Programa Reforma Casa Brasil: Lula critica burocracia e cobra Caixa e BB
Estadão Conteúdo
Taboão da Serra (SP) e Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) demonstrou insatisfação com a evolução pequena de programas criados recentemente pelo seu governo com objetivo de estimular a economia brasileira, mas que vem esbarrando em entraves burocráticos, segundo ele.
O grande exemplo disso é o Programa Reforma Casa Brasil, com orçamento de R$ 30 bilhões para financiar a compra de materiais de construção e serviços de reforma, podendo chegar a R$ 40 bilhões, e gestão da Caixa Econômica Federal. Desde o lançamento, em outubro do ano passado, até julho deste ano, a concessão de crédito ficou em apenas R$ 2,7 bilhões, uma fração de 6,7% do orçamento total.
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“Eu quero entender porque que a gente faz o programa e esse programa não anda”, afirmou Lula. Ele mencionou que se reuniu com os presidentes dos bancos públicos para entender as razões para essa evolução lenta.
Segundo Lula, o programa está com “dificuldade de rodar” porque há “muitas exigências”.
Às vezes o cara tem terreno que não está legalizado, a prefeitura não fez a documentação e o coitado quer fazer a casa, ele precisa fazer a reforma, ele tem como pagar, mas não consegue, porque tem uma burocracia que não deixa, não tem noção”, ressaltou Lula.
Para o presidente, a “lerdeza da máquina burocrática não é o tempo de quem precisa das coisas”.
Lula participou do evento de celebração de 30 anos do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), na Arena Multiúso de Taboão da Serra, na região metropolitana da capital paulista.
Programa MInha Casa Minha Vida
Na ocasião, ele defendeu o Minha Casa Minha Vida (MCMV) e reiterou a previsão de contratar 3 milhões de moradias ao longo do seu atual mandato. “E vamos precisar fazer mais. E vamos continuar entregando a chave da casa para as mulheres. E vamos continuar ajudando as pessoas que ganham menos. Porque casa é um direito constitucional”, acrescentou.
Lula foi recebido calorosamente por apoiadores e integrantes de movimentos sociais vestidos de vermelho, com camisetas e bandeiras de partidos de esquerda. Enquanto Lula discursava sobre os feitos na área de habitação, moradores da vizinhança nos arredores se debruçavam nas janelas e lajes das casinhas precárias, de tijolo aparente.
Antes dos discursos, as caixas de som tocavam uma playlist festiva com samba, pagode e MPB. A abertura foi com o clássico “Vermelho”, do compositor Chico da Silva, na voz de Fafá de Belém (“meu coração é vermelho"). Os integrantes do MTST celebraram também o programa Cozinha Solidária, de distribuição de refeições em comunidades carentes.
'Ratos nadando em casa'
No palco, Lula se emocionou e ficou com a voz embargada durante o discurso, ao lembrar da vida pobre e da migração de Caetés, em Pernambuco, para a periferia de São Paulo. O presidente citou a vida com a família de 13 pessoas numa casa composta por quarto, cozinha e banheiro compartilhado, além da ocorrência de enchentes.
Neste momento, criticou as elites econômicas, afirmando que “nenhum banqueiro da Faria Lima ou ruralista” sabe o que é enchente, nem acordar com “rato tentando nadar em casa”.
Segundo ele, quem define a taxa de juros e defende o ajuste fiscal não sabe “como vive o povo”. “É preciso passar por isso para saber o que é prioridade. As pessoas conhecem por literatura, mas não viveram isso”, afirmou, no evento com clima de campanha.
(Circe Bonatelli e Lavínia Kaucz)
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