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Decreto que regulamenta fim da escala 6x1 deve sair na segunda

Luiz Marinho, ministro do Trabalho e Emprego, afirmou que documento orientará adaptação das jornadas por meio de acordos coletivos

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Por Broadcast

05/11/2026 | 08h13

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Ministro disse que ainda buscava espaço na agenda de Lula para tratar do assunto - Adobe Stock
Ministro disse que ainda buscava espaço na agenda de Lula para tratar do assunto
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O ministro do Trabalho, Luiz Marinho, anunciou a publicação de um decreto que regulamentará a emenda constitucional que extinguiu a escala 6x1 e reduziu a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais, prevista para a próxima segunda-feira, 9, após aprovação do presidente Lula.

O decreto não especificará setores, mas indicará possibilidades de jornadas adaptáveis às novas regras, garantindo aos trabalhadores oito folgas mensais, cuja distribuição dependerá de acordos coletivos entre as partes.

Entidades empresariais, como a CNI e a CNC, questionam a emenda no STF, solicitando a suspensão de sua aplicação para micro e pequenas empresas e um adiamento na implementação da nova jornada, argumentando que a transição é insuficiente para ajustes necessários nas empresas.

Resumo gerado por IA

Brasília – O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, afirmou nesta quarta-feira, 4, que pretende publicar na próxima segunda-feira, 9, o decreto que regulamentará a emenda constitucional que acabou com a escala 6x1 e reduziu a jornada de trabalho de 44 para 40 horas semanais. A publicação ainda depende de um despacho com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), previsto para quinta-feira, 5.

“Dependendo da minha pretensão, nós soltaremos a publicação do decreto regulamentador segunda-feira para trazer um processo coordenado junto a todo o setor da economia para a implantação das várias escalas que cada setor eventualmente pretende implantar, respeitando rigorosamente a PEC”, disse Marinho.

Segundo o ministro, o decreto não apresentará uma lista de setores, mas indicará possibilidades de jornadas existentes e como poderão ser adaptadas às novas regras. Os trabalhadores terão direito a oito folgas por mês, mas a forma de distribuição dependerá de acordos coletivos.

“O que nós vamos dizer no decreto é: nesse caso, a convenção coletiva pode fazer isso; em outro caso, a convenção coletiva pode fazer aquilo. O decreto vai orientar que as partes se acertem na convenção coletiva para ajustar o seu melhor modelo”, afirmou.

Marinho disse que ainda buscava espaço na agenda de Lula para tratar do assunto e cumprir o prazo estabelecido. Segundo ele, a regulamentação é a prioridade do Ministério do Trabalho, seguida pela proteção contra casos de assédio eleitoral.

O ministro afirmou também que já há um acordo para que a pasta adapte normas reguladoras de determinados setores às novas exigências constitucionais. “Nós assumimos fazer a adequação das normas para que o setor crie condições de cumprir a exigência da PEC e as duas folgas na semana”, declarou.

Entidades empresariais questionam fim da 6x1

A regulamentação será publicada em meio a questionamentos de entidades empresariais no Supremo Tribunal Federal (STF). A Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) acionaram a Corte contra o fim da escala 6x1 e a redução da jornada semanal.

A CNI pede que a emenda seja suspensa para microempresas e empresas de pequeno porte até que o Legislativo edite uma lei complementar sobre o tema. A entidade também quer suspender o trecho que prevê a perda de eficácia, em até dois meses, dos acordos e convenções coletivas vigentes incompatíveis com a nova escala.

“A Constituição impõe ao legislador o tratamento diferenciado entre as empresas classificadas como micro ou de pequeno porte. A toda evidência, empresas de menor porte, que são a base da economia nacional, terão maior dificuldade de adaptação à jornada reduzida de 40 horas”, afirmou o diretor Jurídico da CNI, Alexandre Vitorino.

Segundo a confederação, a redução da jornada para 40 horas semanais sem corte de salário elevará em 11,1% o custo do trabalho formal na indústria, o equivalente a R$ 88 bilhões. A entidade também pede que, após eventual concessão de liminar, a ação seja encaminhada ao núcleo de soluções consensuais do STF.

A CNC, por sua vez, pede o adiamento da primeira etapa da transição para 16 de outubro de 2027. A entidade defende ainda que a redução da jornada para 40 horas semanais comece a ser implementada em outubro de 2028. Para a confederação, o prazo de 60 dias previsto para o início da transição é insuficiente para que as empresas contratem trabalhadores, reestruturem turnos e renegociem convenções coletivas.

A emenda constitucional, promulgada em outubro, prevê que a primeira etapa da transição comece em 16 de dezembro deste ano, quando a jornada máxima semanal cairá de 44 para 42 horas e os trabalhadores passarão a ter garantidos dois dias de descanso remunerado. Doze meses depois, o limite será reduzido para 40 horas semanais.

O processo da CNI deve ser distribuído ao ministro Flávio Dino, que já foi sorteado relator da ação apresentada pela CNC para adiar o fim da escala 6x1 para 2027.

(Por Mateus Maia e Lavínia Kaucz)

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