Pesquisa com polilaminina terá apoio do SAMU 192 para identificar pacientes
Equipes do SAMU em São Paulo serão treinadas para identificar pacientes com trauma medular para estudo clínico da polilaminina
Por Emanuele Almeida
21/09/2026 | 13h43Rafael Nascimento/Ministério da Saúde
O Ministério da Saúde mobilizou equipes do SAMU 192 em São Paulo para identificar e transportar rapidamente pacientes com trauma recente na medula para o Hospital das Clínicas, visando selecionar voluntários para o primeiro ensaio clínico em humanos da polilaminina.
A pesquisa, autorizada pela Anvisa, busca comprovar a segurança da substância em um grupo restrito de cinco pacientes com lesão medular espinhal completa ocorrida há menos de 72 horas, que necessitam de cirurgia para descompressão da medula.
São Paulo - O Ministério da Saúde iniciou a mobilização das equipes do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (SAMU 192) na capital paulista para atuar na identificação ágil e no transporte de pacientes com trauma recente na medula para o Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (HC-FMUSP). A medida busca selecionar voluntários elegíveis para o primeiro ensaio clínico em humanos da polilaminina.
As equipes do SAMU 192 em São Paulo passarão por um treinamento específico guiado por um novo protocolo para identificar com rapidez os casos que se enquadram nos critérios exigidos pela pesquisa. A articulação é conduzida pelo Ministério da Saúde em parceria com o HC-FMUSP e a farmacêutica Cristália.
Caso seja necessário expandir o campo de captação de voluntários, a capacitação poderá ser estendida para serviços de urgência de municípios vizinhos.
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Critérios de seleção para a pesquisa
A pesquisa de Fase 1 foi autorizada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e tem como objetivo primário comprovar a segurança do uso da substância em seres humanos. O estudo recrutará um grupo restrito de cinco pacientes.
Para participar, os voluntários devem preencher requisitos clínicos rígidos:
- Ter idade entre 18 e 72 anos;
- Apresentar lesão medular espinhal torácica completa (entre as vértebras T2 e T10) ocorrida há menos de 72 horas;
- Possuir indicação cirúrgica para descompressão da medula.
Como funciona a polilaminina
A polilaminina foi desenvolvida por pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), sob a liderança da professora Tatiana Sampaio, em parceria com o laboratório Cristália e com investimento inicial do Ministério da Saúde na fase de pesquisa básica.
A substância é derivada da laminina — proteína naturalmente presente no organismo e extraída da placenta humana —, responsável por dar sustentação aos tecidos. Em casos de traumas severos, ocorre o rompimento das conexões que transmitem os impulsos nervosos entre o cérebro e o corpo. A polilaminina atua recriando um ambiente favorável para os neurônios afetados, estimulando o crescimento celular e a reconexão das estruturas lesionadas.
Aplicação, reabilitação e etapas futuras
Durante o procedimento cirúrgico de descompressão, a polilaminina será aplicada diretamente na medula do paciente por equipes treinadas. Após a cirurgia, os voluntários farão o processo de reabilitação na AACD e receberão acompanhamento médico rigoroso durante seis meses.
Caso a Fase 1 ateste a segurança da molécula, a farmacêutica poderá solicitar autorização à Anvisa para avançar para as Fases 2 e 3, etapas destinadas a comprovar a eficácia clínica do tratamento antes da liberação para registro e comercialização no mercado
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