YouTube lança guia para produção de conteúdo para adolescentes
Divulgação - YouTube Brazil
São Paulo, 18/02/2026 - A plataforma de vídeo YouTube lançou um guia intitulado "Criando para Adolescentes". Desenvolvido pela Universidade da Califórnia em Los Angeles, em parceria com a Safernet e Instituto Palavra Aberta, o documento é voltado aos influenciadores brasileiros.
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Para auxiliar os criadores de conteúdo, o guia contextualiza aspectos particulares do cérebro em desenvolvimento e oferece dicas de conteúdo para os jovens. Ele também categoriza os possíveis temas de vídeo em alta e baixa qualidade. Apesar de não proibir, deixa claro quais conteúdos serão mais bem aceitos.
Temas considerados de alta qualidade pelo Youtube:
- Curiosidade e inspiração.
- Alegria, diversão e entretenimento.
- Interesses e perspectivas.
- Habilidades e experiências de vida.
Temas considerados de baixa qualidade pelo Youtube:
- Padrões de beleza radicais e comparações.
- Atos perigosos e comportamentos discutíveis.
- Bullying, ódio e desrespeito.
- Obsessão por riqueza e conceitos enganosos.
- Comportamento agressivo e intimidador.
ECA Digital e a responsabilidade dos influenciadores
A data para o lançamento do guia não foi aleatória. Anunciado no Dia da Internet Segura, a própria líder de parcerias de conteúdos infanto-juvenis no YouTube Brasil, Luana Nazareth, confirmou a ligação entre documento e o ECA Digital, que passa a valer em março deste ano.
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A especialista em direito digital e marketing legal, Mariana Carlucci, explica que um grande motivador para esta ação da empresa pode ser justamente o artigo 8º da nova lei, que define como responsabilidade da plataforma garantir que o conteúdo inapropriado não esteja ao alcance das crianças.
O ECA Digital aumenta muito a responsabilidade das empresas. Apesar de não mirar diretamente os influenciadores, estas mudanças vão 'respingar' nos criadores de conteúdo infantil e adolescente, que terão de se adaptar a regras mais rígidas."
Já a publicidade infantil, restrita há muito tempo pelo Código de Defesa do Consumidor, também ganha novos limites. Além da proibição da Publicidade Programática — quando dados do usuário são usados para entregar propagandas focadas nos gostos pessoais — Carlucci chama atenção para o novo termo de "propaganda predatória", que restringe influenciadores de usarem linguagem muito imperativa ou apelo emocional.
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E os influenciadores mirins?
Apesar de não serem mencionados diretamente na lei, criadores de conteúdo menores de idade também terão de se adequar. O sócio do L.O. Baptista Advogados, Fabrício Polido, aponta que outro novo termo criado pela lei é o "abandono digital".
Polido explica que o cuidado dos pais quanto à exposição dos filhos é vital. Acima de focar no trabalho em si, o ECA Digital condena fortemente os responsáveis que ponham as crianças em situação humilhante para gerar engajamento.
A jurisprudência brasileira já reforça a responsabilidade por omissão em supervisão por parte dos pais, com obrigações indenizatórias em relação às partes lesadas ou vítimas dos atos."
Mesmo com tantos limites, Carlucci aponta uma lacuna ainda a ser preenchida: influenciadores mirins sem contrato com marcas. Enquanto as crianças que divulgam produtos são entendidas legalmente como em um trabalho artístico, devendo passar por um monitoramento rigoroso de sua rotina para obterem a autorização judicial, o mesmo não se aplica aquelas sem parceria.
Mesmo com possíveis projetos para regularizar a profissão de influenciador digital, a advogada reforça que muitos dos jovens ainda estão em uma espécie de "limbo legal".
Estagiário sob supervisão de Marcia Furlan
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