Afastamento por saúde mental no INSS é menor entre trabalhadores 50+
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São Paulo - Um levantamento realizado pela reportagem do VIVA com base nos dados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) mostra que o número de concessões de benefício por afastamento relacionado a saúde mental mais do que dobrou nos últimos seis anos e atinge com maior impacto trabalhadores mais jovens.
Entre pessoas 50+, a proporção de afastamentos por causas psiquiátricas é menor, ainda que esse grupo etário responda por mais de um terço do total de auxílios-doença concedidos entre 2019 e 2025.
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Ao longo dos sete anos analisados, o INSS concedeu 6,28 milhões de auxílios-doença para trabalhadores com 50 anos ou mais. Desse total, 336,8 mil tiveram como causa ansiedade, depressão, estresse, burnout e outros diagnósticos incluídos no levantamento, o equivalente a 5,36% das concessões da faixa etária.
Ranking dos afastamentos no INSS entre pessoas 50+
Entre os trabalhadores acima de 50 anos de idade, o levantamento do VIVA mostra que os afastamentos são dominados por doenças osteomusculares e lesões físicas.
Dorsalgias, problemas de disco intervertebral, lesões no ombro, fraturas e artrose ocupam as primeiras posições entre os diagnósticos mais frequentes do INSS para esse grupo.
A primeira doença relacionada à saúde mental aparece apenas na oitava colocação do ranking geral: a depressão episódica.
O cenário difere do observado no conjunto dos trabalhadores brasileiros, em que a ansiedade figura como a quarta principal família de diagnósticos entre todos os auxílios-doença.
Depressão e ansiedade após os 50 anos
Outra diferença aparece dentro do próprio grupo de doenças mentais. Enquanto, na população geral, a ansiedade representa o maior volume de benefícios, entre trabalhadores com 50 anos ou mais a depressão episódica lidera os afastamentos.
Entre 2019 e 2025, a depressão respondeu por 36,6% dos benefícios relacionados à saúde mental concedidos nessa faixa etária. A ansiedade aparece em seguida, com 30,1%, enquanto os episódios de depressão recorrente representam outros 26,4%. Juntos, esses três diagnósticos concentram mais de nove em cada dez benefícios do recorte analisado.
Embora a depressão seja a principal causa de afastamento entre trabalhadores acima de 50 anos, foi a ansiedade que apresentou o crescimento mais acelerado ao longo da série histórica.
As concessões relacionadas a esse diagnóstico passaram de 7.615 em 2019 para 30.894 em 2025, alta de 306%. O burnout também apresentou crescimento expressivo, passando de 99 para 1.083 benefícios no período, mas continua representando menos de 1% dos afastamentos relacionados à saúde mental nessa população.
Mulheres são maioria entre os afastados
Assim como ocorre no conjunto da população, as mulheres concentram a maior parte dos benefícios por saúde mental entre trabalhadores mais velhos.
Elas responderam por 66,6% das concessões registradas entre 2019 e 2025, enquanto os homens representaram 33,4%. A diferença, entretanto, é menor do que a observada no universo geral dos afastamentos por transtornos mentais, em que as mulheres concentram pouco mais de sete em cada dez benefícios.
Já em uma análise por Estados, São Paulo lidera o número de concessões, seguido por Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Santa Catarina. Juntos, esses cinco estados concentram mais de 60% dos benefícios relacionados à saúde mental concedidos a trabalhadores com 50 anos ou mais.
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