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Ministra Cármen Lúcia pede união e estratégia para combate ao feminicídio

Felipe Cavalheiro/Viva

Ministra Cármen Lúcia participou nesta terça-feira do Summitt Mulheres nas Profissões - Felipe Cavalheiro/Viva
Ministra Cármen Lúcia participou nesta terça-feira do Summitt Mulheres nas Profissões
Por Fabiana Holtz

04/08/2026 | 18h33

São Paulo - A ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), participou nesta tarde do Summit Mulheres nas Profissões, na capital paulista, onde voltou a defender que a luta por igualdade entre homens e mulheres seja constante e estratégica.

"Não somos minoria nem em número, nem em direitos e nem em dignidade. Juntas somos capazes de transformar a vida de quem vem depois de nós e de honrar a luta das que nos precederam", afirmou.

A ministra ressaltou que as mulheres são um público majoritário inclusive eleitoralmente, representando 53% dos eleitorado:

Nós sozinhas elegemos o presidente da República e governadores na maioria dos estados. E por tanto não podemos ser reconhecidas como minoria e precisamos reconhecer esse poder", afirmou.
Empresária Luiza Trajano e Cármen Lúcia, ministra do STF
Ministra Cármen Lúcia e Luiza Trajano, durante o Summitt Mulheres nas Profissões | Foto: Felipe Cavalheiro/Viva

Ao longo do bate-papo, Cármen Lúcia defendeu uma maior mobilização da sociedade civil e fez menção a um 'levante de mulheres', marcado para o mês de novembro pelo direito à vida.

"Não existe uma democracia forte de uma sociedade unida e que quer paz, pluralismo e fraternidade sem que haja a garantia de igualdade para todas as mulheres e para todos os homens. Desde pelo menos o século XVIII há inscrito nas leis, nas constituições, nos tratados internacionais que somos todos iguais. Mas em todo o mundo estamos todas, principalmente no Brasil, em situação de desigualdade". 

Ao pedir pelo fim dos feminicídios ela frisou ainda que quem está matando as mulheres são seus parceiros, amigos, pessoas em quem elas confiaram e em um espaço sagrado que é o lar.

Igualdade no STF

Para que essa equiparação entre gêneros aconteça, acrescentou ela, ainda é preciso muitas reuniões para se sair da teoria para a prática. O debate é profundo e envolve todas as áreas da sociedade. "Eu me pergunto quando teremos igualdade entre homens e mulheres nas cadeiras do Supremo Tribunal Federal. E eu respondo: quando os onze forem mulheres", afirmou.  

Isso porque sempre tivemos 11 homens dizendo que sabiam o que a gente queria, alega ela. "Quem sabe o que a gente quer, é a gente mesmo. Estamos na fase 'Gilberto Gil'. Quem sabe de mim sou eu. É claro, para você que me esqueceu aquele abraço", brincou Cármen Lúcia, fazendo referência a letra da música do cantor baiano.

Volta da magreza

Entre os diversos estigmas e 'arapucas' que ainda prendem muitas mulheres a seus parceiros tóxicos a ministra destacou a atual cultura da magreza com a busca frenética por canetas emagrecedoras

"Fico preocupada quando vejo mulheres fazendo todo tipo de cirurgia porque o marido tem gordofobia. Ele não gosta de você, minha filha. Qual é a parte que você não entendeu?", afirmou a ministra. 

"Não caiam em armadilhas bobas, porque o nosso direito democrático é escolher o que nos faz sentir mais à vontade".

Além de uma maior mobilização da sociedade civil, com o desenvolvimento de táticas para combater o machismo e a misoginia, a ministra pediu ainda por mais investimento em educação.

Amor se aprende, preconceito também. Precisamos ensinar o processo de igualação desde a pré-escola, para que a gente tenha uma sociedade em que a luta seja de homens e mulheres por uma convivência pacífica".

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