Vacinação ajuda a preservar a autonomia em idosos, alertam geriatras
Tomaz Silva/Agência Brasil
São Paulo - Com o avanço das campanhas de imunização no Brasil e a proximidade da Semana de Imunização, especialistas em geriatria reforçam a importância da vacinação para reduzir internações e proteger a população idosa, especialmente diante da maior circulação de vírus respiratórios nos meses mais frios.
Pessoas com 60 anos ou mais concentram as maiores taxas de internação e mortalidade por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), segundo dados destacados pela Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG). Para a entidade, o momento é estratégico para reforçar a prevenção.
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A campanha nacional de vacinação é gratuita pelo Sistema Único de Saúde (SUS) e começou no último sábado na maior parte dos Estados. As ações serão realizadas até 30 de maio nos postos de saúde da rede pública.
“Este é o momento ideal para garantir a vacinação. O outono já começou e o inverno se aproxima, por isso é fundamental reforçar a prevenção contra vírus respiratórios”, afirma a geriatra Maisa Kairalla, presidente da Comissão de Imunização da SBGG.
Entre as principais ameaças à saúde dos idosos estão Covid-19, influenza, vírus sincicial respiratório (VSR), infecções pneumocócicas e coqueluche. “O VSR ainda é pouco conhecido entre adultos, mas pode causar quadros graves, principalmente em pessoas idosas com doenças pulmonares ou cardíacas. Precisamos lembrar também da pneumonia bacteriana, que é prevenível por meio de vacina e pode levar à hospitalização e ao óbito”, explica Kairalla.
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A maior vulnerabilidade está relacionada ao envelhecimento do sistema imunológico, processo conhecido como imunossenescência, que reduz a capacidade de resposta do organismo às infecções.
Isso significa que a pessoa idosa não apenas tem maior risco de adoecer, mas também maior probabilidade de evoluir com complicações."
Kairalla complementa explicando que é nessa população, especialmente entre os maiores de 60 anos e aqueles com comorbidades como diabetes, doenças cardiovasculares ou pulmonares, que se instalam os quadros mais graves, com necessidade de UTI, ventilação mecânica e risco de infecções secundárias.
Segundo a médica, o impacto das infecções vai além da fase aguda e pode comprometer a autonomia. “Durante uma internação, o paciente pode ficar acamado, perder massa muscular e funcionalidade. Muitas vezes há descompensação de doenças crônicas já existentes. Em alguns casos é necessária intubação, o que pode gerar outras complicações. Nem sempre a pessoa idosa retorna ao seu nível de autonomia anterior”, ressalta a geriatra.
Proteção coletiva
Outro ponto destacado pela especialista é a importância da chamada proteção indireta. “Cuidadores, familiares e pessoas que convivem com idosos devem manter a carteira vacinal atualizada. Crianças, por exemplo, transmitem muitas infecções aos avós. Quanto maior a cobertura vacinal ao redor da pessoa idosa, menor o risco de exposição”, orienta Kairalla.
Apesar da tradição brasileira em campanhas, a cobertura vacinal tem apresentado queda nos últimos anos. Para a SBGG, retomar a cultura da prevenção é fundamental para reduzir internações evitáveis, preservar a autonomia e promover um envelhecimento com mais qualidade de vida.
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Segundo o Ministério da Saúde, com o início da mobilização e a realização do Dia D no último sábado, mais de 2,3 milhões de doses foram aplicadas nas regiões Nordeste, Centro-Oeste, Sul e Sudeste, sendo 1,6 milhão em um único dia.
Ao todo, 15,7 milhões de doses foram distribuídas aos Estados para reforçar a imunização antes do período de maior circulação de vírus, no inverno. As vacinas estão disponíveis nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e em postos organizados em locais de grande circulação.
Grupos prioritários da vacinação
- Idosos com 60 anos ou mais
- Crianças de 6 meses a 6 anos
- Profissionais de saúde
- Gestantes e puérperas
- Professores do ensino básico e superior
- Povos indígenas e quilombolas
- Pessoas em situação de rua
- Profissionais das forças de segurança e salvamento
- Profissionais das Forças Armadas
- Pessoas com doenças crônicas não transmissíveis e outras condições clínicas especiais
- Pessoas com deficiência permanente
- Caminhoneiros
- Trabalhadores do transporte coletivo rodoviário
- Trabalhadores dos Correios
- Trabalhadores portuários
- População privada de liberdade e funcionários do sistema prisional, além de jovens em medidas socioeducativas
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