Como proteger o celular de golpes: 5 dicas de especialista do Google
Envato
02/02/2026 | 10h11
São Paulo, 02/02/2026 - O cenário de segurança digital no Brasil atingiu um ponto crítico. Segundo dados recentes do Anuário de Segurança Pública de 2025, os estelionatos eletrônicos cresceram 26%, enquanto crimes físicos, como roubos, caíram. Estima-se que o prejuízo total com golpes de engenharia social chegue a impressionantes R$ 51 bilhões em 2025.
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Diante da sofisticação dos criminosos, que agora utilizam até Inteligência Artificial para criar fraudes mais convincentes, a proteção manual já não é suficiente.
Para ajudar os brasileiros a navegarem com segurança, a líder de segurança e confiabilidade do Google na América Latina, Priscila Couto, compartilha algumas dicas:
1. Aprenda a identificar golpes e fraudes no WhatsApp
A tática mais comum dos golpistas é a engenharia social, criando situações de urgência para impedir que a vítima raciocine. Priscila Couto orienta: "Se receber uma mensagem urgente pelo celular pedindo seus dados pessoais ou dinheiro, pare, respire e pense com calma".
Não se levar pela urgência das situações criadas por golpistas é essencial. Pois os aplicativos de mensagem (como WhatsApp) são o principal canal de início de golpes, especialmente para o público acima de 60 anos.
O chamado "Golpe do conhecido pedindo dinheiro", onde o criminoso finge ser um filho ou parente com "conta bloqueada" ou "limite estourado", ainda é o líder entre as vítimas idosas, segundo pesquisa “Estudo com golpes com Pix”, da Silverguard.
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Priscila Couto reforça que empresas sérias, como bancos e o Google, jamais pedem senhas ou documentos por mensagem. Se a mensagem tiver um tom alarmista como "Sua conta será bloqueada", encare como um sinal vermelho e não clique.
2. Gerenciador de senhas e passkeys: como blindar suas contas digitais
Um erro clássico apontado pela especialista é a "reciclagem" de senhas, ou seja, usar a mesma combinação para e-mail, redes sociais e banco. Se um site for invadido, o criminoso ganha a chave para toda a sua vida digital. Tentar decorar tudo também é perigoso.
Confira algumas ferramentas que podem ser usadas para senhas:
- Gerenciador de Senhas: o gerenciador de senhas do navegador cria senhas fortes e as salva automaticamente no aparelho;
- Chaves de Acesso (Passkeys): sempre que possível, ative esta opção. Ela substitui a senha digitada pela biometria do seu celular (rosto ou digital), tornando impossível que alguém copie seu acesso pela internet;
- Check-up Digital: realize uma verificação mensal com ferramentas como "Check-up de Senha" para saber se alguma credencial sua foi vazada na web.
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3. Baixe aplicativos apenas em lojas oficiais
Com a estimativa de que 1 em cada 3 brasileiros adultos foi vítima de fraude ou golpe nos últimos 12 meses, a origem dos aplicativos instalados no celular merece atenção redobrada. A regra é clara: "somente baixar aplicativos de lojas oficiais de aplicativos”, como a Play Store do Google, ou App Store da Apple.
Lojas oficiais possuem camadas de proteção que agem como um "guarda-costas" verificando a segurança do app antes da instalação. Além disso, desconfie de promoções que parecem boas demais para ser verdade e verifique sempre se a URL do site começa com "https".
4. Golpes com Deepfakes: como proteger o público 60+
O estudo da Silverguard alerta para o crescimento da Dark AI (uso de inteligência artificial para o crime), que permite a criação de deepfakes — vídeos e áudios falsos que imitam pessoas conhecidas. Isso torna a detecção de fraudes ainda mais difícil para o olho humano.
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Embora o público 60+ não seja o que mais cai em golpes em volume total, é o que sofre o maior impacto financeiro: eles perdem, em média, cinco vezes mais dinheiro por golpe (R$ 4.820) do que jovens entre 18 e 24 anos.
Para combater isso, a tecnologia precisa agir onde o usuário não vê.
- Proteção contra a "Falsa Central": se o usuário estiver em uma ligação com um número desconhecido e tentar abrir o aplicativo do banco, o sistema Android pode bloquear a ação e avisar sobre o risco, evitando que criminosos visualizem a tela ou induzam transferências;
- Detecção de Spam: o aplicativo de mensagens e ligações da maioria dos celulares já avisa automaticamente se um link recebido parece ser um golpe.
5. Faça uma “faxina digital”
Por fim, uma dica simples mas poderosa da especialista do Google: faça uma limpeza periódica nos aplicativos. "Cada aplicativo instalado é uma pequena 'porta' no seu celular", explica Priscila Couto, do Google. Se você usou uma vez e não precisa mais, apague.
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A segurança digital é uma via de mão dupla. Enquanto as ferramentas de segurança dos aparelhos são atualizadas e trabalham para filtrar 20 vezes mais sites fraudulentos, assim como o Banco Central implementa novas regras como o bloqueio cautelar, o comportamento do usuário continua sendo a última e mais importante linha de defesa.
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