Pix permite parcelar compras como se fosse cartão; veja se compensa
Confira condições oferecidas antes de validar a operação, alertam os especialistas, pois pode embutir juros, assim como no cartão de crédito
Por Fabiana Holtz
05/11/2026 | 08h25Adobe Stock
O parcelamento de compras via Pix pode levar a custos adicionais, como juros, que os consumidores devem considerar antes de optar por essa modalidade. Entre 2023 e 2026, a aceitação dessa forma de pagamento no comércio eletrônico na América Latina deve aumentar significativamente, passando de 38% para 66,1%.
Especialistas alertam que, embora o Pix Parcelado permita aproveitar descontos em pagamentos à vista, ele pode acarretar encargos que não estão presentes em parcelamentos tradicionais de cartão de crédito. A facilidade de contratação pode levar a compras por impulso e ao superendividamento dos consumidores.
É essencial que os usuários avaliem as taxas de juros e garantam que terão saldo suficiente na data de vencimento para evitar encargos adicionais. A conscientização sobre as condições de crédito é fundamental para evitar surpresas financeiras negativas.
São Paulo - A função de parcelamento de compras via Pix é bem prática, funciona como uma alternativa ao cartão de crédito. Mas, assim como no tradicional cartão, o parcelamento pode sair mais caro do que à vista, com acréscimo de juros, e o consumidor corre o risco de se endividar se não souber usar direito.
Começar a parcelar suas compras no Pix pode parecer tentador por sua facilidade, mas é preciso lembrar que a transação envolve uma operação de crédito. Ou seja, a oferta de crédito parcelado inclui a cobrança de juros.
Conhecida como 'compre agora e pague depois' (BNPL, na sigla em inglês) essa operação tem crescido exponencialmente nos últimos anos. Entre 2023 e 2026, a aceitação dessa solução de pagamento no comércio eletrônico saltou de 38% para 66,1%, de acordo com levantamento do mercado de e-Commerce na América Latina, realizado pela Koin em parceria com a GMattos.
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Em 23 de outubro, o BC aprovou três resoluções para reforçar as responsabilidades das instituições financeiras na oferta e concessão de crédito. O objetivo da medida é garantir maior proteção e transparência aos consumidores e reduzir situações que estimulem o endividamento.
Hoje, a oferta de parcelamento do Pix aparece sem você pedir. Porém, a partir de 1º de julho de 2027, o consumidor poderá autorizar ou revogar a oferta pelo aplicativo do banco que utiliza.
Em dezembro do ano passado o Banco Central (BC) desistiu de criar regras específicas para o Pix Parcelado, deixando espaço para que as instituições financeiras trabalhassem o serviço como uma linha de crédito privada. Como o BC proibiu os bancos de utilizar o nome Pix Parcelado em suas ofertas e produtos, surgiram então no mercado produtos como o 'Parcelar Pix' (Caixa) e 'Divide o Pix' (Santander), entre outros.
Por se tratar de um financiamento, é importante que o consumidor tenha consciência desde o início que está contratando um crédito, alerta a diretora de Produtos de Crédito da Koin, Daniele Tupinambás.
Não basta verificar se a prestação cabe no bolso. É preciso exercitar o autocontrole e ter planejamento financeiro para não se perder nos juros.
Daniele Tupinambás, diretora da Koin
De olho no custo final
O grande ponto de atenção aqui são os custos. "Ao contrário do parcelamento padrão do cartão de crédito, que costuma ser isento de encargos em grande parte do comércio, o Pix Parcelado quase sempre embute juros e IOF em cada prestação, explica o professor de Administração da ESPM, Jorge Ferreira dos Santos Filho.
A principal vantagem dessa modalidade, de acordo com o professor, é a possibilidade de aproveitar os descontos que os lojistas oferecem para pagamentos à vista via Pix, mesmo sem ter o montante total disponível no momento.
"É também uma alternativa útil para efetuar pagamentos parcelados a prestadores de serviços ou pequenos comércios que não aceitam cartões", explica. "Além disso, quando contratado como crédito pessoal, ele não compromete o limite tradicional do seu cartão de crédito."
Santos Filho reafirma que mesmo que a proposta seja atraente é essencial avaliar as taxas, que variam muito entre as instituições financeiras, e garantir que haverá saldo na data do vencimento para evitar os juros ainda mais altos do cheque especial.
Cuidado com as compras por impulso
A principal recomendação da professora Cilene Cardoso, economista e gerente de Gestão e Planejamento Acadêmico da São Judas, é tratar a operação como empréstimo, não como parcelamento de cartão.
Como a contratação é feita de forma simples e rápida diretamente pelo aplicativo, há um risco considerável de compras por impulso e superendividamento.
Cilene Cardoso, economista
Tenha em mente que cada banco define a taxa de juro cobrada na operação conforme o risco do cliente.
Além de contribuir para a inclusão financeira, visto que 60 milhões de brasileiros não têm cartão de crédito, Cardoso aponta que o parcelamento do Pix também serve como um alternativa ao rotativo do cartão e ao crédito pessoal tradicional, com contratação instantânea.
Para o lojista, acrescenta Cardoso, além do recebimento do pagamento na hora, o Pix Parcelado melhora seu fluxo de caixa e transfere risco de inadimplência para o banco.
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