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8 em cada 10 escolas debatem impactos das telas na saúde mental dos alunos

Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

75% dos gestores promoveram reuniões com pais, mães e responsáveis para falar do uso de celulares do uso de tecnologias digitais no ambiente escolar - Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil
75% dos gestores promoveram reuniões com pais, mães e responsáveis para falar do uso de celulares do uso de tecnologias digitais no ambiente escolar
Por Bianca Bibiano

04/08/2026 | 13h45

São Paulo - No ano passado, oito em cada dez escolas de ensino fundamental e médio realizaram debates e ações sobre os impactos das tecnologias digitais na saúde mental dos estudantes, mostrando um crescimento no debate sobre o tema. É o que revela a nova edição da pesquisa TIC Educação, realizada pelo Centro Regional de Estudos para o Desenvolvimento da Sociedade da Informação (Cetic.br).

Segundo o levantamento lançado nesta terça-feira, 4, a proporção de instituições que discutiram o tema em 2025 cresceu 18 pontos percentuais na comparação com 2024, passando de 62% para 80%.

O movimento acompanha a ampliação do debate sobre o uso das tecnologias digitais no ambiente escolar e ocorre em meio às mudanças trazidas pela Lei nº 15.100/2025, que restringiu o uso de celulares nas escolas, e por novas normas voltadas à educação digital e midiática. 

A pesquisa mostra ainda que, em 2025, 75% dos gestores promoveram reuniões com pais, mães e responsáveis para tratar do uso de tecnologias digitais no ambiente escolar. Um ano antes, esse índice era de 60%.

Também cresceu o espaço dedicado ao uso seguro, crítico e responsável das tecnologias digitais, que passou de 56% para 75%, e à inclusão da educação midiática no currículo escolar, de 46% para 67%. 

Para o gerente do Cetic.br, Alexandre Barbosa, "a intensificação do debate sobre os impactos das tecnologias digitais no ambiente escolar reflete uma importante mobilização social e pedagógica, impulsionada pelas discussões que resultaram na aprovação do Estatuto Digital da Criança e do Adolescente, o ECA Digital, e pela adoção de novas normas voltadas à garantia de direitos no ambiente digital".

Todo esse contexto contribui para ampliar o debate nas escolas, que se consolidam espaços essenciais para a promoção e a garantia dos direitos de crianças e adolescentes."

Ações e desafios

O estudo aponta que 65% das instituições de ensino desenvolvem alguma ação voltada aos estudantes nessa área. A presença dessas ações, porém, é desigual, ocorrendo com maior prevalência nas escolas urbanas (72%) e entre aquelas que disponibilizam computadores e acesso à internet para uso dos alunos em atividades educacionais (75%).

Entre as que realizam essas iniciativas, 75% dos gestores apontam a baixa participação das famílias e dos responsáveis como um dos principais obstáculos, seguida pela falta de materiais e recursos educacionais de apoio (64%).

Já entre as que não realizam atividades desse tipo, a principal dificuldade é justamente a falta de materiais e recursos de apoio (77%), seguida pela baixa participação das famílias (66%) e pela qualidade dos computadores e do acesso à internet da escola (65%).

"Os dados mostram a necessidade de um olhar atento às desigualdades estruturais, que podem se configurar em desafios à garantia de maior equidade na oferta da educação digital", disse em nota a coordenadora da pesquisa TIC Educação Daniela Costa. 

Para ela, a integração entre escolas e famílias é outro "aspecto essencial para a disseminação da educação digital" e completou destacando que "para que possam apoiar as famílias de maneira eficaz, as escolas precisam de suporte adequado e políticas públicas estruturadas", finaliza.

A pesquisa faz parte do Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto BR (NIC.br), entidade ligada ao Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), e investiga o acesso, o uso e a apropriação das tecnologias de informação e comunicação (TIC) por alunos, professores, coordenadores pedagógicos e gestores de escolas de ensino fundamental e médio, em atividades de ensino e de aprendizagem e de gestão educacional.

Uso de telefones celulares

Segundo o estudo, 51% dos gestores afirmam que os alunos não podem levar o telefone celular pessoal para o ambiente escolar. Essa postura varia conforme o perfil da instituição, sendo mais restritiva naquelas com turmas até os anos iniciais (69%) do que nas com Ensino Médio (31%).

Em 40% das escolas, os alunos estão autorizados a levar o celular pessoal, mas as regras de armazenamento variam entre as instituições. Em 24%, os dispositivos devem ser guardados em bolsos ou acessórios de uso individual, como mochila ou estojo e, em 16%, em locais disponibilizados pelas escolas, como caixas, armários ou outros espaços (16%).

Entre as escolas que consentem que os alunos levem o celular para a instituição, 66% permitem o uso do celular pessoal em atividades pedagógicas, proporção que aumenta em contextos que enfrentam maiores barreiras de conectividade e de acesso a computadores: o uso pedagógico do dispositivo sobe para 76% na região Norte, 76% na região Nordeste e 75% em áreas rurais.

Adoção de IA generativa

Pela primeira vez, a TIC Educação mapeou o uso de ferramentas de Inteligência Artificial (IA) generativa por gestores escolares. O levantamento indica que 53% deles já utilizam esses sistemas em atividades de gestão pedagógica, administrativa ou financeira.

Dentre as principais finalidades estão a criação de conteúdos visuais ou de comunicação (83%), elaboração de convites e comunicados (80%) e tradução, revisão ou resumo de textos (71%).

Em 37% das escolas, a utilização de IA pelos estudantes em tarefas educacionais é permitida. A proporção chega a 47% na rede estadual e a 52% naquelas com turmas até o ensino médio.

Apesar da disseminação desses sistemas em atividades de gestão pedagógica, administrativa ou financeira, apenas 22% dos gestores informaram que a escola possuía um guia de orientações sobre o uso da IA no ensino, na aprendizagem ou na gestão (19% entre as escolas municipais, 25% entre as estaduais e 25% entre as particulares).

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