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Eleições nos EUA: Trump sofre derrota e democratas avançam no Congresso

Republicanos perderam o controle das duas casas legislativas, enquanto democratas conquistaram vitórias importantes em disputas estaduais

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Por Broadcast

04/11/2026 | 08h00

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Partido Democrata elegeu pelo menos 228 deputados e 54 senadores - Adobe Stock
Partido Democrata elegeu pelo menos 228 deputados e 54 senadores
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Donald Trump e o Partido Republicano enfrentaram uma derrota significativa nas eleições de meio de mandato, perdendo o controle da Câmara dos Representantes e do Senado, o que reflete o descontentamento do eleitorado com suas políticas, especialmente em relação à guerra contra o Irã e à deportação de imigrantes.

Os democratas conquistaram 228 cadeiras na Câmara e pelo menos 54 no Senado, evidenciando uma resistência crescente às iniciativas de Trump e um apoio renovado ao direito ao aborto em vários Estados.

Líderes democratas foram reeleitos em Estados estratégicos e os eleitores também aprovaram emendas que garantem o direito ao aborto em Missouri e Virgínia, enquanto os democratas também ampliaram sua presença na Câmara em Iowa e em outros estados, sinalizando uma mudança no cenário político americano.

Resumo gerado por IA

Washington e São Paulo - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o Partido Republicano saíram derrotados da eleição de meio de mandato americana e perderam o controle das duas casas legislativas, a Câmara dos Representantes e o Senado. O resultado sinaliza o descontentamento do eleitorado com medidas de Trump como a guerra contra o Irã, que elevou o preço dos combustíveis e o custo de vida, e a estratégia agressiva de deportação de imigrantes.

A rejeição a Trump levou o Partido Democrata a conquistar 228 das 435 cadeiras da Câmara, contra 139 dos republicanos. No Senado, os democratas já garantiram ao menos 54 dos 100 assentos. Segundo pesquisa Reuters/Ipsos divulgada às vésperas das eleições, o presidente americano tem apenas 32% de aprovação entre o eleitorado.

Os democratas obtiveram vitórias importantes nas eleições de meio de mandato dos Estados Unidos com avanços em disputas para o Senado, a Câmara dos Representantes e governos estaduais. Os resultados também indicaram resistência de eleitores a iniciativas defendidas pelo presidente Donald Trump, como o redesenho de distritos eleitorais, além de reforçarem a proteção ao direito ao aborto em alguns Estados.

Na Geórgia, o senador democrata Jon Ossoff foi reeleito ao derrotar o republicano Mike Collins, bloqueando uma tentativa do partido de Trump de conquistar a cadeira. A vitória representa uma reviravolta em relação ao cenário do ano passado, quando os republicanos demonstravam otimismo no Estado, vencido por Trump por pequena margem na eleição presidencial de 2024.

Outras vitórias democratas no Senado foram registradas em New Hampshire, onde Chris Pappas, o primeiro parlamentar abertamente gay, derrotou John Sununu; em Nova Jersey, onde Cory Booker conquistou um terceiro mandato completo ao vencer Justin Murphy; e na Carolina do Norte, onde o ex-governador Roy Cooper derrotou Michael Whatley. As disputas eram consideradas importantes para a tentativa democrata de recuperar o controle da Câmara Alta.

Em Minnesota, a democrata Peggy Flanagan derrotou a republicana Michele Tafoya e conquistou uma cadeira no Senado. Atual vice-governadora e integrante do povo Ojibwe, Flanagan será a primeira mulher indígena eleita para a Casa. Ela substituirá Tina Smith, que não concorreu à reeleição. Em discurso a apoiadores, afirmou que é hora de “novas vozes” sacudirem o partido e que “os poderosos” precisam ouvir.

Avanço em governos estaduais

Os democratas também conquistaram governos estaduais em disputas consideradas estratégicas. Em Michigan, a secretária de Estado Jocelyn Benson derrotou o republicano John James e garantiu a permanência do cargo com o partido. Ela sucederá Gretchen Whitmer, impedida de concorrer novamente por limites de mandato.

Benson ganhou projeção nacional por defender a apuração e o resultado das eleições de 2020, contestados repetidamente por Trump e seus aliados após a derrota do republicano no Estado para Joe Biden. Ela também foi a principal administradora eleitoral de Michigan nas eleições de 2020 e 2024. O democrata Garlin Gilchrist venceu a disputa para secretário de Estado.

Em Iowa, o democrata Rob Sand foi eleito governador ao derrotar o republicano Zach Lahn, encerrando mais de duas décadas de controle republicano do cargo. Atual auditor estadual, Sand afirmou que será necessário “trabalhar juntos” a partir de janeiro.

O partido também conquistou o governo do Texas com Gina Hinojosa, que derrotou Greg Abbott. Ela será a primeira mulher latina a governar o Estado e a primeira democrata no cargo em mais de 30 anos. Segundo Hinojosa, Abbott telefonou para parabenizá-la e oferecer apoio durante a transição.

Na Califórnia, Xavier Becerra derrotou o republicano Steve Hilton e foi eleito governador, sucedendo Gavin Newsom, impedido de concorrer novamente. Becerra será o primeiro governador latino do Estado desde o fim do século 19 e prometeu enfrentar políticas do governo Trump. Em Illinois, o democrata JB Pritzker venceu a disputa por um terceiro mandato, derrotando Darren Bailey.

Virada democrata em Iowa e resultados na Câmara

Em Iowa, os democratas ampliaram seus ganhos também na Câmara dos Representantes. O partido, que chegou à eleição sem nenhuma cadeira do Estado na bancada, passou a conquistar três das quatro vagas.

No primeiro distrito, Christina Bohannan derrotou a republicana Mariannette Miller-Meeks, depois de ter perdido por cerca de 800 votos na disputa de dois anos antes. No terceiro distrito, Sarah Trone Garriott venceu Zach Nunn. No segundo, Lindsay James derrotou Joe Mitchell em uma disputa por cadeira aberta, após Ashley Hinson decidir concorrer ao Senado.

Na disputa pela vaga no Senado deixada pela republicana Joni Ernst, o democrata Josh Turek derrotou Hinson. A campanha foi marcada por investimentos expressivos dos dois partidos, em meio a pressões sobre agricultores, combustíveis caros e tarifas. Após a derrota, Hinson afirmou que continuará “lutando pelo bom senso”.

Em Nova Jersey, os democratas também conquistaram vitórias na Câmara. Analilia Mejia foi reeleita no 11º distrito; LaMonica McIver, no 10º; Donald Norcross, no primeiro; e Rob Menendez, no oitavo. Adam Hamawy venceu no 12º distrito.

Na Carolina do Norte, Alma Adams foi reeleita no 12º distrito, Valerie Foushee venceu no quarto e Deborah Ross confirmou novo mandato no segundo. Outros resultados incluem a vitória de Chris Rabb na Pensilvânia, no terceiro distrito, e a reeleição de Brendan Boyle no segundo. No Texas, Christian Menefee foi reeleito no 18º distrito.

Na Califórnia, Richard Pan venceu a eleição para a Câmara no sexto distrito ao derrotar Kevin Kiley. Médico e ex-senador estadual, Pan foi alvo do movimento antivacina após patrocinar uma lei que eliminou exceções filosóficas e religiosas às exigências de imunização escolar.

Entre os republicanos, H. Griffith venceu a eleição no nono distrito da Virgínia, e Austin Scott foi reeleito no oitavo distrito da Geórgia.

Direito ao aborto avança no Missouri e na Virgínia

Os eleitores também rejeitaram, no Missouri, uma emenda à Constituição estadual que restabeleceria restrições à maior parte dos abortos. Na prática, a votação reafirmou a decisão tomada dois anos antes, quando o Estado se tornou o primeiro do país a derrubar uma proibição já existente e aprovar uma emenda que garantia o direito ao aborto.

A proposta levada às urnas neste ano pelo Legislativo estadual, dominado por republicanos, permitiria abortos apenas em emergências médicas, casos de anomalias fetais ou situações de estupro e incesto até a 12ª semana de gestação. O texto também previa mudanças constitucionais para proibir determinados procedimentos médicos para menores transgênero.

Organizações favoráveis ao direito ao aborto, lideradas por grupos progressistas nacionais, investiram mais do que os opositores e venceram a campanha contra a proposta.

Na Virgínia, os eleitores aprovaram uma emenda que cria um “direito fundamental à liberdade reprodutiva” na Constituição estadual, assegurando a possibilidade de aborto durante os dois primeiros trimestres da gestação. A medida também estabelece direitos à contracepção e a tratamentos de fertilidade.

No Idaho, Estado de perfil mais republicano, os eleitores rejeitaram uma proposta que criaria direitos ao aborto na legislação estadual. Atualmente, a lei local proíbe o procedimento, exceto quando necessário para salvar a vida da gestante ou no primeiro trimestre em casos de estupro ou incesto comunicados às autoridades.

Desde que a Suprema Corte dos Estados Unidos derrubou, em 2022, o direito federal ao aborto, eleitores de mais de um quinto dos Estados aprovaram medidas para proteger o acesso ao procedimento por meio de votações diretas.

(Por Laís Adriana, com informações da Associated Press)

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