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Bebidas alcóolicas no Carnaval: entenda riscos e cuidados no consumo

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Blocos lotados, dias seguidos de festa e altas temperaturas criam o cenário perfeito para exageros - Envato
Blocos lotados, dias seguidos de festa e altas temperaturas criam o cenário perfeito para exageros
Por Marcel Naves

07/02/2026 | 13h00 ● Atualizado | 13h03

São Paulo, 07/02/2026 - Com a chegada do Carnaval 2026, blocos lotados, dias seguidos de festa e altas temperaturas criam o cenário perfeito para exageros. E é justamente por isso que profissionais de saúde defendem planejamento, hidratação e atenção aos próprios limites como medidas fundamentais para aproveitar a folia.

Um dos primeiros efeitos a ser notado é a desidratação, uma vez que o álcool aumenta a eliminação de líquidos pela urina, reduzindo os níveis de minerais importantes para o organismo.

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O fígado, responsável por metabolizar o álcool, trabalha em ritmo acelerado, produzindo substâncias tóxicas que estão associadas a sintomas comuns da ressaca, como dor de cabeça, enjoo, cansaço intenso e mal-estar generalizado.

O sistema nervoso central também sofre interferências, o que pode resultar em alterações de humor, falhas de memória e sensação de abatimento no dia seguinte.

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Em situações mais graves, o excesso pode evoluir para quadros de intoxicação alcoólica, com risco real à vida.

Redução de danos

De acordo com o  Centro de Estudos e Pesquisas Dr. João Amorim (Cejam), pequenas atitudes podem ser tomadas durante os dias de Carnaval.

A primeira recomendação é não beber de estômago vazio, pois a alimentação adequada antes e durante o consumo de álcool diminui a velocidade de absorção da bebida. Carboidratos, proteínas e gorduras saudáveis sempre são boas opções para uma maior proteção ao organismo.

A hidratação contínua, por sua vez, é uma das principais recomendações. Por isso, é sempre aconselhável intercalar bebidas alcoólicas com água. A estratégia ajuda a minimizar a perda de líquidos e sais minerais, especialmente em ambientes quentes e em longos períodos ao ar livre.

Dormir bem permite que o corpo se recupere e processe o álcool de forma mais eficiente. O descanso, muitas vezes negligenciado durante o Carnaval, é igualmente importante.

Em relação à segurança, nunca beba de copos oferecidos por desconhecidos. Isso aumenta o risco de ingestão de bebidas batizadas com drogas para facilitar roubos, abusos ou outras situações de violência. Compre sua própria bebida, acompanhe o preparo e mantenha o copo sob sua supervisão.

Exagerei, e agora?

Se mesmo após todas as dicas você acordou de ressaca, a orientação é priorizar a reidratação com água, chás claros e bebidas isotônicas. A alimentação deve ser leve, com sopas, frutas e alimentos de fácil digestão.

Consumir mais álcool para aliviar os sintomas é um mito perigoso, já que essa prática apenas sobrecarrega ainda mais o fígado. O descanso continua sendo uma das formas mais eficazes de recuperação.

Intoxicação por metanol

A adulteração de bebidas alcoólicas com metanol para baratear o preço dos produtos levou a um surto inédito de intoxicação pela substância no Brasil. O metanol pode causar danos graves à saúde.

Na última semana, o Estado de São Paulo confirmou a 12ª morte por intoxicação após o consumo de bebida alcoólica contaminada por metanol.

Os principais sintomas devido à intoxicação por metanol podem aparecer entre 12h e 24h após a ingestão da substância. Os sintomas iniciais podem ser confundidos com uma embriaguez severa, mas evoluem rapidamente para dor abdominal, visão embaçada e dificuldade respiratória.

Se houver sintomas após a ingestão de álcool, busque atendimento de urgência imediatamente. Informe ao médico detalhes como o tipo de bebida, local da compra e horário do consumo.

Canais de emergência:

  • CCI (Centro de Controle de Intoxicações de SP): 0800 771 3733
  • Disque-Intoxicação (Anvisa): 0800 722 6001

Tratamento

De acordo com o Ministério da Saúde os casos confirmados de intoxicação por metanol, o antídoto recomendável é o etanol farmacêutico. O produto é feito por laboratórios e farmácias de manipulação, em grau de pureza adequado para uso médico.

A administração, intravenosa ou oral, é sempre controlada. Quando há necessidade clínica, os Centros de Informação e Assistência Toxicológica (CIATox) ou as secretarias de saúde solicitam a manipulação do produto

Intoxicação alcoólica

A intoxicação grave por álcool ocorre quando a quantidade ingerida é tão alta que afeta áreas do cérebro responsáveis por funções vitais, tais como respiração, batimentos cardíacos e controle da temperatura corporal. Os sinais de alerta incluem confusão mental, dificuldade para permanecer acordado, vômitos repetidos, queda da temperatura do corpo e podem chegar a convulsões.

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Esses quadros podem levar a danos cerebrais permanentes ou à morte. Qualquer pessoa pode estar em risco, mas a intoxicação é mais comum em situações caracterizadas pela ingestão de várias doses em curto intervalo de tempo. Adolescentes e adultos jovens aparecem com maior frequência entre os atendimentos de emergência.

Diante de sinais de intoxicação alcoólica, agir rápido pode fazer a diferença. Ao perceber que alguém apresenta esses sintomas, a orientação é buscar atendimento médico imediatamente, pois quanto mais cedo o socorro chegar, menores são os riscos de complicações graves. Em alguns bloquinhos, estão disponibilizados ambulâncias, que podem ser o ponto de ajuda mais perto e rápido. 

Cuidados fundamentais

Evite tentativas caseiras ou improvisadas, medidas como banho frio, oferecer café, doces ou tentar acordar a pessoa, Estas ações  não neutralizam os efeitos do álcool podendo inclusive agravar o quadro.

Esteja pronto para fornecer informações à equipe médica, sempre que possível. Saber que tipo de bebida foi consumida, a quantidade ingerida, se houve uso de outras substâncias e se a pessoa tem problemas de saúde conhecidos ou alergias a medicamentos é de fundamental bimportância.

Não deixe a pessoa sozinha, por  risco de quedas, perda de consciência e sufocamento. O ideal é mantê-la sentada ou no chão, em posição segura, evitando que tente se levantar sem apoio.

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Se houver vômito, ajude a evitar engasgos, oriente a pessoa a inclinar o corpo para frente. Caso esteja inconsciente ou deitada, vire-a de lado e com a cabeça posicionada de forma que a respiração fique livre, e o vômito não seja aspirado.

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