianca Almeida, membra da Sociedade Brasileira de Dermatologia, a manifestação clássica da psoríase ocorre por meio de placas avermelhadas, bem delimitadas e cobertas por descamação esbranquiçada. Elas aparecem principalmente nos cotovelos, joelhos, couro cabeludo e região lombar, mas também podem atingir outras áreas, inclusive as dobras.

Quais são os sintomas da psoríase em idosos?

Entre os sinais que podem indicar psoríase estão placas vermelhas bem delimitadas, descamação esbranquiçada, coceira, ressecamento e lesões que melhoram e voltam a aparecer. Alterações nas unhas, como pequenos “furinhos”, descolamento ou espessamento, também podem ocorrer.

Lesões no couro cabeludo e sintomas nas articulações são outros sinais que merecem atenção. Dor, rigidez ou inchaço podem indicar o comprometimento articular associado à doença.

A psoríase pode surgir em qualquer idade, mas, de acordo com a dermatologista, existem dois períodos em que o início é mais frequente: um mais precoce, entre a adolescência e a vida adulta jovem, e outro mais tardio, na vida adulta. Por isso, quando o quadro aparece pela primeira vez em uma pessoa idosa, outras doenças também precisam ser consideradas.

Como é feito o diagnóstico de psoríase?

Na maioria dos casos, o diagnóstico da psoríase é clínico, feito a partir da avaliação das características e da distribuição das lesões. O dermatologista também pode observar unhas, couro cabeludo e articulações, além de perguntar sobre o histórico familiar e a evolução do quadro.

Quando há dúvida, pode ser realizada uma biópsia de pele para excluir outras doenças. Segundo Bianca Almeida, o diagnóstico pode ser mais demorado porque outras doenças de pele se tornam mais frequentes com o envelhecimento e podem apresentar manifestações semelhantes. 

Como é o tratamento da psoríase em idosos?

O tratamento depende da extensão e da gravidade da doença, da localização das lesões e das características de cada paciente. Nos quadros mais leves, podem ser utilizados medicamentos, além de tópicos e hidratantes.

A farmacêutica Luciane Bresciani Quirino, da Associação Nacional dos Farmacêuticos Magistrais (Anfarmag), destaca que os quadros moderados ou graves podem ser tratados com fototerapia e medicamentos que atuam em todo o organismo, incluindo medicamentos de uso oral.

Hoje temos opções terapêuticas bastante avançadas, e a escolha depende de uma avaliação individualizada”
Luciane Bresciani Quirino, da Anfarmag 

Como cuidar da pele do idoso com psoríase?

A idade não significa que o paciente necessariamente terá uma forma mais grave da doença, mas o envelhecimento modifica a pele e também pode alterar a forma como o organismo lida com os medicamentos.

Idosos costumam apresentar mais ressecamento da pele, maior número de medicamentos em uso e mais doenças associadas, como hipertensão, diabetes e doenças cardiovasculares. Também podem existir alterações nas funções renal e hepática, o que exige atenção às doses, interações e possíveis efeitos adversos.

A dermatologista ressalta ainda que o tratamento não deve ser necessariamente “mais fraco” por causa da idade. É preciso encontrar uma estratégia que seja eficaz e segura para aquele paciente, levando em conta doenças associadas, risco de infecções, vacinação, histórico de câncer e medicamentos utilizados.

A rotina de cuidados é importante porque a pele do idoso já apresenta naturalmente redução da hidratação e da função de barreira. Com a psoríase, o cuidado precisa ser ainda maior.

A hidratação não trata a causa da psoríase, mas ajuda a controlar ressecamento, descamação e desconforto. Entre as principais recomendações das especialistas estão:

  • Evitar banhos muito quentes e demorados, que podem aumentar o ressecamento;
  • Preferir água morna e sabonetes suaves;
  • Evitar fricção intensa e o uso de buchas;
  • Aplicar hidratante logo após o banho, enquanto a pele ainda estiver levemente úmida;
  • Evitar coçar ou traumatizar as lesões, já que pode desencadear novas lesões em algumas pessoas.

Luciane Quirino explica que o frio e o clima seco também podem favorecer a piora da psoríase por aumentarem a perda de água pela pele. Por isso, segundo a farmacêutica, a hidratação merece atenção ainda maior durante o inverno.

Psoríase pode afetar as articulações?

Sim. A artrite psoriásica é uma forma de artrite inflamatória associada à psoríase, que pode aparecer antes, junto ou depois das manifestações na pele. Ela pode provocar dor, inchaço e rigidez nas articulações e, quando não reconhecida e tratada adequadamente, pode levar a danos articulares permanentes.

Alguns sinais de alerta são dor e inchaço persistentes nas articulações, rigidez principalmente pela manhã, dor na região do calcanhar, dedos inteiros inchados, chamados de “dedo em salsicha”, dor lombar de característica inflamatória e dificuldade para movimentar determinadas articulações.

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