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Sobre a coluna

De “filha da Lixeira” a referência em educação financeira. É economista, LinkedIn Top Voice e palestrante. Ajuda pessoas a reescreverem sua história com o dinheiro.


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A sua vida financeira começou muito antes de seu primeiro salário

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A importância que a família dá para o dinheiro é o primeiro passo na educação financeira - Envato
A importância que a família dá para o dinheiro é o primeiro passo na educação financeira

Porto Alegre - Quando pensamos em vida financeira, é comum imaginar o primeiro emprego, a abertura da conta bancária ou o primeiro salário. Mas a verdade é que nossa relação com o dinheiro começa muito antes disso. Ela nasce nas conversas que ouvimos em casa, nas preocupações que percebemos, nos exemplos que observamos e até nos silêncios que marcaram nossa infância.

Muito antes de aprender sobre orçamento, investimentos ou planejamento financeiro, aprendemos o que o dinheiro significava dentro da nossa família.

Para alguns, ele representava tranquilidade. Para outros, preocupação constante. Houve quem crescesse ouvindo que era preciso economizar cada centavo e quem aprendesse que dinheiro era um assunto proibido. Essas experiências moldam nossa forma de pensar, sentir e decidir ao longo da vida.

Não por acaso, duas pessoas com rendas semelhantes podem ter comportamentos completamente diferentes. Enquanto uma consegue organizar as finanças e planejar o futuro, outra vive angustiada com a sensação de que nunca será suficiente. A diferença nem sempre está nos números e sim, na história.

Herdamos muito mais do que patrimônio

Antes de herdarmos dinheiro ou bens, herdamos histórias. Herdamos hábitos, crenças, medos, expectativas e formas de lidar com a escassez ou com a abundância."

Frases como "dinheiro não dá em árvore", "isso não é para pessoas como nós" ou "só é rico quem nasceu rico" podem parecer apenas comentários do cotidiano, mas acabam influenciando, de forma inconsciente, as escolhas que fazemos na vida.

Cada pessoa desenvolve essa relação de maneira diferente. Quem viveu situações de privação pode buscar segurança financeira como prioridade. Quem cresceu em ambientes marcados pela instabilidade pode encontrar dificuldades para planejar o longo prazo. Há ainda aqueles que aprenderam que falar sobre dinheiro era motivo de vergonha ou conflito.

Nenhuma dessas experiências determina o futuro, mas todas ajudam a explicar por que lidamos com o dinheiro de maneiras tão diferentes.

Minha história pessoal

Eu cresci em um contexto de muitas privações, no qual o dinheiro representava, antes de tudo, sobrevivência.

Minha mãe era gari. Foi observando sua força e sua luta diária que compreendi, desde muito cedo, o valor do trabalho e o impacto que a falta de recursos exerce sobre a vida das pessoas.

capa do livro Ao escrever o livro “Do lixo a Paris: minha jornada de filha da Lixeira a referência em educação financeira”, revisitei minha própria trajetória e compartilhei como é possível ressignificar dificuldades e que origem é um ponto de partida, mas
O livro “Do lixo a Paris", da Editora Leader - Divulgação

Foi nesse contexto que nasceu minha paixão pela economia. Ainda na pré-adolescência, eu acompanhava com atenção os noticiários na televisão e me interessava pelos temas econômicos. Mesmo sem dominar os conceitos técnicos, intuía que aquelas notícias tinham relação direta com a vida das pessoas e com o dinheiro que entrava ou deixava de entrar dentro de casa.

Foi essa descoberta que me levou a estudar economia e, mais tarde, a dedicar minha carreira à educação financeira.

Ao escrever o livro “Do lixo a Paris: minha jornada de filha da Lixeira a referência em educação financeira”, revisitei minha própria trajetória e compartilhei como é possível ressignificar dificuldades e que origem é um ponto de partida, mas não destino. E, sobretudo, como o conhecimento pode transformar a relação que construímos com o dinheiro e com as oportunidades da vida.

O silêncio também educa

Nem toda educação financeira acontece por meio de conversas. O silêncio também ensina. Quando uma criança percebe que falar de dinheiro gera discussões, que as contas são escondidas ou que determinados assuntos nunca podem ser mencionados, ela aprende que dinheiro é um tema cercado de medo, culpa ou tensão.

Na vida adulta, isso pode se refletir na dificuldade de organizar as finanças, negociar dívidas, pedir ajuda ou até conversar sobre orçamento dentro da própria família.

Por isso, educar financeiramente também significa criar ambientes onde seja possível falar sobre dinheiro com naturalidade, responsabilidade e respeito."

A educação financeira não apaga as experiências da infância, mas amplia nossa capacidade de escolha. Ela nos ajuda a compreender os hábitos que desenvolvemos, identificar crenças que já não fazem sentido e construir uma relação mais saudável com o dinheiro.

Mais do que ensinar a controlar despesas, ela fortalece a autonomia, incentiva o planejamento e amplia as oportunidades. É um processo que transforma não apenas contas bancárias, mas perspectivas de vida.

Cinco lições para refletir sobre sua história financeira

1. Resgate suas primeiras lembranças sobre dinheiro

Pergunte a si mesmo: o que eu ouvia sobre dinheiro quando era criança? Muitas respostas para os comportamentos atuais podem estar nessas memórias.

2. Identifique suas crenças

Complete mentalmente a frase: "Dinheiro é...". Sua resposta pode revelar ideias que orientam suas decisões até hoje.

3. Fale sobre dinheiro sem tabus

Conversar sobre orçamento, sonhos e planejamento fortalece relações familiares e contribui para decisões mais conscientes.

4. Invista em conhecimento

Educação financeira não é apenas aprender a economizar. É desenvolver autonomia para fazer escolhas alinhadas aos próprios objetivos.

5. Lembre-se de que toda história pode ganhar novos capítulos.

Nossa origem explica parte da caminhada, mas não precisa definir o destino.

Mensagem para você

A principal mensagem que desejo compartilhar neste artigo é simples: sua vida financeira começou muito antes do primeiro salário. Mas, ao compreender a história que moldou sua relação com o dinheiro, você ganha a possibilidade de romper ciclos, fazer escolhas mais conscientes e construir um futuro que honre sua trajetória, sem ficar limitado por ela.

Estamos vivendo mais... mas além de viver mais, podemos viver melhor! Para isso, é essencial entender que nossa história continua sendo escrita todos os dias.  

Até o próximo artigo!

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