Robôs Sociais vão substituir profissionais no cuidado de pessoas idosas?
Reprodução - MIRMI - Robotics and Machine Intelligence
São Paulo - O trabalho do cuidado ao idoso vai além de tarefas práticas, e envolve a capacidade de engajar e entender sentimentos. Após gerações como exclusividades do ser humano, essas habilidades começam a surgir em máquinas.
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A Gerontecnologia – estudo da tecnologia relacionada ao envelhecimento –trabalha para desenvolver máquinas que sirvam para suporte emocional, os chamados Robôs Sociais.
A história destas invenções começou em em 1999 com o Paro, robô japonês com a forma de uma foca, usado para conforto emocional, especialmente de pessoas idosas com demência.
Hoje, máquinas como essa existem em todos os tipos e formas, a exemplo do Garmi, criado pela Universidade Técnica de Munique, com aparência simpática e capaz de auxiliar em diversas tarefas diárias.
Aplicações positivas de robôs sociais
Durante o Congresso Paulista de Geriatria e Gerontologia (Gerp 2026), a pesquisadora e doutora em Gerontologia, Meire Cachioni, apresentou o resultado de uma pesquisa feita com Robôs Sociais em Instituição de Longa Permanência para Idosos (ILPI).
Os diferentes modelos de robôs, como o Zenbo ou Robios, ficaram responsáveis por atividades de estímulo cognitivo – como jogos de memória ou adivinhação – e letramento digital.
O experimento mostrou resultados positivos, com um maior engajamento com o robô (57%) do que com o monitor humano (43%).
Cachioni descreve com certa emoção que a maior dificuldade nos treinamentos mentais dentro das ILPI's está em engajar os residentes, que passam boa parte do dia sem interesse nas práticas.
Para ela, o impacto veio pela novidade que a máquina causou, levando algo diferente para um cotidiano monótono.
"Os robôs são um importante instrumento para a gerontologia, e representam um novo passo no engajamento da pessoa idosa".
Cachioni alerta que, apesar de inovadora e positiva, a ideia não é uma substituição. Para ela, é necessário um equilíbrio entre o contato com as máquinas e o contato humano.
Profissionais serão substituídos?
Os avanços da robótica são notáveis, especialmente quando as máquinas são controladas por modelos de Inteligência Artificial. Mas eles representam o fim dos profissionais humanos?
Para o médico psiquiatra Daniel Barros, ainda estamos longe desta realidade, apesar da atual geração 60+ ser a última a confiar primeiro nos médicos.
Barros reconhece o impacto que modelos de IA terão nas terapias, pois "nem tudo cabe no cérebro" .
"Precisamos nos preparar e aprender a lidar com as novas tecnologias, porque não usá-las seria como ter um médico que não consultou o livro", comenta.
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No entanto, Barros ressalta que as IAs ainda não alcançaram a qualidade do ser humano, especialmente se utilizada para conversas.
Ele culpa especialmente um "sotaque da IA", que entrega sua natureza e impede uma conexão genuína.
Existe uma essência no ser humano que é analógica. Tem uma coisa do olhar, do sentir a presença que engaja o nosso cérebro... eu acho que isso não é substituível".
*Estagiário sob supervisão de Luana Pavani
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