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O que muda com a escala 5x2? Empresários avaliam impactos e como se preparar

A menos de dois meses da entrada em vigor da escala 5x2, pizzarias e clínicas de vacinação simulam jornadas e custos para manter operações contínuas

Alessandra Taraborelli

Por Alessandra Taraborelli

04/11/2026 | 08h20

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A nova regra de trabalho 5x2 entra em vigor a partir de 15 de dezembro deste ano - Adobe Stock
A nova regra de trabalho 5x2 entra em vigor a partir de 15 de dezembro deste ano
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A nova escala 5x2, que substituirá a 6x1 a partir de 15 de dezembro, visa proporcionar mais descanso aos trabalhadores, mas exigirá reorganizações significativas nas operações de empresas que dependem de atendimento contínuo, como pizzarias e clínicas de vacinação.

A mudança pode resultar em um aumento de até 15% na folha de pagamento e requer que as empresas analisem suas escalas de trabalho, considerando os horários de maior movimento e as especificidades operacionais de cada setor.

Entidades como a Associação Pizzarias Unidas do Brasil recomendam um planejamento cuidadoso e simulações de cenários para garantir a adaptação às novas regras, enquanto a Saúde Livre Vacinas já iniciou a reorganização de suas jornadas de trabalho para atender às novas exigências.

Resumo gerado por IA

São Paulo - A menos de dois meses para entrar em vigor a escala 5x2, decorrente da Emenda Constitucional nº 141/2026, que acaba com a escala 6x1, movimenta os bastidores de setores que dependem de operações contínuas e atendimento presencial. A nova regra, que entra em vigor no dia 15 de dezembro, visa garantir mais descanso aos trabalhadores e traz oportunidades de valorização profissional, mas também impõe reorganizações financeiras, logísticas e operacionais para as empresas.

Para algumas entidades e empresas, a chave para a adaptação às novas regras é uma revisão de processos, planejamento estratégico e o uso inteligente da tecnologia.

Presidente da Associação Pizzarias Unidas do Brasil (Apubra)- Gustavo Cardamoni
Presidente da Apubra, Gustavo Cardamoni, indica uma análise das jornadas nas pizzarias - Divulgação

Para o presidente da Associação Pizzarias Unidas do Brasil (Apubra), Gustavo Cardamoni, a recomendação é que os estabelecimentos iniciem o levantamento das jornadas atualmente praticadas, identifiquem os horários de maior movimento e avaliem, com o apoio de profissionais de contabilidade e assessoria jurídica, as possibilidades de reorganização das equipes.

Ele lembra que o  setor possui características operacionais específicas, como funcionamento noturno, atendimento aos fins de semana e feriados e concentração da demanda em determinados dias e horários.

Por isso, a adaptação exige atenção especial à organização das equipes, às escalas de trabalho e aos custos operacionais.

Além disso, ele ressalta a importância de acompanhar as negociações coletivas aplicáveis à categoria e eventuais regulamentações complementares, especialmente no que diz respeito às possibilidades de compensação de folgas e às condições específicas para microempresas e empresas de pequeno porte, que ainda não foram definidas.

A mudança é expressiva e mexe no coração operacional das pizzarias. Nosso setor tem picos muito claros de movimento e funcionamento à noite e aos finais de semana. Antes de qualquer decisão precipitada, o empresário precisa colocar na ponta do lápis os horários de maior fluxo, simular cenários e enxugar gargalos para não comprometer a continuidade do negócio.
Gustavo Cardamoni, presidente da Apubra

A sócia-fundadora e CEO da Saúde Livre Vacinas, rede franqueadora especialista em imunização, doutora Rosane Orth Argenta, avalia que a transição representa uma oportunidade de melhorar a previsibilidade da rotina e o equilíbrio entre trabalho e vida pessoal.

Para isso, ela explica que está sendo feito um trabalho de escuta ativa, conversando com as equipes.

À medida que os modelos forem validados, poderão ser apresentados nos processos de contratação como um diferencial concreto. A própria questão do benefício será percebida na prática ao longo dos próximos meses, com escalas organizadas, descanso respeitado e condições adequadas de trabalho.
Rosane Orth Argenta, CEO da Saúde Livre Vacinas
Doutora Rosane Orth Argenta - sócia-fundadora e CEO da Saúde Livre Vacinas
Doutora Rosane Orth Argenta, sócia-fundadora e CEO da Saúde Livre Vacinas - Divulgação

Ela conta que a reorganização teve início no segundo semestre de 2026, após a aprovação da PEC na Câmara dos Deputados.

“Desde então, estamos testando diferentes modelos de jornada para identificar os formatos mais adequados às características de cada unidade e às preferências dos colaboradores”, explica.

Impactos econômicos 

Rosane Orth Argenta estima que a nova escala deve gerar um aumento em torno de 15% na folha de pagamento. Além disso, o desafio está em compatibilizar as folgas com os dias e horários de maior procura, acompanhando a demanda de cada clínica sem comprometer a capacidade de atendimento.

“Há também a possibilidade de necessidade de reajuste nos valores finais dos serviços prestados para englobar esse aumento do custo operacional. Em termos de expansão do negócio de franquias, vamos avaliar a reorganização das escalas e, a partir desta fase, rever nosso modelo de negócios e o plano de expansão”, explica.

Para Cardamoni, a implementação da medida pode trazer desafios econômicos para as empresas, com possíveis reflexos nos custos operacionais e nos preços ao consumidor.

Além disso, ele explica que há a preocupação de que parte dos trabalhadores busque atividades remuneradas nos períodos de folga, o que pode contribuir para o aumento da informalidade.

Por isso, ele avalia que a implementação dessas mudanças deve levar em consideração tanto os benefícios, como o maior tempo de descanso e de convívio com a família, quanto seus possíveis impactos na sustentabilidade das empresas e as condições de trabalho no setor.

“Nossa recomendação é que os empresários se preparem, montem simulações e cenários, mas não tomem nenhuma decisão antes de termos definições claras a serem tomadas, a não ser que entendam que as mudanças possam ser benéficas para seus negócios e seus colaboradores, independentemente do que for decidido nas leis complementares”, sugere.

O presidente da associação das pizzarias também avalia como importante um planejamento antecipado, com avaliação de diferentes cenários e implementação organizada das mudanças, para que os empresários consigam se adequar às novas exigências sem comprometer a continuidade das operações.

Adaptações por setor

Para o segmento de pizzarias, a redução da jornada de trabalho poderá exigir mudanças na organização operacional das pizzarias, especialmente daquelas que funcionam sete dias por semana ou concentram grande parte de suas vendas nas noites, nos fins de semana e nos feriados. 

Os principais pontos de atenção são:

  • Dimensionamento das equipes, avaliação da necessidade de reorganizar turnos, redistribuir atividades ou ampliar o quadro de colaboradores;
  • Planejamento das escalas, considerando os períodos de maior movimento;
  • Custos trabalhistas, análise dos impactos da redução da jornada sem diminuição salarial, incluindo custo da hora trabalhada;
  • Acompanhamento das negociações coletivas e revisão dos procedimentos de controle de jornada, folha de pagamento e contratos;
  • Ter uma contabilidade especializada no setor;
  • Maximizar produtividade e processos;
  • Identificação de oportunidades de melhoria para a organização da operação e análise de cardápio, retirando produtos com baixa margem de lucro e difíceis processos;
  • Automação de processos com sistemas integrados e que entreguem o máximo de informação para o negócio.

No caso da Saúde Livre Vacinas, o modelo de franquia facilita o compartilhamento de orientações, ferramentas e experiências entre as unidades. Ao mesmo tempo, a implementação exige atenção às diferenças locais: demanda, horário de funcionamento e tamanho das equipes variam. O papel da franqueadora é apoiar essa organização, enquanto cada franqueado conduz a gestão de sua equipe, observando as regras aplicáveis.

"O objetivo é que os benefícios sejam percebidos na prática, com escalas organizadas, descanso respeitado e condições adequadas de trabalho", conclui Argenta. 

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