76% das mortes por câncer de testículo no Brasil ocorrem antes dos 50 anos
Levantamento da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica mostra que País registrou 527 mortes por câncer de testículo em 2024, a maioria de jovens
Por Bianca Bibiano
28/04/2026 | 10h49Envato Elements
São Paulo - O câncer de testículo, considerado o tumor sólido mais comum entre homens, apresenta um impacto concentrado nas faixas etárias mais jovens. É o que mostra um novo levantamento da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO), com base no Sistema de Informações de Mortalidade do Ministério da Saúde.
Segundo os dados, o Brasil registrou 527 mortes por essa doença em 2024. Desse total, 61,67% ocorreram entre homens de 20 a 39 anos e 76,66% até os 49 anos.
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A distribuição etária evidencia maior concentração de óbitos entre 20 e 29 anos, com 190 registros, seguida pela faixa de 30 a 39 anos, com 135. Entre adolescentes de 15 a 19 anos, foram contabilizadas 21 mortes. Já acima dos 50 anos, o total soma 100 óbitos, o equivalente a 18,98% dos casos.
Já as estimativas do Instituto Nacional de Câncer indicam entre 1.700 e 2.000 novos casos por ano no Brasil no triênio de 2026 a 2028. Em cenário global, a American Cancer Society aponta aumento da incidência dos seminomas (que é um tipo de tumor maligno), e estima que cerca de um em cada 250 homens desenvolverá a doença ao longo da vida.
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"Estamos falando de um câncer com altas taxas de cura quando identificado precocemente. Mesmo sendo mais frequente em homens jovens, responde muito bem ao tratamento, permitindo que a maioria dos pacientes retome sua qualidade de vida após a terapia", afirma Paulo Henrique Fernandes, presidente da SBCO.
Diagnóstico e sintomas
Apesar de estar associado a fatores como criptorquidia, histórico familiar e alterações no desenvolvimento testicular, muitos casos surgem sem fatores predisponentes claros. Por isso, a atenção a sinais iniciais é considerada fundamental.
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Entre os principais sintomas estão nódulo endurecido no testículo, aumento de volume, sensação de peso no escroto, dor na região abdominal ou na virilha, inchaço e desconforto local. Em alguns casos, podem ocorrer alterações hormonais, como aumento da sensibilidade mamária, além de dor lombar.
"O diagnóstico precoce depende, em grande parte, da atenção do próprio paciente a mudanças no corpo. Nódulos endurecidos, aumento de volume ou qualquer desconforto persistente devem ser investigados o quanto antes", afirma Fernandes.
O diagnóstico envolve exame clínico, exames de imagem e análise de marcadores tumorais. Segundo o especialista, um dos desafios ainda presentes é a interpretação equivocada desses sinais.
"Muitos homens associam alterações testiculares a traumas ou infecções, o que pode retardar a procura por atendimento especializado", completa.
Quando identificado precocemente, o câncer de testículo apresenta taxas de cura superiores a 95%.
Tratamento
O tratamento é definido de forma individualizada, considerando o tipo de tumor e o estágio da doença. A orquiectomia, cirurgia para retirada do testículo afetado, é a principal abordagem inicial e tem papel tanto terapêutico quanto diagnóstico.
Nos seminomas em estágios iniciais, a cirurgia pode ser suficiente, embora radioterapia ou quimioterapia possam ser indicadas conforme o risco de recorrência. Já nos tumores não seminomatosos, a quimioterapia é mais frequentemente utilizada, especialmente em casos avançados.
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A orquiectomia não apenas remove o tumor, mas é fundamental para o estadiamento e para a definição das etapas seguintes do tratamento. Hoje conseguimos adotar estratégias cada vez mais personalizadas, com altas taxas de cura e menor impacto na qualidade de vida do paciente."
Para o oncologista clínico André Sasse, CEO do Grupo SOnHe, o principal aprendizado está na atenção ao próprio corpo. "O autoconhecimento do corpo e a busca por avaliação médica diante de qualquer alteração são fundamentais. Se até atletas jovens, em plena forma física, podem ter esse diagnóstico, qualquer homem também pode. A diferença está em identificar cedo", explica.
Incidência entre jovens
No cenário internacional, o câncer de testículo se destaca por um padrão distinto da maioria dos tumores sólidos, que costumam ser mais frequentes com o envelhecimento.
Dados globais indicam 38.665 casos entre 20 e 39 anos, número superior ao de neoplasias como câncer colorretal e leucemias nessa faixa etária. O perfil reforça a necessidade de estratégias de conscientização voltadas a um público que, em geral, tem menor contato com serviços de saúde.
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"Os dados chamam atenção, principalmente, porque estamos falando de uma doença que tem entre 90% e 95% de chances de cura quando diagnosticada e tratada precocemente", completa o urologista Gustavo Cardoso Guimarães, diretor do Instituto de Urologia, Oncologia e Cirurgia Robótica (IUCR) e coordenador geral dos Departamentos Cirúrgicos Oncológicos da BP.
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