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Felicidade no trabalho cai 9,3% e fica abaixo da média global, aponta estudo

Pesquisa mostra que índice de felicidade no trabalho no País foi de 6,8, abaixo também da média registrada na América Latina

Claudio Marques

Por Claudio Marques

05/11/2026 | 08h05

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Outro dados do estudo foi a redução de 11,4% na sensação de ser valorizado - Adobe Stock
Outro dados do estudo foi a redução de 11,4% na sensação de ser valorizado
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O 'Índice de Felicidade no Trabalho no Brasil' caiu 9,3% em 2026, atingindo 6,8, o que coloca o país abaixo da média global e da média da América Latina.

O estudo revelou que, apesar de boas notas em clareza de atribuições e colaboração, os indicadores de crescimento profissional e reconhecimento apresentaram quedas significativas, com a progressão de carreira marcando apenas 5,5.

Para melhorar a situação, a recomendação de especialistas é que as empresas adotem práticas que promovam a transparência nas carreiras, desenvolvam lideranças que escutem e apoiem os colaboradores, e estabeleçam culturas de reconhecimento genuíno, visando aumentar o engajamento e a satisfação no trabalho.

Resumo gerado por IA

São Paulo - O "Índice de Felicidade no Trabalho no Brasil" caiu 9,3% em 2026, passando de 7,5, em 2025, para 6,8, numa escala de 0 a 10, segundo a terceira edição do estudo realizado pela Pluxee, em parceria com a plataforma britânica The Happiness Index.

O levantamento ouviu 11.208 profissionais de todas as regiões do País. Com o resultado, o Brasil ficou 6,8% abaixo da média global, de 7,3, e 9,3% abaixo da média da América Latina, de 7,5.

Entre os pontos positivos, o Brasil manteve resultados próximos ou superiores aos indicadores globais em relação à clareza sobre as atribuições profissionais, que recebeu nota 8,0, ante 8,1 da média mundial. A percepção de que o trabalho individual contribui para o sucesso da organização alcançou 7,9, acima dos 7,6 registrados globalmente. A colaboração entre colegas também ficou acima da média internacional: 7,3 contra 7,0.

Por outro lado, os indicadores relacionados a crescimento profissional, reconhecimento e propósito apresentaram resultados inferiores. A progressão de carreira obteve nota 5,5, 15,4% abaixo da média global e 20,3% inferior à da América Latina. O indicador também recuou 12,7% em relação a 2025. As oportunidades de aprendizado diminuíram 10,1%.

A inspiração proporcionada pela organização recebeu nota 5,8, 13,4% abaixo da média global. Já a percepção de valorização individual ficou em 6,2, com queda de 11,4% na comparação anual.

Os resultados mostram uma diferença importante entre estar produtivo e estar verdadeiramente conectado ao trabalho. O profissional brasileiro sabe qual é o seu papel e entende como sua contribuição impacta o negócio, mas, em muitos casos, falta perceber que essa contribuição é reconhecida, que existe espaço para crescer e que há um futuro possível dentro da organização.
Fabiana Galetol, diretora de Pessoas e Responsabilidade Social Corporativa da Pluxee Brasil

"Para as empresas, o desafio é olhar para a experiência cotidiana e para a qualidade das relações que constroem esse vínculo. É essa conexão que ajuda a transformar produtividade em engajamento”, acrescenta Galetol.

A pesquisa também identificou diferenças no índice de felicidade conforme o perfil dos trabalhadores. Entre os grupos etários, os profissionais de 19 a 29 anos registraram a menor nota, de 6,4, enquanto aqueles com 60 anos ou mais alcançaram 7,4.

Relações com gestores e colegas

Os indicadores relacionados às relações profissionais também registraram quedas entre 2025 e 2026. A frequência de feedback diminuiu 20,5%, enquanto a avaliação do relacionamento com a liderança direta recuou 14,6%. A percepção de que as interações com colegas aumentam a energia e a motivação caiu 13,1%.

Também houve redução de 11,4% na sensação de ser valorizado como indivíduo e de 11,6% na percepção de que as opiniões dos profissionais são ouvidas.

Nos relatos qualitativos, entre as experiências positivas mencionadas pelos participantes estão gestores que oferecem autonomia, confiança, escuta e apoio em momentos pessoais difíceis. Entre as avaliações negativas aparecem situações de autoritarismo, microgestão, distanciamento, falta de transparência e feedback concentrado principalmente em situações de erro.

Intenção de permanência

De acordo com o levantamento, 67% dos profissionais brasileiros estão propensos a permanecer nas empresas em que trabalham, porcentual inferior à média global, de 72%. Por outro lado, 22% demonstram predisposição a deixar a organização nos próximos 12 meses, ante 14% no indicador internacional.

O Employee Net Promoter Score (eNPS) brasileiro ficou em +8, acima da média global, de +1. O resultado foi impulsionado pelos 46% de profissionais considerados promotores, ou seja, que recomendariam a empresa como um bom lugar para trabalhar.

Trabalho remoto e de campo

Em relação ao modelo de trabalho, os profissionais em regime remoto registraram a maior nota, de 7,4, enquanto os trabalhadores de campo apresentaram o menor índice, de 6,4.

“Não existe uma única iniciativa capaz de explicar ou resolver a felicidade no trabalhor”, diz Galetol. Como recomendações às organizações, o estudo aponta quatro frentes de atuação: criação de caminhos transparentes de carreira, baseados em mérito; desenvolvimento de lideranças voltadas à escuta e ao apoio; estabelecimento de culturas de reconhecimento frequente e genuíno; e aproximação entre os valores declarados pelas empresas e a experiência efetiva dos colaboradores.

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