Pesquisa Mapa da Felicidade Real revela que brasileiros estão menos felizes
O Mapa da Felicidade Real revela que apoio social e bem-estar estão em queda, especialmente entre a população acima de 60 anos
Envato
A felicidade dos brasileiros caiu drasticamente nos últimos seis meses, com apenas 61,1% da população se considerando feliz em setembro, uma queda acentuada em relação a 89,5% em fevereiro, especialmente entre os idosos, onde o índice despencou de 95,1% para 59,3%. Esse declínio coincide com um período de intensas denúncias políticas e um clima pré-eleitoral tenso.
O estudo, realizado com 1.500 pessoas, revelou que a percepção de apoio social também diminuiu, com a confiança em amigos e familiares caindo de 87,2% para 78,3%, e a insatisfação no ambiente de trabalho aumentando, especialmente entre os mais velhos, que relataram uma queda na felicidade relacionada ao emprego de 87,3% para 61,1%. Além disso, o uso de redes sociais gerou um aumento significativo na tristeza entre os idosos.
As pesquisas indicam que as conexões humanas, fundamentais para o bem-estar, estão se enfraquecendo, e a pesquisadora Renata Rivetti sugere que a situação atual reflete um desgaste emocional generalizado, exacerbado por fatores políticos e digitais. Medidas para investigar mais a fundo as causas dessa queda na felicidade são necessárias para entender melhor o fenômeno.
São Paulo - A felicidade do brasileiro despencou nos últimos seis meses, aponta o Mapa da Felicidade Real no Brasil. Se em fevereiro 89,5% da população se considerava feliz, em setembro esse número caiu drasticamente para 61,1%. O impacto é ainda mais expressivo entre os idosos 60+, público em que o índice despencou de 95,1% para 59,3%.
O levantamento foi realizado por Renata Rivetti, pesquisadora da Ciência da Felicidade, em parceria com o Instituto Ideia, especializado em opinião pública e estratégia. Ao todo, foram ouvidas 1.500 pessoas de todas as regiões do país entre os dias 4 e 8 de setembro.
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O trabalho de campo coincidiu com o ápice de denúncias envolvendo o Banco Master e integrantes do Supremo Tribunal Federal, além do acirramento do debate político pré-eleitoral.
Apesar da coincidência temporal, o estudo não perguntou diretamente aos entrevistados o que motivou a mudança. Portanto, não é possível atribuir a queda a um único evento. No entanto, os dados mostram que a retração veio acompanhada do enfraquecimento da percepção de apoio social e do aumento do mal-estar gerado pelas redes sociais.
É uma mudança muito expressiva em pouco mais de seis meses, surgindo em um momento crítico marcado por denúncias, notícias negativas e maior tensão política.
Renata Rivetti, pesquisadora da Ciência da Felicidade
Perda de conexões e redes de apoio
A parcela de entrevistados que afirma contar com o apoio de amigos ou familiares caiu de 87,2% para 78,3%. No grupo com 60 anos ou mais, a queda foi ainda mais acentuada: passou de 93,8% para 78,3%.
Para a pesquisadora, as conexões humanas são pilares fundamentais do bem-estar. Em fevereiro, essa rede de amparo era justamente uma das bases do otimismo do brasileiro. Embora o clima pré-eleitoral ajude a contextualizar o cenário, ele não deve ser interpretado como causa comprovada.
“Com a proximidade das eleições, divergências políticas ganham força nas conversas presenciais e virtuais. Pessoas que conviviam pacificamente passam a se afastar, o que afeta diretamente a sensação de apoio e pertencimento. Contudo, seria necessária uma investigação direta para confirmar essa causalidade”, pondera.
Impacto no trabalho e no ambiente digital
O desgaste também alcançou o ambiente profissional. Entre os entrevistados que trabalham, 70,8% afirmam que o emprego contribui para sua felicidade — ante 76,6% em fevereiro. Mais uma vez, o público 60+ sentiu o maior impacto, registrando uma queda expressiva de 87,3% para 61,1%.
“O resultado não significa que a população deixou de valorizar o trabalho, mas indica que essa dimensão também perdeu força em um período em que todos os indicadores analisados pioraram”, explica Renata.
Outro ponto de alerta é o impacto do consumo de conteúdo digital: o percentual de idosos que relatam sentir tristeza ao usar as redes sociais saltou de 35,2% para 63,7%.
Renata resume que o declínio da felicidade ocorre em um momento de isolamento e sobrecarga digital.
Isso revela um desgaste emocional amplo. O cenário político faz parte do contexto, mas o achado principal é que os pilares que sustentavam o bem-estar do brasileiro estão mais fragilizados.
Renata Rivetti
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