Apple vai ler seus arquivos públicos do iCloud buscando conteúdo ilegal
Nas novas versões do iOS, qualquer conteúdo na nuvem iCloud que esteja com o link aberto poderá ser averiguado pela empresa americana
Divulgação/Apple
A Apple anunciou que irá verificar conteúdos enviados ao iCloud em busca de material prejudicial, afetando usuários com sistemas operacionais atualizados para a versão 27.3 ou posterior. Essa medida poderá resultar na remoção de conteúdos maliciosos e até na desativação de contas, caso necessário.
A nova política surge após um histórico de tentativas da Apple de implementar escaneamento de conteúdos, que foi suspenso em 2021 devido a críticas sobre privacidade. A pressão aumentou com uma ação judicial coletiva em 2024, movida por vítimas de abuso infantil cujas imagens foram compartilhadas via iCloud.
Conteúdos compartilhados apenas com 'Pessoas escolhidas' continuarão privados, enquanto a Apple não detalhou os motivos para a nova abordagem.
São Paulo - A empresa americana Apple anunciou que os conteúdos enviados para o seu serviço de nuvem oficial iCloud serão verificados em busca de “conteúdo prejudicial”.
A mudança ocorrerá em todos os aparelhos que serão atualizados com a versão 27.3 ou posterior dos sistemas operacionais iOS, iPadOS, macOS e visionOS, utilizados nos aparelhos da marca.
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A investigação será feita apenas em arquivos que forem compartilhados na opção “Qualquer um com o link”, que efetivamente torna o conteúdo público para qualquer um, sem necessidade de pedir acesso.
Nesses casos, a marca poderá “mover, recusar, modificar, remover ou deletar” um conteúdo malicioso, sem entrar em detalhes sobre a razão. Além disso, dependendo do tipo de conteúdo ilegal, a conta no serviço da Apple poderá ser desativada.
Já os conteúdos que não forem compartilhados, ou enviados apenas para “pessoas escolhidas”, permanecerão totalmente privados.
Por que a Apple começou essa investigação?
No anúncio oficial, feito na página de suporte da empresa esta semana, a maçã não dá detalhes quanto ao motivo da nova política. No entanto, ela não é novidade.
Em 2021 a BigTech americana anunciou um sistema de escaneamento de material de abuso infantil que rodaria diretamente nos iPhones antes de irem para o iCloud. O plano, no entanto, foi engavetado após críticas de entidades voltadas à privacidade digital.
Em 2024, uma ação judicial coletiva foi movida por vítimas de abuso infantil que tiveram suas imagens compartilhadas usando o iCloud. O julgamento gerou diversos protestos exigindo que a empresa aplicasse a tecnologia de escaneamento.
O mais recente deles ocorreu em junho deste ano, durante uma conferência de desenvolvedores da Apple, organizado pelo grupo de ativistas em defesa das crianças no mundo digital Heat Initiative.
*Estagiário sob supervisão de Marcia Furlan
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