Envelhecimento acelera e novas reformas da Previdência virão, diz economista
Samuel Pessôa destaca que aposentadorias pesam no orçamento e limitam investimentos em infraestrutura e outras áreas essenciais
Por Bárbara Ferreira
21/09/2026 | 19h33Reprodução/Ibre/FGV/Marcelo Freire
O economista Samuel Pessôa alerta que os gastos com aposentadorias no Brasil são um dos principais problemas financeiros do país, limitando investimentos em infraestrutura e contribuindo para a elevação das taxas de juros.
Pessôa destaca que o sobregasto com aposentadorias impacta desproporcionalmente a infraestrutura, dificultando a realização de obras essenciais e refletindo na alta dos juros, que encarecem ainda mais esses projetos.
Com as eleições de 2026 se aproximando, o economista prevê a necessidade de reformas previdenciárias urgentes, independentemente do vencedor, e expressa preocupações sobre a capacidade dos candidatos, Lula e Flávio Bolsonaro, em lidar com a dívida pública e a gestão econômica do país.
São Paulo - Apesar da relevância econômica da população com 60 anos ou mais — que consome, trabalha, paga impostos e sustenta famílias — o economista Samuel Pessôa, pesquisador associado do FGV Ibre, afirma que o peso das aposentadorias e pensões no orçamento público é hoje um dos principais desafios das contas do País. “O idoso brasileiro é um gasto público gigantesco”, afirmou, ao defender que o desenho do sistema previdenciário precisa ser revisto.
Com as Eleições 2026 se aproximando, uma eventual nova reforma da Previdência tende a voltar ao debate, principalmente após os últimos anos terem sido marcados por fraudes e gastos bilionários envolvendo o INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), o que reacendeu discussões sobre fiscalização, gestão e eficiência do gasto.
Na avaliação de Pessôa, o problema vai além de quem recebe o benefício: quando uma parcela grande do orçamento é comprometida com aposentadorias e pensões, sobra menos espaço para investir em outras áreas.
Segundo estimativa do Conselho Nacional de Previdência Social (CNPS), as despesas previdenciárias podem chegar a R$ 1,218 trilhão no próximo ano. Para o economista, esse nível de gasto impossibilita outros investimentos públicos.
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Gasto com aposentadoria tira investimento da infraestrutura
Pessôa argumenta que o “sobregasto” com Previdência tem efeito duplo sobre a infraestrutura: de um lado, o orçamento fica mais “engessado”; de outro, o risco fiscal aumenta e isso pressiona o custo do dinheiro na economia — o que, na prática, encarece obras que dependem de financiamento de longo prazo.
“Há, claro, menos dinheiro para outros setores, e ainda é este sobregasto do governo um dos motivos que explica os juros serem tão elevados no Brasil”, afirma. Para ele, a deficiência histórica do Brasil em infraestrutura se torna ainda mais difícil de enfrentar na medida em que o envelhecimento populacional aumenta a pressão sobre a Previdência.
Não é à toa. O Brasil é um País que tem uma deficiência grande em infraestrutura”.
Samuel Pessôa, economista
Reformas mais prováveis
Independentemente da decisão nas urnas, Pessôa prevê que o Brasil precisará passar por várias reformas da Previdência diferentes nos próximos anos, para responder ao rápido envelhecimento da população.
De acordo com a última simulação de segundo turno da pesquisa Indexa/Broadcast, Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem 43% das intenções de voto, ante 42% de Flávio Bolsonaro (PL).
Qualquer que seja o vencedor, segundo o economista, o cenário é preocupante.
Quanto à possibilidade de reeleição de Lula para um quarto mandato, ele questiona se a equipe do petista conseguirá melhorar o perfil da dívida pública e seu peso sobre o orçamento - que de setembro de 2025 a setembro de 2026 gastou R$ 1,16 trilhão com juros da dívida, segundo dados do Banco Central (BC).
A grande preocupação com o Lula é se vai se ele vai conseguir, junto à equipe, melhorar a dinâmica da dívida pública."
Já no cenário em que Flávio assumiria a Presidência, a dúvida é se ele viria com a herança bolsonarista do pai, Jair, que, na opinião do especialista, não conseguiu formar uma coalizão estável.
O economista avalia que o ex-presidente teve dificuldade de encontrar uma agenda comum para o País. A dúvida é se Flávio aprendeu com o erro do pai ou se irá repeti-lo.
Ele [Jair Bolsonaro] não compartilhou o poder com a base de apoio. Isso fez com que ele tivesse um governo em paralisia decisória."
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