CONFIRA

Apple vai ler seus arquivos públicos do iCloud buscando conteúdo ilegal

Nas novas versões do iOS, qualquer conteúdo na nuvem iCloud que esteja com o link aberto poderá ser averiguado pela empresa americana

Felipe Cavalheiro

Por Felipe Cavalheiro

06/11/2026 | 16h13

Divulgação/Apple

iCloud é o serviço de armazenamento em nuvem oficial da maçã, padrão em iPhones, iPads e Macbooks - Divulgação/Apple
iCloud é o serviço de armazenamento em nuvem oficial da maçã, padrão em iPhones, iPads e Macbooks
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A Apple anunciou que irá verificar conteúdos enviados ao iCloud em busca de material prejudicial, afetando usuários com sistemas operacionais atualizados para a versão 27.3 ou posterior. Essa medida poderá resultar na remoção de conteúdos maliciosos e até na desativação de contas, caso necessário.

A nova política surge após um histórico de tentativas da Apple de implementar escaneamento de conteúdos, que foi suspenso em 2021 devido a críticas sobre privacidade. A pressão aumentou com uma ação judicial coletiva em 2024, movida por vítimas de abuso infantil cujas imagens foram compartilhadas via iCloud.

Conteúdos compartilhados apenas com 'Pessoas escolhidas' continuarão privados, enquanto a Apple não detalhou os motivos para a nova abordagem.

São Paulo - A empresa americana Apple anunciou que os conteúdos enviados para o seu serviço de nuvem oficial iCloud serão verificados em busca de “conteúdo prejudicial”.

A mudança ocorrerá em todos os aparelhos que serão atualizados com a versão 27.3 ou posterior dos sistemas operacionais iOS, iPadOS, macOS e visionOS, utilizados nos aparelhos da marca. 

A investigação será feita apenas em arquivos que forem compartilhados na opção “Qualquer um com o link”, que efetivamente torna o conteúdo público para qualquer um, sem necessidade de pedir acesso. 

Nesses casos, a marca poderá “mover, recusar, modificar, remover ou deletar” um conteúdo malicioso, sem entrar em detalhes sobre a razão. Além disso, dependendo do tipo de conteúdo ilegal, a conta no serviço da Apple poderá ser desativada. 

Já os conteúdos que não forem compartilhados, ou enviados apenas para “pessoas escolhidas”, permanecerão totalmente privados. 

Por que a Apple começou essa investigação?

No anúncio oficial, feito na página de suporte da empresa esta semana, a maçã não dá detalhes quanto ao motivo da nova política. No entanto, ela não é novidade. 

Em 2021 a BigTech americana anunciou um sistema de escaneamento de material de abuso infantil que rodaria diretamente nos iPhones antes de irem para o iCloud. O plano, no entanto, foi engavetado após críticas de entidades voltadas à privacidade digital. 

Em 2024, uma ação judicial coletiva foi movida por vítimas de abuso infantil que tiveram suas imagens compartilhadas usando o iCloud. O julgamento gerou diversos protestos exigindo que a empresa aplicasse a tecnologia de escaneamento. 

O mais recente deles ocorreu em junho deste ano, durante uma conferência de desenvolvedores da Apple, organizado pelo grupo de ativistas em defesa das crianças no mundo digital Heat Initiative. 

*Estagiário sob supervisão de Marcia Furlan

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