Dia do consumidor: especialistas dão dicas de segurança contra o golpes
Adobe Stock
São Paulo - O Dia do Consumidor, celebrado em 15 de março, intensifica a busca por promoções, mas também acende um alerta importante para consumidores e empresas: os golpes digitais.
Segundo um levantamento da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), tentativas de fraude podem crescer até 30% em datas comerciais relevantes, quando consumidores intensificam buscas por descontos e ofertas online.
Leia também: Procon-SP: 80% dos consumidores sabem identificar propaganda enganosa
Um dos principais riscos é o golpe da falsa venda. Ele acontece de várias formas: criminosos criam sites falsos com a aparência de lojas reais, publicam anúncios enganosos em redes sociais ou usam perfís grandes lojas digitais; como mercado livre ou Shopee.
Para atrair as vítimas, os golpistas costumam oferecer descontos extras para pagamentos via Pix ou boleto. Após a transferência, o produto nunca é entregue e a recuperação do dinheiro é quase impossível.
Leia também: STJ amplia responsabilidade dos bancos em golpes virtuais
O diretor de Prevenção a Fraudes do Itaú Unibanco, Felipe Tambelini, assume a responsabilidade por uma estrutura de pagamento segura, e afirma garantir o suporte necessário em casos de prejuízo.
"Em datas de alto consumo, os fraudadores exploram o desejo das pessoas por uma boa oportunidade. Um comportamento preventivo é a principal ferramenta para garantir uma compra segura e evitar prejuízos. E, caso o cliente se torne uma vítima, nossa rede de especialistas está pronta para oferecer todo o suporte necessário”
Dicas de prevenção
- Desconfie de preços muito abaixo do normal: Ofertas "imperdíveis" são o principal atrativo para golpes. Sempre compare o valor em diferentes lojas conhecidas antes de comprar.
- Investigue a loja: Ao invés de clicar em links de anúncios, digite o endereço oficial da loja no navegador. Na barra de endereço do site, verifique se aparece o ícone do cadeado (o endereço deve começar com "https"). Em redes sociais, investigue o perfil, já que contas recém-criadas ou com muitas alterações de nome são suspeitas.
- Prefira o cartão virtual para compras online: Por gerar um número de cartão diferente do seu cartão físico, ele oferece uma camada de proteção adicional. Caso os dados do cartão virtual sejam expostos em um site malicioso, seu cartão físico permanece seguro. A contestação da transação, em caso de problemas, pode ser realizada da mesma forma para ambos os cartões.
Por fim, o banco relembra que, após cair em um golpe com o pagamento via PIX, o melhor é registrar um boletim de ocorrência e contestar o valor diretamente no aplicativo do banco com o Mecanismo Especial de Devolução (MED). É fundamental também denunciar o anúncio ou perfil falso na plataforma onde o golpe ocorreu.
Cuidados para vendedores
Além de mirar o consumidor final, os golpistas também se aproveitam dos vendedores das lojas online, se passando tanto por clientes quanto por fornecedores. Para eles, valem algumas dicas específicas:
- Ao comprar, verifique o fornecedor: Antes de fechar a compra de insumos ou equipamentos, pesquise a reputação da empresa. Para confirmar se o CNPJ é válido e ativo, consulte o site da Receita Federal na seção "Emissão de Comprovante de Inscrição e de Situação Cadastral". Desconfie se o único método de pagamento aceito for a transferência direta para uma conta de pessoa física.
- Ao vender, confirme o pagamento na sua conta: Não envie uma mercadoria baseando-se apenas em comprovantes de pagamento enviados pelo comprador, pois podem ser falsos. Acesse sua conta bancária e confirme se o valor foi creditado.
- Cuidado com a falsa urgência na negociação: Golpistas, sejam falsos compradores ou vendedores, costumam criar uma pressão para que a transação seja feita rapidamente, evitando que você tenha tempo para fazer as devidas verificações. Desconfie de abordagens em tom de urgência e não deixe de fazer seus processos de análise.
- Mantenha a negociação dentro de plataformas seguras: Caso precise negociar durante uma compra online, use o chat da plataforma de e-commerce. Isso garante que você tenha acesso às políticas de segurança. Não migre a conversa para aplicativos de mensagens externos.
O fundador da empresa de cibersegurança Under Protection, Igor Moura, relembra que a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) estabelece responsabilidades para organizações que tratam informações de clientes, e defende a segurança digital como parte da experiência do cliente.
“As organizações devem investir em monitoramento de ameaças, identificação de domínios falsos e mecanismos de proteção para evitar que criminosos utilizem a marca em golpes. Quando uma fraude acontece, o impacto não é apenas financeiro, mas também reputacional".
Estagiário sob supervisão de Paula Bulka Durães
Comentários
Política de comentários
Este espaço visa ampliar o debate sobre o assunto abordado na notícia, democrática e respeitosamente. Não são aceitos comentários anônimos nem que firam leis e princípios éticos e morais ou que promovam atividades ilícitas ou criminosas. Assim, comentários caluniosos, difamatórios, preconceituosos, ofensivos, agressivos, que usam palavras de baixo calão, incitam a violência, exprimam discurso de ódio ou contenham links são sumariamente deletados.
