Casa-ateliê Tomie Ohtake, em SP, propõe mergulho na vida da célebre artista
Residência da artista agora está aberta à visitação, preservando sua memória e promovendo exposições; mostra de Zanine Caldas fica em cartaz até dia 7
Por Adriana Del Ré
04/11/2026 | 13h37VIVA/Adriana Del Ré
A Casa-ateliê Tomie Ohtake, antiga residência da artista, foi aberta ao público em março e agora integra o circuito do Instituto Tomie Ohtake, destacando-se como um espaço que preserva a memória da artista e promove exposições, como a atual dedicada ao arquiteto Zanine Caldas.
Projetada por Ruy Ohtake e tombada como patrimônio histórico em 2013, a casa manteve sua estrutura original, permitindo que os visitantes conheçam tanto a vida de Tomie quanto a obra de Zanine, com exposições que incluem mobiliário, maquetes e documentos.
A Casa-ateliê funcionará sempre que uma nova exposição for inaugurada, com a próxima, dedicada a Vik Muniz, prevista para abrir em 28 de novembro, continuando a celebração do legado artístico de Tomie Ohtake.
São Paulo – Visitar uma casa que já foi habitada por uma grande personalidade e que depois se tornou um espaço público dedicado a seu legado é como receber um convite para entrar na sua intimidade. É imaginar como foi sua rotina comum dentro daquela morada, observando os pequenos detalhes. Esse é um dos pontos fascinantes que envolvem as chamadas casas-museu ou casas-ateliê.
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Há diversas casas do gênero pelo mundo. No exterior, são famosas, por exemplo, a Graceland, residência de Elvis Presley, nos EUA; o Museu Frida Kahlo, no México; e a Casa e Jardins de Claude Monet, na França. No Brasil, a longa lista, que inclui a Casa de Cultura Roberto Carlos, em Cachoeiro de Itapemirim (ES), o Museu Casa de Portinari, em Brodowski (SP), e o Museu Casa de Santos Dumont, em Petrópolis (RJ), ganhou recentemente um novo reforço: a Casa-ateliê Tomie Ohtake, na capital paulista.
A antiga residência da artista Tomie Ohtake (1913-2015) – nascida no Japão, mas que construiu sua vida e carreira no Brasil – foi incorporada ao circuito de programação do Instituto Tomie Ohtake e, consequentemente, aberta à visitação a partir de março deste ano. Até sábado, 7, suas instalações abrigam a exposição “Zanine Caldas – Criação de Mundos”, dedicada ao arquiteto autodidata, maquetista, designer e professor José Zanine Caldas (1919–2001).
Para reconstituir essa importante trajetória ligada, sobretudo, à história da arquitetura no Brasil, a mostra foi dividida em quatro núcleos – Raiz, Tronco, Abrigo e Horizonte –, com mobiliário, maquetes, projetos, fotografias e documentos do acervo de Zanine.
Patrimônio histórico
Projetada por Ruy Ohtake, o primogênito de Tomie, em 1966, e inagurada em 1968, a casa-ateliê passou depois por ampliações. Foi moradia e local de trabalho da artista, além de ponto de encontro da classe artística e de intelectuais por quase cinco décadas, até sua morte. Em 2013, foi tombada como patrimônio pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conpresp).
Com a residência ocupada pela exposição, o visitante tem a oportunidade de conhecer, ao mesmo tempo, duas histórias distintas que se misturam em cada ambiente. Isso porque a estrutura original do lar de Tomie permanece intacta, com todos os objetos, as obras e os móveis mantidos onde sempre estiveram. São os itens do arquivo de Zanine que se adaptaram aos espaços.
Com fotos, maquetes e projeções, o primeiro núcleo da mostra recepciona o visitante já na ampla sala principal, na qual é possível observar como o projeto arquitetônico de Ruy explora o concreto da estrutura original da casa. É também nesse ambiente onde a família deixava expostas várias peças de artistas amigos dos Ohtake.
Os janelões de vidro na sala deixam a luz natural entrar, mas também proporcionam uma visão privilegiada do belo jardim, onde estão a piscina, muito verde e algumas obras de sua antiga e ilustre moradora.
Marcas de tinta
A visita se encaminha para os demais cômodos – e núcleos da exposição distribuídos pela casa. A dica é seguir pela área de convivência, que traz uma bancada e uma estante, sugerindo que ali funcionava o local de trabalho e de estudos dos filhos de Tomie, Ruy e Ricardo Ohtake. Não por acaso, está localizada entre os quartos dos dois. Na parte de trás, encontra-se uma pequena biblioteca.
Depois vale seguir para o ateliê 1 de Tomie, onde ainda estão os materiais de trabalho da artista e as marcas de tinta na pia. O local foi estrategicamente instalado ao lado de sua suíte. Os quartos são bem minimalistas, com uma cama e poucos objetos, dando a entender que aqueles eram espaços destinados apenas para repouso e recolhimento, para que o restante do tempo a casa fosse ocupada coletivamente.
Na ampliação da residência, nos anos 1980, a sala de jantar foi reposicionada, com vista também para jardim. Essa área abriga também a biblioteca e o escritório, e o ateliê 2 de Tomie – bem maior em relação ao ateliê 1 –, que acabou se tornando sua principal área de trabalho. A porta do ateliê leva ao jardim, última parada da visita.
A Casa-ateliê Tomie Ohtake abre para o público sempre quando uma exposição entra em cartaz. A próxima será dedicada a Vik Muniz, tendo a obra da Tomie como referência, e está prevista para ser inagurada no dia 28 de novembro.
Serviço
- "Zanine Caldas – Criação de Mundos"
- Até 7 de novembro; quinta-feira a sábado, das 10h às 17h (última entrada às 16h)
- Local: Casa-ateliê Tomie Ohtake
- Endereço: Rua Antônio de Macedo Soares, 1.800, Campo Belo, São Paulo – SP
- Ingresso: R$ 50
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