CONFIRA

Semaglutida comprimido: entenda recomendações e comparação com 'canetinhas'

Novo medicamento para tratar obesidade deve chegar às farmácias no início do ano que vem, mas já movimenta interesse do setor de saúde

Bianca Bibiano

Por Bianca Bibiano

04/11/2026 | 13h20 ● Atualizado | 14h23

Divulgação/Novo Nordisk

Para especialista, opção via oral poderá reduzir estigmas do tratamento contra obesidade - Divulgação/Novo Nordisk
Para especialista, opção via oral poderá reduzir estigmas do tratamento contra obesidade
Ouvir texto 2:27 1x

A Anvisa aprovou o registro do medicamento semaglutida Wegovy na forma de comprimido, o que pode ampliar as opções de tratamento para obesidade, uma condição de saúde global crescente.

Estudos indicam que a maioria dos pacientes prefere a medicação oral, e a nova formulação pode ser utilizada por aqueles que já perderam peso com injeções, mantendo a eficácia na perda de peso.

Embora a Anvisa não tenha definido uma data específica, espera-se que o medicamento esteja disponível nas farmácias até o final do primeiro semestre de 2027, com o preço ainda a ser determinado pela CMED.

Resumo gerado por IA

São Paulo - A aprovação do registro do medicamento de semaglutida Wegovy na versão comprimido publicada hoje pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) já desperta dúvidas sobre os possíveis benefícios do medicamento para o tratamento da obesidade, considerado um dos principais problemas de saúde em nível global.

Segundo a endocrinologista Tassiane Alvarenga, especialista em obesidade, menopausa e doenças metabólicas, não se trata apenas de escolher entre uma 'canetinha' ou um 'comprimido', mas sim de entender o que se adapta a cada pessoa. Ela menciona estudos que mostram que cerca de 78% dos pacientes preferem uma medicação oral a uma medicação injetável semanal.

O tratamento da obesidade, que é uma doença crônica recidivante de difícil tratamento, depende da aderência do paciente. Muitas vezes, ao oferecer um comprimido via oral, ao quebrar o estigma da agulha de uma medicação injetável, nós podemos ampliar o arsenal terapêutico, a caixa de ferramentas no tratamento dessa doença tão complexa.
Tassiane Alvarenga, médica endocrinologista

De acordo com a médica, mesmo para pacientes que tiveram perda de peso com alguma medicação injetável, por exemplo, Wegovy ou Mounjaro, poderão usar a versão em comprimido. "Um estudo foi apresentado recentemente no EASD 2026 mostrou que pacientes que usavam Wegovy uma vez por semana ou Mounjaro uma vez por semana e trocaram para a pílula continuaram perdendo peso nessa trajetória; é uma ferramenta de manutenção do peso perdido."

Quanto vai custar?

Quanto ao preço, ainda não há definições oficiais, uma vez que a precificação de medicamentos depende das regras da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), órgão responsável pela regulação econômica do setor e que estabelece os preços máximos permitidos.

Nos Estados Unidos, onde já é vendido desde janeiro, o valor inicial da dose de 1.5 mg é de US$ 149 (cerca de R$ 818), mas pode chegar a US$ 299 na dosagem máxima de 25mg (aproximadamente R$ 1.641). Em comparação, a caneta de Wegovy de 2.4 mg/0.75 mL custa US$ 349 por lá, enquanto aqui no Brasil o preço de hoje em alguns dos principais sites de farmácias gira em torno de R$ 1.749.

Em entrevista ao VIVA em outubro, o vice-presidente executivo de operações internacionais da farmacêutica Novo Nordisk, Emil Larsen, afirmou que a fabricação da versão oral do medicamento é mais cara atualmente pois precisa de uma quantidade maior de princípio ativo do que a injeção, além de ter uma molécula de proteção contra a acidez do estômago, o que encarece os custos de produção.

Como funciona o Wegovy comprimido?

Tassiane Alvarenga explica que o Wegovy comprimido tem o mesmo tipo de semaglutida da injeção, mas empacotada em um comprimido. "É a mesma molécula presente nas famosas canetas. Nós sabemos que hoje a dose de 25 mg entrega a mesma potência de perda de peso do que o Wegovy 2.4, disponível atualmente nas farmácias, que é de, em média, 17% de perda de peso."

Ela destaca que outro estudo mostrou que um em cada três pacientes responde bem ao medicamento e perde mais de 20% do peso. "Isso é inédito quando nós falamos em um comprimido oral para o tratamento da obesidade. Pacientes que estão usando essa medicação e na semana 16 perdem mais de 10%, eles conseguem chegar à semana 64 com 22% de média de perda de peso", complementa.

Quem poderá usar esse novo medicamento?

O medicamento é indicado para pacientes com diagnóstico de obesidade, IMC acima de 30, ou paciente com sobrepeso, que é IMC acima de 27 e com alguma comorbidade, como diabetes, apneia do sono, gordura no fígado, hipertensão arterial ou colesterol alto.

"Não existe contraindicação ou alguma ponderação em relação a pacientes idosos", explica Tassiane Alvarenga. Nesse grupo, ela diz que o cuidado principal é garantir que o uso do medicamento seja acompanhado de uma dieta rica em proteína para evitar perda de massa muscular e exercício de força, como pilates, musculação, preservando a massa muscular.

Quanto às contraindicações, a médica ressalta que são semelhantes às das canetas injetáveis. "Pacientes que tenham hipersensibilidade à molécula de semaglutida, com histórico de pancreatite causada por semaglutida, com diagnóstico de neoplasia múltipla e com histórico pessoal ou familiar de cancro medular de tiroide têm contraindicação."

Quando o novo medicamento chega às farmácias?

A Anvisa ainda não tratou de datas, mas a expectativa é que o medicamento chegue ao mercado no fim do primeiro semestre de 2027, de acordo com a RD Saúde, responsável pelas redes de farmácias Raia e Drogasil.

Segundo o presidente da companhia, Renato Raduan, a rede aposta na chegada de novos produtos orais à base de GLP-1 para ampliar a concorrência e na melhora do abastecimento para impulsionar as vendas dessa categoria.

O CEO diz que os medicamentos desse tipo já representam cerca de 12% das vendas da RD Saúde, participação relativamente estável há quase um ano. Desse total, aproximadamente 8% correspondem à tirzepatida, princípio ativo do Mounjaro, enquanto a semaglutida responde por uma fatia entre 3,5% e 4%.

(Com informações de Júlia Pestana, da Broadcast)

Comentários

Política de comentários

Este espaço visa ampliar o debate sobre o assunto abordado na notícia, democrática e respeitosamente. Não são aceitos comentários anônimos nem que firam leis e princípios éticos e morais ou que promovam atividades ilícitas ou criminosas. Assim, comentários caluniosos, difamatórios, preconceituosos, ofensivos, agressivos, que usam palavras de baixo calão, incitam a violência, exprimam discurso de ódio ou contenham links são sumariamente deletados.