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Mais de 17 vezes em 10 anos: casos de câncer de pele aumentam no Brasil

Foto: Envato Elements

O acesso desigual aos serviços de saúde aparece como um dos principais entraves para o diagnóstico precoce - Foto: Envato Elements
O acesso desigual aos serviços de saúde aparece como um dos principais entraves para o diagnóstico precoce

Por Joyce Canele

redacao@viva.com.br
02/02/2026 | 08h16

São Paulo, 02/02/2026 -O número de diagnósticos de câncer de pele no Brasil cresceu de forma expressiva na última década, impulsionado por mudanças nos sistemas de notificação, maior exposição solar e desigualdades no acesso à saúde.

Dados da Sociedade Brasileira de Dermatologia mostram que os registros saltaram de pouco mais de 4 mil casos em 2014 para quase 73 mil em 2024, evidenciando um avanço que se espalha pelo país, embora com forte concentração regional.

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Em 2024, a incidência nacional foi de 34,27 casos por 100 mil habitantes, patamar ligeiramente inferior ao pico observado no ano anterior, segundo a publicação realizada pela Agência Brasil.

Mesmo assim, os números permanecem elevados, sobretudo nos estados do Sul e do Sudeste, onde fatores como maior envelhecimento populacional, predominância de pessoas de pele clara e histórico de exposição solar contribuem para taxas mais altas.

O Espírito Santo liderou o ranking nacional, com 139,37 casos por 100 mil habitantes, seguido por Santa Catarina, com 95,65. Fora do eixo tradicional, Rondônia chamou atenção ao registrar 85,11 casos, figurando entre os estados com maior incidência do país.

No Norte e no Nordeste, as taxas seguem mais baixas, mas já apresentam sinais de crescimento. Estados como Rondônia e Ceará tiveram aumento relevante em 2024.

Em unidades historicamente marcadas por baixa notificação, como Roraima, Acre e Amapá, a elevação pode refletir avanço na vigilância epidemiológica, embora a subnotificação ainda seja considerada significativa, especialmente em áreas rurais e de difícil acesso.

Mudanças na notificação influenciam números

Parte do crescimento mais acentuado ocorreu a partir de 2018, quando passou a ser obrigatório o preenchimento do Cartão Nacional de Saúde e da Classificação Internacional de Doenças nos exames laboratoriais de biópsia. A exigência aprimorou os registros e ampliou a visibilidade da doença nos sistemas oficiais.

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Ainda assim, a entidade destaca que o aumento não se explica apenas por questões administrativas. O padrão de vida moderno, a exposição solar prolongada e repetida ao longo dos anos e o envelhecimento da população ajudam a sustentar a tendência de alta.

Diagnóstico precoce

O acesso desigual aos serviços de saúde aparece como um dos principais entraves para o diagnóstico precoce. Dados da SBD indicam que usuários do Sistema Único de Saúde enfrentam dificuldade 2,6 vezes maior para conseguir uma consulta com dermatologista em comparação com pacientes da rede privada.

No SUS, o número de consultas dermatológicas voltou em 2024 a patamares próximos ao período pré-pandemia, após forte queda em 2020.

Foram cerca de 3,97 milhões de atendimentos no último ano, ainda abaixo da demanda estimada. Já na saúde suplementar, o volume se manteve de duas a três vezes maior, ultrapassando 10 milhões de consultas tanto em 2019 quanto em 2024.

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A maior disponibilidade de especialistas no setor privado amplia a chance de identificar lesões suspeitas ainda em fase inicial, fator decisivo sobretudo nos casos de melanoma, o tipo mais agressivo da doença.

Impacto no tratamento

A desigualdade no acesso também se reflete na complexidade do tratamento. Em regiões onde o diagnóstico demora, os pacientes tendem a chegar aos serviços especializados com a doença em estágio mais avançado, exigindo procedimentos mais invasivos e prolongados.

O levantamento da SBD aponta que municípios do interior enfrentam vazios assistenciais e longos deslocamentos até centros de referência em oncologia.

Estados como São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul concentram a maior parte dos Centros e Unidades de Alta Complexidade em Oncologia, enquanto Acre, Amazonas e Amapá contam com apenas uma unidade cada e não possuem centros de maior porte.

Entre 2014 e 2025, o total de casos tratados cresceu em todo o país. No Sul e no Sudeste, a maioria dos pacientes inicia o tratamento em até 30 dias após o diagnóstico.

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No Norte e no Nordeste, a espera frequentemente ultrapassa 60 dias, aumentando o risco de agravamento do quadro clínico.

Câncer de pele em idosos

Um estudo publicado no JAMA Dermatology acendeu o alerta para o crescimento dos casos de câncer de pele entre pessoas idosas nas últimas três décadas.

A análise de dados globais entre 1990 e 2021 mostra aumento expressivo dos diagnósticos, especialmente entre homens e em países com alto nível socioeconômico.

No período, a incidência do carcinoma basocelular avançou 61,3%, enquanto o carcinoma espinocelular cresceu 42,5%, conforme a publicação realizada pelo portal VIVA

Os dois tipos, que não são melanomas, estão fortemente ligados à exposição solar acumulada ao longo da vida. Regiões como Austrália, Nova Zelândia e América do Norte concentram as maiores taxas, influenciadas pela combinação entre pele clara e alta exposição ao sol.

O estudo também aponta que o envelhecimento da população, a maior procura por dermatologistas e os avanços no diagnóstico contribuem para o aumento dos registros.

No Brasil, o câncer de pele não melanoma é o tumor maligno mais frequente, mas tem altas chances de cura quando identificado precocemente, reforçando a importância da prevenção desde a infância e do acompanhamento médico regular.

Tipos de câncer de pele e riscos

O câncer de pele é o mais frequente no Brasil e no mundo. Ele se divide em dois grandes grupos. O melanoma, responsável por cerca de 3% dos tumores cutâneos, é o mais grave devido ao alto potencial de metástase, mas apresenta bom prognóstico quando identificado precocemente.

Já o não melanoma responde pela maioria dos casos, tem alta chance de cura e menor mortalidade, embora possa causar mutilações se não tratado a tempo.

Segundo o Ministério da Saúde, a doença é mais comum em pessoas acima dos 40 anos, mas especialistas observam redução gradual da idade média dos pacientes, reflexo da exposição solar intensa desde a juventude.

Pessoas de pele clara, albinas, com vitiligo, histórico familiar da doença ou que trabalham sob o sol estão entre os grupos de maior risco.

Prevenção

Para a SBD, conter o avanço do câncer de pele passa por medidas urgentes. A entidade defende ampliar o acesso ao protetor solar, reforçar campanhas de prevenção e aumentar a oferta de consultas na rede pública.

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Evitar a exposição solar nos horários de maior radiação, usar roupas e acessórios de proteção, reaplicar corretamente o filtro solar e procurar avaliação médica diante de qualquer mudança persistente na pele continuam sendo as principais recomendações para evitar câncer de pele.

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