El Niño de 2026 bate recordes históricos de aquecimento no Pacífico
Fenômeno atingiu anomalias históricas em outubro e pode estar entre os mais intensos já registrados, segundo a Organização Mundial de Meteorologia
Por Pedro Marques
04/11/2026 | 08h15Adobe Stock
O El Niño de 2026 está se intensificando, com a temperatura da superfície do mar na região Niño 3.4 alcançando uma anomalia histórica de 2,47°C em outubro, o que classifica o fenômeno como muito forte e pode ter impactos significativos no clima da América do Sul.
Dados recentes mostram que a anomalia na área Niño 3 chegou a 3,56°C, enquanto outras regiões do Pacífico também registraram aquecimentos extremos, como a Niño 1+2, que atingiu 4,6°C, igualando recordes anteriores.
A Organização Mundial de Meteorologia alerta que o El Niño de 2026 pode se tornar um dos mais intensos já observados, e o monitoramento contínuo das temperaturas oceânicas será crucial para prever os efeitos climáticos no Brasil e na região.
São Paulo - O El Niño de 2026 segue ganhando força e alcançou marcas históricas de aquecimento em outubro. Na região conhecida como Niño 3.4, a Temperatura da Superfície do Mar (TSM) apresentou anomalia positiva de 2,47°C, o maior valor já registrado para o mês. O índice classifica o episódio como muito forte. Já na área Niño 3, que tem influência importante sobre o clima da América do Sul, a anomalia mensal chegou a 3,56°C.
O aquecimento acelerado continuou na reta final de outubro. Na última semana do mês, a anomalia semanal na região Niño 3.4 atingiu +2,5 °C, outro resultado recorde. Leydson Dantas, meteorologista e pesquisador do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), ressalta que é preciso cuidado ao comparar os indicadores.
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“É importante destacar que a comparação entre dados mensais e semanais requer cautela, pois representam períodos de referência distintos”, afirma.
Até então, o maior aquecimento registrado em um mês de outubro havia ocorrido durante o El Niño de 1982. Naquele período, a temperatura da superfície do Oceano Atlântico Equatorial alcançou anomalia de 2,07°C, e o fenômeno permaneceu ativo até o primeiro semestre de 1983. O episódio de 1982 é considerado um dos mais intensos já observados.
Por que o El Niño é dividido em regiões?
A divisão do Oceano Pacífico Equatorial em áreas de monitoramento ajuda os especialistas a acompanhar o El Niño–Oscilação Sul (ENOS), fenômeno que abrange episódios de El Niño, La Niña e períodos de neutralidade.
Essas regiões permitem avaliar como as mudanças na temperatura da superfície do mar interferem na circulação atmosférica em escala global. Entre elas, as áreas Niño 3 e Niño 3.4 recebem atenção especial por apresentarem relação importante com as variações do clima na América do Sul, principalmente nos padrões de chuva e temperatura do Brasil.
A Niño 3.4 tem papel de destaque no monitoramento internacional, pois é uma das principais referências para identificar e caracterizar episódios de El Niño e La Niña.
Outras regiões do Pacífico também registram recordes
Os dados semanais, acompanhados desde 1981, mostram que o aquecimento extremo não se restringe às áreas Niño 3 e 3.4. Outras partes do Pacífico Equatorial também atingiram valores expressivos na última semana de outubro.
Na região Niño 1+2, localizada próxima à costa do Peru e do Equador e com menor influência sobre o clima brasileiro, a anomalia chegou a 4,6°C. O resultado igualou o maior valor de toda a série semanal, registrado anteriormente em junho de 1983.
Já na área Niño 3, o índice alcançou 3,7°C. A marca representa um novo recorde semanal e supera o resultado anterior, de 3,6 °C, observado em dezembro de 1982.
Como o El Niño pode afetar o clima no Brasil?
O episódio de 2026 começou a se configurar em junho e apresentou aquecimento rápido nos meses seguintes. Diante da evolução do fenômeno, a Organização Mundial de Meteorologia afirma que há possibilidade de ele se tornar um dos maiores já registrados.
O El Niño é caracterizado pelo aumento anormal da temperatura das águas superficiais do Pacífico Equatorial. Essa mudança interfere na circulação da atmosfera e pode alterar os regimes de chuva e temperatura em diferentes partes do Brasil.
A intensidade dos efeitos varia conforme a força do episódio, o período do ano e as condições atmosféricas de cada região. Por isso, o acompanhamento das temperaturas do oceano e dos indicadores climáticos nas próximas semanas será importante para avaliar como o fenômeno deve evoluir e quais impactos poderá provocar no país.
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