Mórris Litvak
Colunista VIVA
10/08/2026 | 13h18
Sobre a
coluna
Sobre a coluna
Fundador e CEO da Maturi, plataforma para profissionais 50+. É empreendedor social com pós-graduação em Gestão da Inovação Social pelo Amani Institute.
Recolocação profissional após os 50 anos: você não está sozinho
Envato
São Paulo - Tem uma coisa que os dados não capturam bem, mas que eu vejo acontecer todo ano, sempre no mesmo lugar: o momento em que alguém que passou meses se sentindo sozinho na busca por recolocação entra numa sala com centenas de pessoas na mesma situação e percebe que não estava sozinho nunca.
Essa cena se repete. Alguém chega desconfiado, com o crachá na mão, sem saber direito o que esperar. Sai três dias depois com dez contatos novos, duas ideias de projeto e uma sensação difícil de nomear que se parece muito com "eu ainda tenho lugar aqui".
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Quero falar sobre isso hoje. Sobre o valor concreto de participar de eventos nessa fase da vida, e sobre por que isso costuma ser subestimado por quem mais precisaria.
Existe uma ideia bastante disseminada de que aprendizado é coisa de quem está começando. Que curso, workshop, palestra e evento são etapas de formação inicial, e que depois de trinta anos de carreira você já teria aprendido o que precisava. Essa ideia era razoável quando o mundo mudava devagar. Hoje ela é simplesmente falsa.
Uma pessoa de 55 anos tem, tranquilamente, mais vinte anos de vida produtiva pela frente. Nesse período, a inteligência artificial vai reorganizar boa parte das funções que existem hoje. Vão surgir profissões que ainda não têm nome. Formas de trabalhar que ainda não foram inventadas. Fingir que dá para atravessar isso só com o que você já sabe não é experiência, é risco."
Aprendizado, mas também encontros
E aqui vale uma observação sobre os dados da nossa base na Maturi, que hoje reúne mais de 300 mil profissionais cadastrados. Quando perguntamos sobre quais temas as pessoas querem aprender mais, tecnologia e inteligência artificial aparecem em segundo lugar, atrás apenas de recolocação profissional.
Ou seja, o profissional 50+ brasileiro não está fugindo do novo. Ele está correndo atrás. O estereótipo de que essa geração resiste à tecnologia não se sustenta diante do que as próprias pessoas dizem.
Mas aprendizado contínuo é só metade da história. A outra metade, talvez a mais importante nessa fase, é o encontro.
Aqui vale ser honesto sobre uma coisa. A busca por recolocação depois dos 50 costuma ser uma experiência solitária. Muita gente do seu círculo próximo não entende exatamente o que você está vivendo. Alguns acham que você deveria "descansar". Outros acham que é questão de tempo. E você acaba processando sozinho uma coisa que não é sua culpa e que milhares de outras pessoas estão vivendo ao mesmo tempo, cada uma em sua própria casa.
Quando você coloca essas pessoas na mesma sala, algo muda. Não é motivação passageira. É reconhecimento. É perceber que aquilo que você achava que era um problema pessoal tem contorno coletivo e, portanto, tem saída coletiva também.
E das conversas que acontecem ali, muita coisa concreta nasce. Sociedades entre pessoas que se conheceram em uma fila de café. Indicações que resultaram em contratação. Projetos que começaram como comentário solto em uma roda de conversa. Consultorias que viraram negócio. Amizades que sustentaram os meses seguintes de busca.
MaturiFest 2026 vem aí
Eu falo isso com alguma propriedade porque organizo um evento assim há nove anos, e é justo eu abrir esse contexto para você: o MaturiFest é realizado pela Maturi, empresa que eu fundei e dirijo. A nona edição acontece de 13 a 15 de agosto, na Unibes Cultural, em São Paulo, e é a maior da nossa história.
São mais de cem convidados em três dias, com nomes como Beth Goulart, Hortência, Paola Carosella, Chieko Aoki, Xico Sá e Mary Del Priore, além de pesquisadores, executivos e especialistas.
Mas o que eu queria destacar não são os nomes do palco. É o formato. Nesta edição, as atividades acontecem simultaneamente em seis espaços diferentes, e cada pessoa monta a própria jornada. Tem palestra, mas tem também oficina prática de LinkedIn, de inteligência artificial aplicada ao trabalho, de transição de carreira. Tem mentoria individual, onde você senta com alguém de referência na sua área e conversa sobre o seu caso específico, não sobre generalidades.
Tem a feira de empreendedores 50+, com pequenos negócios reais expondo e vendendo. E tem a MaturiConecta, um espaço onde empresas e profissionais se encontram diretamente.
Nas oito edições anteriores passaram por lá mais de dez mil pessoas. Eu conheço dezenas de histórias que começaram naqueles corredores.
Agora, o ponto mais importante deste texto não é o evento em si. É o hábito. Ir a um evento uma vez na vida não muda nada. O que muda é você reconstruir a relação com o aprendizado e com o encontro como parte da sua rotina profissional, não como exceção. Pode ser o MaturiFest, pode ser um encontro do seu setor, pode ser um curso na sua cidade, pode ser um grupo de estudo.
O que importa é você sair de casa, se expor a informação nova e se colocar diante de pessoas que você ainda não conhece."
Isso é desconfortável. Vou ser direto sobre isso. Entrar sozinho em um espaço cheio de desconhecidos aos 58 anos não é confortável para quase ninguém. Mas é exatamente esse desconforto que separa quem fica esperando a oportunidade chegar de quem se coloca no caminho dela.
E tem um detalhe que quase ninguém considera. Quando você participa desses espaços, você não vai só receber. Você tem trinta, quarenta anos de repertório. Tem histórias que outras pessoas precisam ouvir. Tem soluções que você já testou e que alguém ali está começando a enfrentar agora.
A troca é nos dois sentidos, e essa é uma das coisas mais restauradoras dessa experiência: lembrar que você ainda tem muito a oferecer, e ver isso confirmado por gente que não te devia nada.
Se você está em transição, se está pensando em empreender, se está no emprego mas sentindo que o chão está se movendo, ou se só quer entender o que vem por aí, o convite é o mesmo. Escolha um evento neste semestre. Reserve a data. Vá. (E se quiser saber mais sobre o MaturiFest, veja a programação aqui)
O que você aprende ali é importante. Mas quem você encontra pode ser o que realmente muda a sua próxima década.
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