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Robôs Sociais vão substituir profissionais no cuidado de pessoas idosas?

Reprodução - MIRMI - Robotics and Machine Intelligence

O robô Garmi foi criado pela Universidade Técnica de Munique e é um dos exemplos mais avançados de robôs cuidadores - Reprodução - MIRMI - Robotics and Machine Intelligence
O robô Garmi foi criado pela Universidade Técnica de Munique e é um dos exemplos mais avançados de robôs cuidadores
Por Felipe Cavalheiro

14/04/2026 | 08h12

São Paulo - O trabalho do cuidado ao idoso vai além de tarefas práticas, e envolve a capacidade de engajar e entender sentimentos. Após gerações como exclusividades do ser humano, essas habilidades começam a surgir em máquinas

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A Gerontecnologia –  estudo da tecnologia relacionada ao envelhecimento –trabalha para desenvolver máquinas que sirvam para suporte emocional, os chamados Robôs Sociais

A história destas invenções começou em em 1999 com o Paro, robô japonês com a forma de uma foca, usado para conforto emocional, especialmente de pessoas idosas com demência. 

Hoje, máquinas como essa existem em todos os tipos e formas, a exemplo do Garmi, criado pela Universidade Técnica de Munique,  com aparência simpática e capaz de auxiliar em diversas tarefas diárias. 

Aplicações positivas de robôs sociais

Durante o Congresso Paulista de Geriatria e Gerontologia (Gerp 2026), a pesquisadora e doutora em Gerontologia, Meire Cachioni, apresentou o resultado de uma pesquisa feita com Robôs Sociais em Instituição de Longa Permanência para Idosos (ILPI). 

Foto da Meire Cachioni
A gerontóloga Meire Cachioni, estuda robôs sociais em lares para idosos - Divulgação/Gerp

Os diferentes modelos de robôs, como o Zenbo ou Robios, ficaram responsáveis por atividades de estímulo cognitivo – como jogos de memória  ou adivinhação – e letramento digital.  

O experimento mostrou resultados positivos, com um maior engajamento com o robô (57%) do que com o monitor humano (43%). 

Cachioni descreve com certa emoção que a maior dificuldade nos treinamentos mentais dentro das ILPI's está em engajar os residentes, que passam boa parte do dia sem interesse nas práticas. 

Para ela, o impacto veio pela novidade que a máquina causou, levando algo diferente para um cotidiano monótono.

"Os robôs são um importante instrumento para a gerontologia, e representam um novo passo no engajamento da pessoa idosa". 

Cachioni alerta que, apesar de inovadora e positiva, a ideia não é uma substituição. Para ela, é necessário um equilíbrio entre o contato com as máquinas e o contato humano. 

Profissionais serão substituídos? 

Os avanços da robótica são notáveis, especialmente quando as máquinas são controladas por modelos de Inteligência Artificial. Mas eles representam o fim dos profissionais humanos? 

Foto de Daniel Barros falando ao microfone em um palco
Psiquiatra Daniel Barros, durante sua palestra no Gerp 2026 - Felipe Cavalheiro/VIVA

Para o médico psiquiatra Daniel Barros, ainda estamos longe desta realidade, apesar da atual geração 60+ ser a última a confiar primeiro nos médicos

Barros reconhece o impacto que modelos de IA terão nas terapias, pois "nem tudo cabe no cérebro" . 

"Precisamos nos preparar e aprender a lidar com as novas tecnologias, porque não usá-las seria como ter um médico que não consultou o livro", comenta. 

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No entanto, Barros ressalta que as IAs ainda não alcançaram a qualidade do ser humano, especialmente se utilizada  para conversas. 

Ele culpa especialmente um "sotaque da IA", que entrega sua natureza e impede uma conexão genuína. 

Existe uma essência no ser humano que é analógica. Tem uma coisa do olhar, do sentir a presença que engaja o nosso cérebro... eu acho que isso não é substituível".

*Estagiário sob supervisão de Luana Pavani

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