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Como cuidar dos cabelos na quimioterapia: veja dicas e orientações médicas

Cuidados específicos podem ajudar na recuperação dos fios e na autoestima das mulheres que enfrentaram câncer de mama e passam pela queda dos cabelos

Bianca Bibiano

Por Bianca Bibiano

29/10/2026 | 08h43

Reprodução/Acervo pessoal

Claudia e Ana Cristina passaram por quimioterapia e contam sobre os tratamentos que buscaram - Reprodução/Acervo pessoal
Claudia e Ana Cristina passaram por quimioterapia e contam sobre os tratamentos que buscaram
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O diagnóstico de câncer de mama impacta profundamente a vida das mulheres, especialmente em relação à perda de cabelo causada pela quimioterapia, o que afeta sua identidade e equilíbrio emocional.

Avanços na oncologia, como a crioterapia capilar, têm sido adotados para minimizar a queda de cabelo durante o tratamento, com cerca de 70% das pacientes conseguindo preservar parte dos fios.

Profissionais de saúde recomendam um atendimento multiprofissional para apoiar as pacientes, e protocolos de cuidados tricológicos estão sendo implementados para acelerar a recuperação capilar após a quimioterapia.

Resumo gerado por IA

São Paulo - O impacto do diagnóstico de um câncer de mama mexe profundamente com a rotina, o equilíbrio emocional e a identidade das mulheres. Logo após a notícia, uma das preocupações mais frequentes recai na perda dos cabelos provocada pela quimioterapia.

Atualmente, contudo, avanços na oncologia e na tricologia médica oferecem alternativas para tentar preservar parte da haste capilar durante as infusões e para acelerar o crescimento saudável dos novos fios após o término dos tratamentos. 

Por que os cabelos caem na quimioterapia?

A queda dos cabelos, seja parcial ou total, costuma ter início entre duas e três semanas após a primeira sessão de quimioterapia. Segundo o médico Daniel Gimenes, oncologista especializado em câncer de mama da Beneficência Portuguesa de São Paulo, o efeito colateral decorre do próprio mecanismo de ação das drogas oncológicas.

"São algumas quimioterapias, não são todas, que fazem a queda de cabelo. O que acontece é que as células do bulbo capilar têm uma taxa muito exagerada de multiplicação e acabam sendo muito sensíveis aos efeitos da quimioterapia. Quando ela inicia, em geral de duas a três semanas a queda de cabelo acontece", detalha o oncologista.

Gimenes explica que cerca de um mês após o encerramento do ciclo de quimioterápicos, a paciente já pode iniciar um acompanhamento com dermatologistas e tricologistas para avaliar a introdução de suplementos específicos, como a biotina, visando dar suporte à recuperação capilar.

Para o médico e tricologista Luciano Barsanti, diretor médico do Instituto do Cabelo, o impacto desse processo extrapola os limites biológicos e atinge em cheio a psicologia feminina.

A paciente chega preocupada porque não são só cabelos; o cabelo nasce da alma da mulher. Quando ela se sente já curada, se sente bem, ela quer de volta os seus cabelos.
Luciano Barsanti, médico e tricologista

Ele reforça a importância de que a paciente tenha um atendimento multiprofissional, compreendendo o oncologista, o tricologista, a nutricionista e o suporte psicológico.

O que é crioterapia capilar?

Durante as aplicações, recursos complementares e não invasivos têm sido adotados para mitigar os danos aos folículos. O principal deles é a crioterapia capilar, sistema que utiliza capacetes resfriados a temperaturas negativas para proteger o couro cabeludo.

Conforme explica Daniel Gimenes, o método tem respaldo regulatório e protocolo bem estabelecido. "A crioterapia nada mais é que uma touca gelada que faz um processo de vasoconstrição do couro cabeludo e não permite que a quimioterapia chegue no couro cabeludo. Tem dados de segurança dessas técnicas, e isso foi implementado no Brasil após aprovação da Anvisa."

Em geral, o processo de diminuição da temperatura do couro cabeludo começa 30 minutos antes da quimioterapia, com uma touca especial colocada na cabeça da paciente. Após o término da infusão, ela fica com a touca por mais uma hora e meia.

O especialista ressalta que a segurança do tratamento está ligada principalmente a tumores sólidos. Não está indicado em leucemias e linfomas. Mas no câncer de mama, o tratamento, segundo ele, é tranquilo e seguro.

O impacto da queda de cabelos na autoestima

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Claudia Campos buscou técnica de resfriamento do couro cabeludo para reduzir queda - Acervo pessoal

Luciano Barsanti pondera que a paciente precisa ter clareza sobre os resultados esperados para não criar falsas expectativas. "Nós precisamos explicar para essa paciente se essa situação de ganho vai satisfazê-la, se o sacrifício de se expor a esse desconforto durante a quimioterapia vale a pena o resultado."

Cerca de 70% dessas pacientes submetidas à touca térmica têm resultado no sentido de conservar uma parte dos fios de cabelo. Já em caso de  metástase que atinja o couro cabeludo, existem contraindicações absolutas da touca, afirma.

A consultora em marketing e comunicação Claudia Campos, de 62 anos, descobriu o câncer de mama já em estágio avançado com metástase, e encontrou na touca uma alternativa à raspagem imediata.

"A gente pensa no câncer, pensa na quimio e já associa a ficar careca. Eu sou uma pessoa bem vaidosa. Tem mulheres que encontram até um empoderamento na ação de já raspar o cabelo na primeira quimio, mas eu não conseguia me ver nessa atitude. Quando a equipe falou da touca, me apeguei muito a isso", relatou ao VIVA.

A consultora recorda que o processo exigiu resiliência. "Apostei que seria a bala de prata, mas não é bem assim, o cabelo cai bastante." Mas ela terminou a quimio e recomenda o processo.

Usei chapeuzinho, lace, lencinhos, variei bastante o visual. Hoje, um mês após o término, já vejo alguns fiozinhos nascendo. Cabelo para mulher mexe muito com a autoestima, e conseguir preservar isso com apoio médico e psicológico me trouxe paz."
Claudia Campos, consultora em marketing

Cuidados para a recuperação dos folículos

Para a cuidadora e manicure Ana Cristina da Silva, também com 62 anos, diagnosticada em 2020 e atualmente curada após passar por quimioterapia e radioterapia, o processo de tratamento começou após a perda total dos fios. Mesmo após a remissão, o uso contínuo de bloqueadores hormonais como o anastrozol manteve o topo de sua cabeça ralo.

Por meio de uma parceria entre o projeto social Instituto Rosa do Bem e o Instituto do Cabelo, ela ingressou em um protocolo de tricologia voltado ao estímulo do folículo. "Eu perdi todos os meus cabelos, fiquei careca. E os cabelos para a mulher são muito importantes".

No tratamento, ela recebeu produtos para tratar a oleosidade, xampus específicos de jaborandi e buriti e fez sessões na clínica. "Na última consulta, quando o doutor passou o aparelho no couro cabeludo, pude ver muitos nascendo, que são os cabelinhos novos. Fiquei muito feliz em ver o resultado", comemora.

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Ana Cristina da Silva ficou careca, mas conseguiu tratamento e recuperou os cachos - Acervo pessoal

O protocolo clínico ao qual Ana Cristina foi submetida envolve tecnologias que aceleram a recuperação do folículo sem procedimentos invasivos.

Barsanti explica que utiliza três formas de estímulo: a fotobioestimulação com laser de baixo comprimento de onda, os microestímulos elétricos e a ionização do couro cabeludo com ativos naturais por repulsão de cargas, sem agulhas.

"Em 12 a 15 meses de protocolo, o cabelo, que normalmente cresce à velocidade de 1 centímetro ao mês, pode atingir até 1,7 centímetro ao mês", afirma.

O médico adverte ainda contra armadilhas comuns no processo, como a automedicação e o uso incorreto de próteses capilares:

"Faço um apelo para evitar o uso indiscriminado de complexos vitamínicos sem que haja deficiência comprovada em exames. O excesso de vitaminas pode provocar gastrites e sobrecarga hepática em um organismo que já passou pela agressão da quimioterapia".

Já para quem opta por perucas e próteses,  ele recomenda jamais utilizar modelos com cola ou adesivos diretos na pele, pois a tração ao retirá-los arranca os folículos viáveis e pode causar infecções. "O modelo ideal é sempre o de encaixe suave", ressalta.

Superada a fase mais crítica, Ana Cristina destaca a importância do tratamento na transformação do olhar para si mesma. 

Antes eu fazia progressiva, hoje deixei meu cabelo natural, com os meus cachinhos. Aprendi a cuidar de mim primeiro. Para as mulheres que estão enfrentando isso agora, o conselho é não desistir da sua autoestima, persistir pelo que deseja e buscar apoio especializado.
Ana Cristina da Silva, manicure

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