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Tratamento pouco invasivo reduz ansiedade associada a câncer de próstata

Foto: Envato Elements

Técnica HIFU tem sido usada há 15 anos no Brasil e oferece alternativa de tratamento menos invasivo que cirurgias e radioterapias - Foto: Envato Elements
Técnica HIFU tem sido usada há 15 anos no Brasil e oferece alternativa de tratamento menos invasivo que cirurgias e radioterapias
Por Bianca Bibiano

21/01/2026 | 10h03

São Paulo, 21/01/2026 - Há 15 anos, o médico urologista e uro-oncologista Marcelo Bendhack realizava no Brasil o primeiro tratamento de câncer de próstata utilizando uma técnica minimamente invasiva chamada HIFU (High-Intensity Focused Ultrasound, em inglês) e que vem beneficiando pacientes desde então. Apesar de ser usado na Europa desde a década de 1980, essa tecnologia só passou a ser usada no Brasil em 2011, com procedimento realizado por Bendhack no Hospital Nossa Senhora das Graças, em Curitiba (PR).

Ao VIVA, Bendhack, que é doutor pela Universidade de Düsseldorf (Alemanha) e Universidade Federal do Paraná, disse que "a principal vantagem do HIFU é ser minimamente invasivo, com taxas significativamente menores de incontinência urinária e disfunção erétil quando comparado a tratamentos radicais”, o que contribui para a preservação da qualidade de vida dos pacientes e o fez se tornar um "marco na urologia e oncologia brasileira".

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O médico afirma que o País já realizou cerca de quatro mil procedimento desse tipo, mas que ainda não está amplamente acessível no Sistema Único de Saúde (SUS) nem no rol da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

“A incorporação de terapias focais aos fluxos de tratamento pode reduzir a ansiedade do paciente associada à vigilância ativa e oferecer uma alternativa intermediária que concilie controle oncológico e preservação da qualidade de vida.”
retrato do médico  Dr Marcelo Bendhack
O médico Marcelo Bendhack foi o primeiro a utilizar a tecnologia HIFU para câncer de próstata - Divulgação/Samira Chami Neves
Bendhack comemora os avanços destacando que, em breve, o HIFU poderá ser associado a testes epigenéticos, ajudando médicos e pesquisadores a avaliar o impacto de comportamentos, hábitos, estilo de vida, exposição a produtos tóxicos e até mesmo os efeitos das mudanças climáticas.
"A epigenética, área transversal da biologia e da medicina que estuda como fatores externos regulam a expressão dos genes sem alterar o DNA, deverá oferecer ferramentas práticas para prevenção, acompanhamento e medicina personalizada. Nesse contexto, ampliam-se ainda mais as vantagens das terapias focais, como o HIFU.”
O debate é ampliado pelos números da doença. O câncer de próstata representa 29% de todos os casos de câncer no sexo masculino no Brasil, com aproximadamente 66 mil novos diagnósticos e quase 16 mil mortes por ano, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA).
No mundo, é o quarto tipo de câncer mais incidente, representando 7,3% do total de novos casos, atrás dos cânceres de pulmão (12,4%), mama (11,6%), colorretal (9,6%), e à frente de câncer de estômago (4,9%). Estimativas internacionais apontam para mais de 1,4 milhão de novos casos por ano. 

O que é a técnica HIFU

O HIFU é uma tecnologia minimamente invasiva que surgiu em 1944 e utiliza ondas de ultrassom de alta intensidade para destruir tecidos cancerígenos de forma precisa. Seu interesse inicial foi no campo neurológico, mas passou a ser usado com destaque para câncer da próstata ou em outras áreas do corpo, sem incisões cirúrgicas e com rápida recuperação.
"Ao longo de uma década e meia, a técnica evoluiu, incorporou novos protocolos e passou a integrar estratégias modernas como o tratamento focal e a vigilância ativa ampliada, reduzindo sobremaneira os efeitos colaterais tradicionalmente associados à cirurgia radical e à radioterapia", observa Bendhack. 
No cenário internacional, o reconhecimento da terapia foi consolidado em 2015, quando o HIFU recebeu aprovação da Food and Drug Administration (FDA) para o tratamento do câncer de próstata nos Estados Unidos. Desde então, seu uso vem crescendo em centros de referência na Europa, Ásia e Américas, apoiado por evidências científicas robustas. A técnica também é indicada para outras questões de saúde, como Parkinson e tumores cerebrais, nos seios, fígado e pâncreas.
“O conhecimento atual sugere que o HIFU focal e outros procedimentos minimamente invasivos relacionados representam uma ampliação valiosa do espectro terapêutico do câncer de próstata localizado. Eles possibilitam ir além da decisão binária tradicional entre vigilância e terapia radical, enfrentando diretamente o duplo desafio de evitar o excesso de tratamento e, ao mesmo tempo, garantir o tratamento oportuno de tumores indolentes com risco de progressão", esclarece o especialista.

Oncologia moderna

O tratamento dialoga diretamente com um dos maiores desafios da oncologia moderna: equilibrar a detecção precoce com o risco de tratamento excessivo. Isso porque, apesar da reconhecida eficácia da cirurgia e da radioterapia no tratamento de toda a próstata, os estudos reforçam que a qualidade de vida deve ser um fator central na decisão terapêutica.
"Tratamentos tradicionais podem apresentar problemas urinários em 5% a 30% dos pacientes, além do risco de disfunção erétil entre 40 e 60%. No caso da radioterapia, também há registro de alterações intestinais, como diarreia e desconforto retal, em cerca de 5% dos pacientes", explica Bendhack.
Nesse sentido, o HIFU se destaca por apresentar menor taxa de efeitos colaterais. "Os estudos mostram que a incidência de incontinência urinária gira em torno de 2%, enquanto a disfunção erétil ocorre em aproximadamente 15% dos casos, índices significativamente inferiores aos observados com cirurgia e radioterapia", reforça o médico, que completa:
"Outro ponto relevante evidenciado pela literatura é a segurança da reaplicação do HIFU. Estudos multicêntricos indicam que, quando uma segunda aplicação é necessária, o impacto adicional sobre a função urinária e sexual é mínimo."

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