Mais de 88 milhões de consultas médicas foram agendadas online em 2025
Envato
Por Bianca Bibiano
29/01/2026 | 16h57
São Paulo, 29/01/2026 - Levantamento lançado nesta semana pela plataforma de saúde digital Doctoralia mostra que no ano passado mais de 88 milhões consultas médicas foram agendadas por meios digitais no Brasil, sendo a maior parte via smartphone.
O levantamento considera os cadastros realizados por pacientes em buscas por médicos, clínicas e hospitais, incluindo mais de três mihões de usuários. De acordo com o 'Perfil do Paciente Digital 2026', 72% dos usuários da plataforma são mulheres, que não apenas cuidam da própria saúde, mas também agendam consultas para filhos, pais e cônjuges. Segundo a empresa, "o dado reforça o papel feminino como eixo central das decisões relacionadas ao cuidado médico no Brasil já apontado em outras pesquisas."
O estudo também aponta uma mudança gradual no comportamento masculino. Em 2018, os homens representavam 24% dos usuários. Em 2025, esse percentual subiu para 28%, indicando que eles vêm assumindo maior responsabilidade pelos próprios cuidados de saúde, afirma a Doctoralia.
O estudo também aponta que 61% dos pacientes respondentes das pesquisas têm 44 anos ou mais, mostrando que a digitalização da saúde ocorre de forma transversal, alcançando adultos e idosos, e não apenas as gerações mais jovens.
“A digitalização da saúde no Brasil não é apenas tecnológica - ela é comportamental. Os dados mostram um paciente mais ativo, mais consciente e mais engajado com o próprio cuidado. A liderança feminina permanece, mas o avanço masculino revela uma mudança cultural que tende a se intensificar nos próximos anos”, afirma Flavia Soccol, head global de patient care da Doctoralia.
Comportamento digital dos 60+
O levantamento também traçou um perfil do comportamento digital dos usuários da plataforma e mostra que, entre os 60+, metade avalia o agendamento digital positivamente, enquanto 11% nunca o usaram. Em relação ao meio de atendimento, 47% dizem preferir agendamento de consulta por telefone, enquanto 35% preferem WhatsApp.
Para fazer pesquisas sobre saúde, 28% relataram usar o Google primeiro e 5% das pessoas idosas disseram utilizar mecanismos de inteligência artificial (IA) como ChatGPT, Claude e Gemini, especialmente para saber mais sobre sintomas e orientações.
Do total de idosos entrevistados no levantamento, 27% disseram que não conheciam essa possibilidade de pesquisa e 21% que não confiam na IA para questões de saúde.
Quando vão realizar um agendamento de consulta online, a maioria dos 60+ prefere médicos indicados por outros, mostrando que a confiança humana pesa na decisão. Para 23%, a avaliação que outros pacientes deixam nos comentários importa na decisão e para 22% o principal fator é a qualidade dos profissionais.
Ainda com relação a esse aspecto de confiança, considerando os entrevistados de todas as idades, o levantamento mostra que 72% confiam em recomendações diretas dos médicos que conhecem, 8% que confiam sites de hospitais e clínicas e apenas 6% confiam em médicos verificados nas mídias sociais.
Barreiras no acesso à saúde
Apesar da consolidação da saúde digital, 78% dos pacientes afirmam já ter enfrentado algum tipo de barreira para acessar cuidados médicos, como demora para conseguir consultas, falta de especialistas, altos custos e entraves relacionados aos planos de saúde.
As desigualdades regionais no acesso a especialistas também foi evidenciada no levantamento. O Estado de São Paulo, por exemplo, concentra mais médicos do que toda a região Norte, enquanto em áreas rurais pacientes podem estar a mais de 500 quilômetros do especialista mais próximo.
“A tecnologia não resolve sozinha os desafios do sistema de saúde, mas é uma aliada fundamental para ampliar o acesso, reduzir desigualdades e melhorar a experiência do paciente”, conclui Flavia Soccol.
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